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Fomos ver a exposição “Tutankamon – Tesouros do Egito” que desde Janeiro está no Pavilhão de Portugal em Lisboa.

É certo que valeu a pena – eu gostei e os meus filhos adoraram.

Mas ainda assim não consigo deixar de pensar em algumas coisas que vi e que me incomodam.

Muito.

 

A TRETA DOS “BILHETES FAMÍLIA

Já não tenho pachorra para os supostos “bilhetes de família” que na prática não o são. A verdade é que a minha família não podia entrar na exposição com o tal “bilhete de família”.

Se eu tivesse ido à exposição com 3 filhos de amigos meus (que não são família) podia entrar com o tal “bilhete família”; mas com os meus filhos não posso – são 4, já não dá.

Mesmo assim a existência do bilhete família vale a pena? Sim, é melhor do que nada.

A soma de 6 bilhetes avulsos custaria 54€ e com um “bilhete família” mais um bilhete individual para a 4ª filha pagámos 38€ - para este escalão de preços, 16€ é um bom desconto.

Mas esmagadora maioria das famílias tem 1 ou 2 filhos; não é seguramente a minha quarta filha que vai causar prejuízo ao organizador do evento.

 

(Nota: a próxima exposição que queremos muito ver é a “Cosmos Discovery” e nessa o “bilhete família” é realmente válido para toda a família. Uma família são os pais e os seus filhos – ponto!)

 

A FALTA DE BRIO E DE CUIDADO

Já que estamos a falar de dinheiro, acho natural que quem paga exija ter acesso a uma exposição bem montada, iluminada e contextualizada.

Os objetos em si eram bons – boas réplicas com toda a imponência para deixarem miúdos e graúdos de queixo caído.

E a forma como estava organizada era interessante porque partia da reprodução das várias ante câmaras para a sua decomposição por peças; permitia partir do quadro geral para o particular e um bom relacionamento com a localização original de cada uma das peças.

 

Mas o espólio foi (muito) maltratado pelo organizador.

 

A exposição começa com a exibição de um filme velho que, pela legendagem, parece ter sido feito há mais de 50 anos. O filme em si acrescenta valor e foi bom vê-lo; mas será que nestas últimas décadas não se fez mais nada ou não se podia apresentar material mais recente e apelativo?

Qualquer documentário normalíssimo, daqueles que passam no Canal História ou no National Geographic, é incomparavelmente melhor.

Uma exposição desta dimensão merecia que aquele filme fosse misturado com conteúdos mais modernos, a cores, com gráficos, reproduções 3D, e todas as ferramentas que se usam atualmente neste tipo de eventos.

Tutankhamon-1.jpg

Durante a exposição viam-se muitas peças sem nenhuma legenda ou contexto (aliás, para nos habituarmos desde o início, a exposição começa precisamente com umas fotos e uma estátua sem nenhuma placa indicativa).

Muitos dos placards eram de difícil leitura e faziam reflexo com a iluminação o que obrigava os visitantes a mudar de ângulo várias vezes para ler 4 ou 5 linhas de texto.

Chegámos a encontrar uma placa com um erro ortográfico e algumas das traduções do Inglês para Português pareciam ter sido feitas por uma criança de 10 anos (ou então pelo tradutor do Google) com erros na construção das frases.

Tutankhamon-2.jpg

Mau, muito mau.

E mesmo nas peças que estavam identificadas faltava muitas vezes a explicação da sua utilidade – faltava contexto.

Até as minhas filhas de 11 anos se queixavam da falta de informação.

 

Não sei se é absoluto amadorismo, se é mesmo falta de brio e de vontade, se é só especulação com a magia do Antigo Egipto.

Se calhar pensaram que o mundo dos Faraós já é tão apelativo que bastava chegar lá, montar a exposição sem cuidados especiais, espalhar peças em vitrines, passar um vídeo qualquer, fazer uma boa promoção nos media e já está.

Eles pagam e não se queixam.

Se calhar o promotor apostou no triste provérbio “para quem é, bacalhau basta”.

E se calhar saiu-se bem – talvez a exposição tenha sido um êxito de bilheteira e ele tenha ganho bom dinheiro com o evento (espero sinceramente que sim).

Mas muitas vezes não é por se fazerem as coisas bem feitas que isso custa mais dinheiro.

A civilização egípcia, os arqueólogos que fizeram aquelas descobertas e o público de Lisboa mereciam mais.

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publicado às 19:00

Há uns anos atrás, uma miúda não terá sido vacinada contra o sarampo por causa de uma “reação alérgica grave” que teve na altura.

Já esta semana, a mesma miúda foi internada no Hospital de Cascais por causa de uma mononucleose - uma doença frequente (atinge 50% das crianças até 5 anos) e geralmente sem consequências.

Durante o internamento em Cascais terá estado próximo de um bebé de 13 meses que também não estava vacinado contra o sarampo por causa de um atraso devido a “razões clínicas”.

Aparentemente, e apesar das opiniões que os pais possam ter sobre o assunto, em nenhum destes casos a não-vacinação terá ocorrido por mero capricho dos pais.

A merda é que a desgraçada da miúda, agora com 17 anos, morreu hoje.

Apesar daquilo que li no Público (e que aqui resumi) alguns meios de comunicação social têm divulgado notícias onde os pais são acusados de negligência e de não ter vacinado a criança por mera opção familiar – um capricho, leia-se.

E depois disso, já se sabe, abriu-se a torneira do fel e escorre ódio e ácido pelas paredes da net.

 

A primeira questão que se me levanta é a da obrigatoriedade (ou não) da vacinação.

Como a vacinação não é obrigatória, não-vacinar as crianças não é crime.

E se o legislador achar que faz sentido tornar a vacinação obrigatória, pois que o faça para clarificar a situação – a mim parece-me perfeitamente aceitável obrigar as crianças a seguirem o plano nacional de vacinação.

Todas as crianças têm que frequentar a escolaridade obrigatória e na altura das inscrições é sempre pedido o boletim de vacinas – será muito fácil ao Estado impor e fiscalizar essa obrigatoriedade.

 

Mas se é necessário clarificar leis e comportamentos e sensibilizar as pessoas e as comunidades, quando se chega à morte de uma miúda de 17 anos tudo isso passa para segundo plano.

 

Aquilo que me enoja neste momento é o ódio que está a ser descarregado contra uns pais que estão a viver a maior tragédia das suas vidas.

Se a jovem falhou a vacinação por opção dos pais ou por razões médicas, de pouco me importa neste momento; haverá seguramente um momento em que se poderão discutir responsabilidades e os pais terão que viver o resto das suas vidas com o peso daquilo que lhes aconteceu.

 

Nós adoramos odiar o ódio dos outros.

Mas agora que fomos chamados a ter compaixão, preferimos jorrar ódio e descarregar culpa sobre os que estão em maior sofrimento.

Meio país diverte-se a destilar ódio contra uma mãe e um pai que acabaram de perder a sua filha.

É grotesco.

É apenas grotesco.

O ódio mata (muito mais) do que o sarampo...

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publicado às 14:35

Manaças.jpg

De vez em quando a vida surpreende-nos com as suas voltas; às vezes parece que a história é um fenómeno circular. E ainda bem...

Há uns dias recebi um e-mail do treinador de ginástica do Zé e reparei que a mensagem ia com conhecimento a um tal de José Carlos Manaças.

Ora este nome é um daqueles que não se esquece: foi o meu treinador de ginástica precisamente quando eu tinha (mais ou menos) a idade do Zé.

E quando eu era miúdo, naquele pequeno clube de bairro, ele já era um mito vivo porque para além de ser um treinador exigente, daqueles que nos molda, também era treinador no Sporting, estava ligado às selecções, ao Hóquei, aparecia na TV e por aí fora.

Para os miúdos do pequeno clube do bairro, o Manaças era um ídolo.

 

Numa das últimas vezes que fui buscar o Zé ao ginásio, combinei com o treinador dele ir fazer uma visita ao gabinete do Manaças e assim nasceu esta foto com 4 gerações de ginastas.

O José Carlos Manaças (que entre outras coisas é hoje o coordenador das modalidades olímpicas da Federação Portuguesa de Ginástica)

Eu (que nos meus tempos de miúdo fui aluno do Manaças e adorava os trampolins);

O Simão Almeida (que para além de treinador é campeão nacional por equipas de ginástica artística);

O Zé (que agora começou o seu percurso na ginástica artística).

 

O Zé fará da sua vida o que quiser mas nota-se que está a adorar esta experiência.

E eu, como pai, acho que lhe está a fazer muitíssimo bem.

 

Mas o mais divertido desta foto foi reencontrar o meu antigo professor e sentir que o meu filho está em tão boas mãos.

Às vezes parece que a vida anda aos círculos e isso pode ser reconfortante.

 

P.S. E não é que os meus pais se deram ao trabalho de guardar o meu cartão de sócio do Vitória Clube de Lisboa?

Quase 40 anos depois, aqui está ele em todo o seu explendor :-)

Cartao_VCL--1.jpg

"- Ó pai, tu eras bué parecido com o Zé" - disseram as manas quando viram esta relíquia...

 

 

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publicado às 18:13

Num País com (quase) 900 anos de História, existem evidentemente inúmeras figuras que merecem ser homenageadas.

Mas também me chateia a tese recorrente de que só os mortos é que são boas pessoas; desde logo nunca se pode falar mal de alguém que morreu porque, aparentemente, será uma falta de respeito (mesmo que o defunto tenha sido um pulha em vida).

Não dou para esse peditório.

E se admito que um miúdo de apenas 32 anos pode parecer demasiado novo para uma homenagem tão perene quanto dar nome a um aeroporto, a sua dimensão enquanto atleta e cidadão do mundo é tão universal que não me custa nada aceitar esta ousadia do Governo Regional da Madeira com um sorriso nos lábios.

Não só não me choca como me parece perfeitamente defensável.

 

Quanto ao tema do momento, o busto, desculpem mas não resisti.

Eu adoro abrir o Photoshop...

 

Busto CR7.jpg

P.S. Só para que conste da acta, não só venero o Cristiano Ronaldo como sou fã da Joana Vasconcelos e gosto genuinamente de muito do trabalho dela.

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publicado às 10:30

A base do negocio da máfia assenta na cobrança de dinheiro por um serviço inexistente que é inventado apenas para extorquir: os estabelecimentos comerciais que já existiam têm que pagar uma suposta taxa de segurança para poderem continuar a existir.

Mas na prática esse pagamento não corresponde a nenhum benefício ou serviço ou aumento de segurança – é apenas uma cobrança imposta pela força porque a entidade que cobra, a máfia, tem o poder de impor represálias a quem não pagar.

 

Para mim faz todo o sentido pagar pelos serviços que utilizo.

Faz sentido que pague (e bem) pelo estacionamento num parque subterrâneo ou num silo automóvel: alguém investiu (muito) para que aquela infraestrutura fosse criada e deve ser compensado por isso – é justo.

Da mesma forma, não me custa pagar para estacionar num local onde houve trabalho ou investimento por parte da concessionária seja no arranjo de passeios, na criação de mais lugares de parqueamento, maximização do espaço público, etc.

E faz todo o sentido que numa cidade existam zonas onde a ocupação do espaço público seja paga, nomeadamente nas mais centrais e/ou sobrecarregadas de comércio e serviços que atraem mais visitantes.

O facto de a EMEL cobrar pelo estacionamento nesses locais é uma forma de regular a utilização de um espaço que é de todos, precisamente para que possa ser usado por todos.

 

O problema é que a Câmara Municipal de Lisboa percebeu que tinha ali uma mina e podia impor a cobrança coerciva de taxas a quem não tem alternativa, mesmo em locais onde a EMEL não faz falta, não faz sentido, onde não há nada para regular e onde não presta nenhum serviço: os bairros residenciais.

 

Foi por isso sem grande espanto que um dia cheguei ao meu bairro e vi que tinham andado a pintar lugares de estacionamento no chão.

E isto do pintar é importante porque não fizeram nada para além de pintar marcas no chão: não melhoraram, não arranjaram, não adaptaram, não beneficiaram, não investiram, não criaram, não acrescentaram valor, nada; apenas marcaram o espaço público como propriedade sua.

Tal como um gang mafioso chega a um bairro e pinta uns graffitis para se mostrar como quem diz “isto agora é nosso”, a EMEL também ocupa ruas onde só estacionam moradores e pinta no chão as suas marcas do “isto agora é nosso”.

Os moradores destes bairros residenciais de Lisboa vão começar a pagar mais para usufruírem de um espaço que já era seu e pelo qual já pagavam através dos impostos.

 

Mas o serviço que supostamente lhes é prestado não presta.

Nas zonas não invadidas pela EMEL cada carro tem o seu tamanho: o SMART do vizinho solteiro ocupa 2 metros e picos, e o monovolume da família numerosa ocupa 5 metros; os carros colam-se uns aos outros, traseira com dianteira, porque todos os moradores querem rentabilizar o espaço para que caibam o maior número de carros.

Quando a EMEL entra em acção, essa solidariedade cívica é abolida e todos os carros passam a ocupar o mesmo espaço estandardizado; e com isso perdem-se naturalmente lugares de estacionamento.

Para além disso, nas zonas antigas e de passeios estreitos (como a minha) a colocação de parquímetros vai necessariamente condicionar a circulação de peões.

Tem um carrinho de bebé? Paciência. Passe pelo meio dos carros e vá com a criança para o meio da estrada que o passeio agora é propriedade da EMEL.

Por estas razões, entre outras, quando a EMEL ocupa um bairro residencial degrada as condições de vida dos habitantes - reduz o nº de lugares de estacionamento em locais onde eles já são escassos, prejudica a circulação e ainda cobra por isso.

Os moradores passam a pagar uma espécie de multa anual (como se morar em Lisboa e ter carro fosse uma infracção ao código da estrada) mas continuam a estacionar onde sempre estacionaram; tudo isto sem que sejam impostas à entidade que cobra nenhumas obrigações ou deveres para além do direito de extorquir dinheiro.

Convenhamos... mais mafioso do que isto é difícil.

 

Para tornar esta extorsão ainda mais requintada, nada como impor prazos.

No meu bairro o prazo para pagar a multa de residente já acabou, o dístico já foi enviado com a respectiva data de validade mas os parquímetros ainda não foram sequer colocados.

Conclusão: o dístico que foi pago para ter a duração de um ano só vai ter validade efectiva durante alguns (não sei quantos) meses.

Mas não faz mal; como o objectivo da medida é apenas cobrar sem prestar nenhum serviço, qualquer valor ou prazo é bom para a concessionária.

Nos negócios mafiosos é assim: é tudo lucro para quem tem a razão da força e o poder de exercer represálias.

emel2.jpg

 

 

 

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publicado às 18:05

Se tivermos sorte com as coincidências, o mundo pode ser um sítio maravilhoso.

 

Capítulo 1

Conheci o meu amigo Guilherme Dray num jogo de futebol no 7º ano do Liceu Camões, teríamos nós uns 12 ou 13 anos.

Mais tarde, já no 10º ano, estávamos em turmas diferentes mas mais próximos por sermos ambos de humanísticas.

E quando no 12º ano caímos na mesma turma, acabámos por ficar amigos a sério.

Copos, concertos, estudo, fins de semana, essas coisas todas...

Depois fomos ambos para Direito na FDL com uma diferença: ele era bom aluno (sempre foi) e eu não sabia o que lá estava a fazer (nunca soube).

Mas a amizade continuou com mais copos, mais fins de semana na casa dele na Ericeira, mais amigos que se foram fazendo pelo caminho, etc.

Depois a vida foi-nos dando as suas voltas.

Ele acabou o curso com distinção, começou a dar aulas na Faculdade, e eu fui-me perdendo pelo caminho...

Começámos ambos a trabalhar e isso afasta sempre um pouco as pessoas, já se sabe, mas continuámos a participar nos momentos importantes da vida um do outro.

Uma ida a Coimbra para o visitar no hospital quando estava internado por causa de uma infecção o ia deitando (mesmo) abaixo, o regresso à casa da Ericeira para o casamento dele, a morte do pai, essas coisas boas e más que juntam e unem a família...

Mas a vida vai-nos separando, não há nada a fazer.

Não o vejo há (muitos) anos – a última vez foi numa ocasião em que almoçámos juntos, já ele era Chefe de Gabinete de um ministro qualquer.

 

Capítulo 2

Há uns meses eu estava à espera dos meus filhos no átrio do GCP e, para ocupar o tempo, fui ver as fotos dos campeões que estão no Hall of Fame do Clube. De repente vejo um “António Dray” e pensei logo: com este apelido tem que ser filho do Gui.

Mandei um SMS ao meu velho amigo sem esperança nenhuma de obter resposta porque de certeza que aquele número estava mais do que desatualizado.

Mas de repente o telefone apita e afinal o nº ainda era o mesmo.

Disse-me que se procurasse bem até encontrava outro Dray porque ele tem 2 filhos campeões nacionais de ginástica – fui ver e lá encontrei o outro.

E soube-me bem ter o meu amigo do outro lado do SMS...

 

Capítulo 3

Esta semana o GCP convidou os pais a participarem numa aula dos filhos para comemorar o Dia do Pai, mas sem os avisarmos. E eu fui fazer a surpresa ao meu Zé que tem 7 anos.

Enquanto fazíamos a aula juntos, passou um miúdo mais velho que o Zé cumprimentou muito contente com um entusiasmado “- Olá António”.

Eu olhei para o rapaz, que deve ter uns 15 ou 16 anos, e pareceu-me reconhecer o sorriso da foto do campeão que tinha visto uns meses antes no Hall of Fame; perguntei-lhe se ele não era o António Dray e ele disse-me que sim.

Expliquei-lhe que era amigo do pai desde os tempos do liceu e pedi para lhe mandar um abraço.

Quando a nossa aula acabou o meu Zé foi despedir-se do António e eu fui com ele.

Foi o único dos “crescidos” que o Zé cumprimentou e de quem se despediu, e eu até estranhei que se falassem porque para aquelas idades, 8 ou 9 anos é uma diferença abissal (um miúdo de 7 anos não tem nada em comum com um de 15 e, sobretudo, os de 15 não têm paciência para os de 7).

 

Epílogo

À noite recebi uma mensagem por WhatsApp – era o Gui a dizer que está a dar aulas em Washington, que tinha estado a falar com o filho António por Skype e que o meu abraço tinha lá chegado.

Parece que o António é uma joia de moço e, ao contrário dos outros adolescentes, gosta de falar e de ajudar os miúdos mais novos - por essa razão o meu Zé terá atinado e gosta dele.

Para um miúdo de 7 anos como o meu Zé, ter um dos crescidos a cumprimentá-lo ou a dar um conselho sobre as argolas ou um pino faz uma diferença tremenda – é um dos momentos do dia dele e sente-se especial.

Mas o que eu achei maravilhoso é que sem nenhum deles saber, o filho do meu amigo Gui tocou na vida do meu filho Zé.

Em 2017 um Dray e um Caeiro cumprimentaram-se e ficaram um bocadinho amigos sem sonharem que, 35 anos antes, os seus pais tinham feito a mesma coisa.

Ando tão enternecido com isto que não resisti a partilhar a história apesar de ser tão pessoal.

É como vos digo... se tivermos sorte com as coincidências, o mundo pode ser um sítio maravilhoso.

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publicado às 14:07

Quando foi cancelada a conferencia do Prof. Jaime Nogueira Pinto, na Universidade Nova, fiquei indignado.

Jaime Nogueira Pinto é um homem superiormente culto e inteligente e eu gosto sempre de o ouvir - mesmo quando discordo (o que geralmente acontece).

Pareceu-me inaceitável que um professor universitário fosse impedido de falar numa universidade, que é suposto ser um local aberto à discussão e ao debate de ideias.

O caso tinha tudo para ser emblemático quanto ao espírito intolerante de uma certa esquerda radicalizada (representada pelos estudantes reunidos em RGA) e o professor assumidamente conotado com o salazarismo.

 

Mas depois começaram a chegar-nos algumas explicações, tanto do reitor como dos estudantes, que desde logo afirmaram que não existia nenhum problema com o orador convidado mas sim com a entidade organizadora do evento – uma associação chamada “Nova Portugalidade”.

Fui tentar perceber que problema poderia haver com esses organizadores

São uns moços que aparentemente se dedicam ao estudo da História e a partilhar as suas opiniões sobre aquilo que estudam – até aqui nada de estranho, até me pareceu louvável.

A História não é uma ciência exacta e permite várias análises sobre o mesmo acontecimento. Para mim que nunca gostei da unicidade, até acho refrescante que apareçam uns tipos conservadores educados e inteligentes a mostrar visões diferentes do mundo. Nem que seja para ouvir, pensar e, no fim, discordar – ganhamos sempre quando lemos ideias diferentes da nossa...

Não são as publicações onde se enaltece Trump ou Mariane Le Pen que me perturbam.

Nem a foto do presidente da associação de joelhos na campa de Salazar – é um garoto de 22 anos e os garotos são frequentemente parvos quando se armam em pavões para dar nas vistas e impressionar os outros.

 

O problema (para mim) acontece quando dou de caras com um post onde a Nova Portugalidade defende que essa coisa da inquisição foi muito empolada, que por exemplo em Goa até foram condenadas à fogueira “apenas 57 indivíduos” em 173 anos, e que o que há é “uma campanha difamatória que se tem empreendido contra Portugal e a sua obra imperial”.

Para os moços da Nova Portugalidade, a Inquisição “foi alvo constante da imaginação - isto é, da deturpação aberta, comprometida e malsã - da propaganda protestante”; no fundo a Inquisição é uma vítima: “o Santo Ofício fez-se alvo preferencial dos filósofos das Luzes”.

Quando se tenta relativizar algo como a Inquisição, chegamos ao patamar da absoluta insanidade e acabou-se a conversa.

 

Eu percebo que aquando do cancelamento da conferencia havia pouca informação sobre os acontecimentos. Eu próprio escrevi nessa noite, na minha página no facebook, “A merda do PREC que nunca mais acaba!”.

Mas não percebo que, passada uma semana e depois de se ouvirem as explicações e se saber quem são os organizadores, ainda haja comentadores indignados com o cancelamento do evento.

 

Felizmente não faltam sítios onde o Prof. Jaime Nogueira Pinto pode palestrar (desde logo a sede da Associação 25 de Abril) em eventos promovidos por gente menos malsã – digo eu.

 

Quanto aos que querem continuar a brincar à indignação e a considerar o cancelamento da conferência um caso inaceitável de censura, proponho um jogo: fazemos um auto-de fé e queimamos vivas essas pessoas.

Se no fim do auto de fé elas disserem que não foi assim tão desconfortável e que o Voltaire é que era um exagerado, então avançamos com o evento nos moldes inicialmente previstos.

Boa?

 

P.S. Eu sei que o Prof. Jaime Nogueira Pinto é uma figura conhecida e reconhecível. Mas basta olhar para o cartaz de promoção da conferência para se constactar o destaque dado ao nome da associação que organiza o evento e o destaque dado ao nome do orador (que nem sequer lá está).
Convenhamos que soa um bocadinho mais a propaganda do que a ciência...

 

Nova_Portugalidade-JNP.jpg

 

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publicado às 19:35

Na "ressaca" do Dia Internacional da Mulher,  partilho convosco uma história linda ocorrida há uns dias.

O Brunei é um estado soberano que ocupa uma pequena parte da ilha do Bornéu (que divide com territórios da Malásia e da Indonésia).

É um pequeno estado islâmico, com pouco mais de 400.000 habitantes, daqueles que teve a sorte de ter nascido em cima de jazidas de petróleo e gás natural, o que lhe permite ter um dos mais elevados PIB per capita do mundo.

E este pequeno país muçulmano escolheu uma forma muito subtil, mas genial, de comemorar o seu Dia Nacional a 23 de fevereiro.

Andou à procura de mulheres pilotos nos quadros das suas linhas aéreas, a Royal Air Brunei, e criou a primeira tripulação de pilotos exclusivamente feminina da companhia.

Depois colocou-a aos comandos de um Boeing 787 num voo com destino a Jeddah na Arábia Saudita.

Female-Flight-Deck-royal-brunei.jpeg

Sim, é mesmo isso que vocês estão a pensar: o Brunei mandou um avião pilotado por mulheres para aterrar num País onde as mulheres estão impedidas de conduzir um carro.

 

Porra pá, isto é que é diplomacia!!!

Brunei 1 – Suécia 0

 

Já agora, se quiserem façam like nesta página que promove uma campanha pelo direito das mulheres sauditas a conduzir.

 

(link da notícia original aqui)

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publicado às 14:16

Nota prévia: não conheço pessoalmente o Ricardo Costa e tenho por ele alguma simpatia. Parece-me (ou parecia-me) um tipo interessante, boa onda, já me cruzei com ele em diversas ocasiões (exposições, concertos, etc.) e temos gostos em comum.

 

Eu sigo a página Os Truques da Imprensa Portuguesa e gosto.

Tenho as minhas reservas, como tenho em relação a tudo, mas gosto.

É evidente que terão as suas preferências mas já lhes li posts em que desmontavam ou denunciavam notícias falsas (ou manipuladas) e títulos abusivos sobre economia, política nacional e politica internacional, questões de saúde, discursos do Papa, polémicas do desporto, figuras do showbiz, publicidade encapuçada, abuso do clickbait, etc.

Não há tema que considerem menor; até sobre umas não-notícias de um suposto concursos de ruas bonitas se deram ao trabalho de escrever, só para desmontar um esquema manhoso com notícias inventadas para sacar likes e partilhas.

Parece-me que o que os move é sobretudo a exigência – querem ajudar a cultivar o espírito crítico entre os consumidores de notícias e mostrar que nem tudo o que lemos é exactamente aquilo que parece.

Se eles têm uma “agenda”, há alguém que não a tenha?

 

Qualquer jornalista digno desse nome ficaria feliz com o aparecimento de um projecto como este d’Os Truques da Imprensa Portuguesa porque cultivam a exigência e desmascaram alguns sensacionalismos e manipulações bem como partilhas sem critério nem consulta de fontes que minam a credibilidade do verdadeiro jornalismo.

Qualquer responsável por um projecto editorial sério ficaria também feliz por ver alguém a ser exigente com as publicações do “seu” jornal e a desmascarar de forma crítica a sua concorrência.

 

Aparentemente (e estranhamente) não é o caso de Ricardo Costa.

Ricardo Costa tem naturalmente o direito de não gostar da página dos Truques da Imprensa Portuguesa

Mas a forma como reagiu no twitter, colando-os a Donald Trump, a Steve Bannon ou ao Ku Klux Klan, com referências à inquisição, à PIDE ou à Stasi, enfim... revelam um homem que perdeu a cabeça mas também perdeu a educação, a decência, a medida das proporções e a mais pequena noção da realidade.

 

Há poucas semanas Ricardo Costa escreveu na sua coluna no Expresso que José Eduardo dos Santos tinha conseguido a paz e a democracia para Angola.

Ricardo Costa, jornalista e director-geral de informação do grupo Impresa, acha que um país sem eleições há décadas, sem televisão e sem jornais independentes e onde se pode ir preso por ler um livro é, de alguma forma, uma democracia.

Mas também acha que uma página de facebook que pede mais rigor à comunicação social, apresentando casos concretos de notícias duvidosas e as suas fontes (ou falta delas), é uma ameaça fascizóide.

Hum... eu acho que Ricardo Costa não está bem.

Pela simpatia que tenho por ele, espero que não seja grave.

Talvez sejam só gases...

Os traques da imprensa portuguesa.jpg

P.S. Quanto ao facto de Ricardo Costa usar, em tom de ameaça, informação pessoal entregue pelos próprios gestores da página a colaboradores seus sob promessa de sigilo, o comportamento é tão indigno de um jornalista que não me vou alongar para não acidificar o meu metabolismo...

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publicado às 18:45

Este é capaz de ser o meu provérbio favorito e vem a propósito de dois acontecimentos recentes.

Sim, Donald Trump tinha razão: passou-se “algo” com a Suécia.

Foi com a Suécia mas não foi na Suécia, foi no Irão.

A Suécia orgulha-se de ter o primeiro governo feminista do mundo mas quando em meados deste mês a Ministra do Comércio visitou o Irão, foi de cabecinha baixa e convenientemente coberta com o hijab - ela e a restante delegação de senhoritas muito feministas mas cheias de respeitinho.

Swedens-walk-of-shame.jpg

Apesar de as activistas Iranianas pedirem às dignatárias estrangeiras para não se sujeitarem a esta humilhação e apoiarem os esforços das mulheres Iranianas a mudar as mentalidades do seu País, as auto proclamadas feministas suecas marimbaram-se para a sua própria dignidade e fizeram o frete às autoridades Iranianas.

Depois de Michelle Obama ter dado nas vistas por ter ido em visita oficial à Arábia Saudita (o mais conservador dos países islâmicos) e se ter portado como uma mulher, ficámos a saber que no passado até a Laura Bush (que supostamente é conservadora) foi de cabeça descoberta. E a lista inclui a Hilary Clinton, a Condoleza Rice ou a Ministra da Defesa Alemã.

Não consigo imaginar o que terá levado uma delegação Sueca de mulheres a sujeitar-se a este walk of shame, ainda por cima quando se afirmam feministas.

 

Hoje ficámos a saber que a candidata às presidenciais em França, Marine Le Pen, está de visita ao Líbano e recusou-se a usar o véu.

Encontrou-se com quem a quis receber nestas condições, incluindo vários líderes religiosos.

Entretanto o Grande Mufti de Beirute fez saber que um encontro entre os dois implicaria essa “condição" (o uso obrigatório do véu) e a candidata “pediu para transmitirem ao Grande Mufti os seus respeitos.

E o encontro foi cancelado.

 

Estranho mundo este onde uma francesa apelidada de "extrema direita" dá lições de moral e de dignidade a umas suecas apelidadas de feministas.

Nunca imaginei que um dia escreveria umas linhas elogiosas para um membro da família Le Pen. Aconteceu hoje...

Bom, e agora se não se importam vou mandar um mail à NASA a perguntar se precisam de voluntários para expedições espaciais prolongadas - este planeta está a ficar demasiado estranho...

 

P.S.

Perdon my french... mas espero que a delegação das feministas suecas tenha feito bons negócios e assinado bons contratos com esta visita de Estado - é que não há nada mais triste do que uma puta barata.

 

À parte disso, enquanto escrevia isto apaixonei-me por esta miúda...

 

 

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publicado às 18:35


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