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Eu tenho desculpa.

Bom... na prática, todos temos desculpa.

Pelo menos, todos inventamos uma.

Ou várias, para termos uma sempre à mão.

 

É o stress (como se eles não tivessem stress), é o facto de não nos ouvirem à primeira (como se nós ouvíssemos à primeira quando tínhamos a idade deles), é a inconveniência de serem desobedientes (como se nós fossemos sempre uns carneirinhos prontos a anuir), é a maçada de nos questionarem (como se nós não fizéssemos perguntas), é a audácia de nos desafiarem (como se nós não gostássemos de fazer frente aos outros).

No fundo é tudo.

 

Eu posso sempre acrescentar que o número conta.

São 4 e isso dá muuuito mais trabalho e é muuuito mais complicado.

Quem tem um filho ou dois não consegue sequer imaginar...

Mas em bom rigor, isso também não me devia servir de desculpa porque é a mim que compete manter o controlo.

 

Fico triste quando os meus filhos resolvem as suas desavenças aos berros ou ao estalo.

Eu sei que supostamente faz parte.

Numa casa com vários irmãos há muitas discussões, muitos conflitos, e por vezes as coisas acabam com um (ou mais) a chorar.

É claro que há comportamentos que trazem da escola e um encontrão ou um pontapé entre miúdos é sempre uma “solução” rápida para impor um ponto de vista.

 

Mas a verdade é que o responsável sou eu e quem dá o exemplo sou eu.

E a verdade é que muitas vezes sou eu quem dá o mau exemplo que eles replicam uns com os outros.

Muitas vezes sou eu quem perde a paciência demasiado depressa ou demasiado cedo.

Muitas vezes sou eu quem se põe aos berros de uma ponta da casa para ser ouvido na outra extremidade.

Muitas vezes sou eu quem ameaça com um castigo ou com um estalo se a minha decisão não for obedecida.

E algumas vezes, com muita mágoa minha, sou eu quem recorre à palmada (ou ao calduço para ser mais humorístico) para impor uma ordem.

 

Sou eu quem dá o (mau) exemplo que eles reproduzem nas discussões entre eles - e tenho que mudar.

Não sei se o facto de eu mudar os vai fazer mudar a eles, pelo menos a curto prazo.

Mas compete-me a mim dar esse passo para termos todos uma vidinha a 6 mais tranquila e harmoniosa.

Somos felizes, temos saúde, não nos faltam bens de primeira necessidade, a escola vai correndo bem, não há razão para que às vezes o ambiente seja tenso.

E quando isso acontece, é quase sempre por culpa minha.

É claro que o granel e a algazarra têm a sua piada; eu gosto de dizer que com 4 filhos é como se vivesse dentro de um filme italiano (e fui eu que quis ter uma família assim.).

 

Mas a palmada, ainda que rara, tem que acabar.

E a ameaça de dar a palmada também.

E o tom de voz tem que baixar.

Que seja em 2017...

 

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publicado às 00:28


2 comentários

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De Té GLP a 14.12.2016 às 15:17

Ahahahahahahaha, eu também eu também, e depois queria para além desse desejo ganhar o euromilhões!!
Mas sim... por aqui também tentaremos ser melhores pais do nosso amontoado!!!
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De Fernando Caeiro a 14.12.2016 às 16:43

Eu já não dou uma palmada há uns tempos; falta-me deixar de andar sempre a ameaçar e tentar falar mais baixo fazendo-me ouvir (soa a milagre).

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