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Vila das Cores é um livro do Bruno Magina com uma história e um propósito.
A história acompanha a chegada à Vila das Cores da “Família Violeta”, uma família diferente do habitual porque tem dois pais e as suas duas crianças adoptadas.
O propósito é falar aos miúdos da importância de aceitar o “outro” com as suas diferenças e acolhê-lo sem preconceito.
Mas o mais engraçado é que enquanto eu contextualizava a história ao Zé, ele desinteressava-se das minhas explicações.
A verdade é que para uma criança de 7 anos que não seja educada com base no ódio e no preconceito, respeitar uma família diferente é algo tão natural que nem carece de explicação ou justificação.
O Zé achou o livro normal e não percebeu muito bem porque é que eu estava para ali a chateá-lo com a “moral da história”.

Vila_das_cores.jpg

O livro é giro, o propósito é nobre e é uma boa ferramenta para falar de temas como a diferença e a aceitação.
Fica a dica...

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publicado às 14:10

Agora anda-se muito melhor a pé em Lisboa.

Com passeios mais largos e desimpedidos é um verdadeiro espetáculo (como se vê nesta foto da Av. da Liberdade).

Para quem anda com filhos e carrinhos de bebé este tipo de intervenção ajuda imenso.

Avenida da Liberdade.jpeg

Mas imagino que especialmente para os cegos (como o retratado no mupi) este moderno mobiliário urbano seja um verdadeiro deleite.

Obrigado a quem pensou nisto.

 

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publicado às 09:52

Ora então sejam muito bem-vindos à última polémica parva.

 

Vamos aos factos:

1 – o Valter Hugo Mãe escreveu um livro;

2 – o Ministério da Educação incluiu esse livro no Plano Nacional de Leitura do 3º ciclo;

3 – uns pais não gostaram devido ao conteúdo de 2 ou 3 parágrafos e protestaram;

4 – o Ministério reconheceu que tinha sido um erro informático e que afinal o que pretendiam era recomendar o livro para o PNL do liceu e não para o 3º ciclo.

 

Fixe, ficou assim tudo resolvido.

Mas acabou a polémica?

Ehhhh... não.

 

Parece que algumas pessoas querem brincar à indignação durante mais uns dias e para isso fingem-se muito maçadas pelo facto de alguns pais terem protestado com a inclusão do livro no Plano Nacional de Leitura do 3º ciclo.

Como se os pais não tivessem legitimidade para opinar sobre a educação que é dada nas escolas aos seus próprios filhos, sobretudo quando têm 12 ou 13 anos.

Um dos argumentos mais fofos (chamemos-lhe assim) vai buscar a recordação das suas leituras da adolescência, do Christiane F aos Trópicos do Henry Miller, passando pelas piadinhas sobre as páginas coladas da Gina... 

O argumento é: como esses papás não ficaram traumatizados com essas leituras precoces (mal seria...), alega-se que não há necessidade de adequar conteúdos à idade e à maturidade das crianças.

Como se nas restantes disciplinas da escola não se enquadrasse a complexidade das matérias em função da idade dos alunos.

E depois, como é evidente, cola-se um rótulo de conservador ou falso moralista a todos os pais que acham que cada criança tem a sua maturidade e que deve ler o que for mais ajustado à sua idade, pelo menos quando tem o selo de “conselho” do Plano Nacional de Leitura.

 

Como é evidente os miúdos vão sempre ler coisas às escondidas.

Pela minha parte até conto comprar daqui a uns tempos um livro da Anais Nin e deixá-lo “esquecido” numa mesa qualquer para que as minhas filhas o possam ler, naturalmente às escondidas.

 

É claro que é uma absoluta aberração pretender avaliar uma obra a partir de dois parágrafos completamente descontextualizados.

É claro que a personagem que diz aquelas frases foi alvo de uma construção física e psicológica ao longo do romance, e que quando o leitor lá chega já sabe que aquela personagem é uma besta.

Ainda assim, estou convencido de que quando o Valter Hugo Mãe escreveu “E a tua tia sabes de que tem cara, de puta, uma mulher tão porca que fode com todos os homens e mesmo que tenha racha para foder deixa que lhe ponha a pila no cu.” provavelmente não pensou: – É pá que fixe, isto está mesmo bom para ser lido por miúdos de 12 ou 13 anos.

 

Aliás, se há pessoa que seguramente dispensava esta polémica é justamente o autor que escreveu livremente a sua obra e que não merece ser usado como estandarte de ninguém porque se acha muito libertário (e muito menos ser condenado por ninguém que se julgue moralista).

Esta polémica até consegue ser mais parva do que o normal porque estalou já depois de ter sido resolvida.

Em bom rigor, este meu texto nem devia ter sido escrito.

Mas olhem, como já está, publique-se...

 

Clássicos da Literatura juvenil.jpg

 

 

 

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publicado às 17:51

Padaria Portuguesa-não obrigado.jpg

Confesso que sempre me fez alguma confusão o sucesso triunfante da Padaria Portuguesa e a sua capacidade de abrir lojas em catadupa em todas as zonas importantes (e caras) de Lisboa.

Lisboa sempre foi uma cidade polvilhada por excelentes cafés e pastelarias que apresentam uma diversidade de bolos tamanha que só um estudioso ao nível do doutoramento conseguirá conhecer-lhes metade dos nomes.

E em muitos desses sítios bebem-se cafés de qualidade com rapidez e atendimento simpático.

Cada um escolhe o seu spot, perto de casa ou do emprego, e as pessoas vão-se fidelizando à sua “casa”.

Na “minha” pastelaria, a Cristal na Buenos Aires, é frequente os empregados não cobrarem as miniaturas que servem às crianças.

Eu acho que tem os melhores pastéis de nata de Lisboa e defendo a minha pastelaria como defendo o meu clube – é como se fosse minha.

O serviço é atencioso, conhecem os clientes há anos e toda a gente se cumprimenta e respeita.

Todos nos sentimos em casa - é o comércio local no seu melhor...

Ora a Padaria Portuguesa é precisamente a negação daquilo que são os cafés e pastelarias de Lisboa: empregados em rotação, menor variedade, preço elevado e um serviço frequentemente demorado.

O sucesso da Padaria Portuguesa é para mim um completo mistério.

Desculpem a minha impaciência mas para beber uma bica eu não tenho pachorra para tirar a senha como se estivesse nas finanças da Loja do Cidadão.

De repente aparece esta polémica provocada pelas declarações de um dos seus responsáveis em que vem dizer que o que gostava mesmo era de poder despedir à vontade os trabalhadores, obrigá-los a trabalhar mais, deixar de pagar horas extraordinárias, etc.

Este chorrilho de barbaridades só vem reforçar a minha aversão ao “conceito” (como agora é moda chamar) da Padaria Portuguesa.

Eu já não gostava de lá ir – não me custa nada não voltar.

Pela minha parte este sr. Nuno Carvalho não precisa de esperar pela liberalização dos despedimentos; o seu negócio pode bem ir à falência que o “mercado” encarregar-se-á de absorver os trabalhadores da Padaria Portuguesa.

Com sorte alguns deles vão trabalhar para uma das (muitas) boas pastelarias de Lisboa, e pode até ser que venham a trabalhar com patrões que não têm como principal prioridade despedi-los.

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publicado às 14:50

Sobre as discussões recentes na Assembleia da República a propósito da criação de um feriado para o Carnaval, tenho a dizer o seguinte:

Nunca achei graça ao carnaval.

Não achava graça quando era miúdo e agora que tenho (4) filhos tolero-o apenas porque eles, não sendo especialmente adeptos, lhe acham alguma piada.

Gosto ainda menos dos carnavais institucionalizados, dos corsos e das sambistas enregeladas como se o nosso inverno fosse igual ao verão Brasileiro e a Bairrada fosse o Rio de Janeiro. Acho esses espetáculos particularmente tristes e poucas coisas me deprimem mais do que a imagem das matrafonas histéricas de Torres Vedras.

Mas isso é apenas a minha opinião pessoal.

Por essa razão, por não existir um especial conflito de interesses, sinto-me especialmente à vontade para escrever que acho que o Carnaval devia ser feriado.

Há duas razões a que sou especialmente sensível:

1 - Coincide com uma pausa nas actividades escolares e por isso é um momento possível de encontro da família (e todos sabemos como as famílias têm pouco tempo para se encontrarem nos dias de hoje).

2 - É importante para a economia regional de milhares de localidades que celebram e levam (muito) a sério essas festividades - algumas delas vivem quase o ano todo em função dos preparativos para essa festa.

Na prática o País pára por causa de feriados que não sabemos o que são nem o que significam e aos quais não se associa nenhuma celebração que justifique um dia sem trabalhar – faz todo o sentido que uma festa que envolve comunidades inteiras e muitas vezes obriga a fazer viagens seja motivo de feriado.

 

E não o digo por preguiça, só porque quero mais um feriado – de bom grado trocava dois feriados inúteis por este.

Acho que num País laico não fazem sentido os feriados religiosos, a menos que tenham sido adoptados pela comunidade.

É o caso evidente do Natal e da Páscoa.

Mas ninguém me consegue explicar porque é que um País tem que parar por causa da Imaculada Conceição, do Corpo de Deus ou da Assunção da Nossa Senhora. Se há pessoas que pela sua religiosidade especial querem celebrar essas datas e precisam de um dia inteiro, que o façam com os seus dias de férias – é o que todos fazemos com as nossas datas especiais.

Há pessoas que metem um dia de férias por causa do seu aniversário, do casamento de um amigo, etc. – é a coisa mais normal do mundo.

Aliás a comunidade católica deste País dá todos os anos vários exemplos particularmente reveladores de que não precisam do aval do Estado para manifestarem a sua religiosidade. Basta pensarmos nas centenas de milhares de pessoas que em Maio ou Outubro rumam a Fátima, durante vários dias ou só no dia 13, sem precisarem nem pedirem feriados para isso.

E é assim que deve ser; à priori o Estado não tem que se meter nos assuntos da fé.

 

Nós até temos poucos feriados.

Um País com 900 anos só celebra 3 ou 4 datas: o Dia da Liberdade que celebra o 25 de Abril de 1974, o 5 de Outubro (em que coincidem a assinatura do Tratado de Zamora em 1143 e a implantação da República em 1910) e o Dia da Restauração a 1 de Dezembro de 1640. São 3 feriados históricos para 900 anos de História.

É natural que algumas destas datas não tenham grande adesão popular. É normal que haja mais gente na rua a celebrar uma data histórica ocorrida em 1974 do que outra ocorrida em 1640. Mas faz todo o sentido que seja feriado a 1 de Dezembro pela carga histórica e simbólica da reconquista da independência.

 

Se o Carnaval não pode ser feriado porque isso afecta a nossa produtividade e o País não aguenta mais um feriado, então que se abdique dos feriados religiosos que são, objectivamente, vazios de conteúdo para a esmagadora maioria dos Portugueses.

Fazemos assim: vamos trabalhar no dia da Assunção da Nossa Senhora (desde logo porque um feriado a meio de Agosto é uma inutilidade) e no dia da Imaculada Conceição (Dezembro já tem outros feriados e não precisamos deste).

Em compensação passamos a ter o Feriado do Carnaval.

Parece-vos bem?

Então vamos votar.

Votos contra?

Nenhum?

A moção foi aprovada por unanimidade!

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publicado às 16:07

SOARES É FIXE

08.01.17

Soares é fixe.jpg

Mário Soares é uma das pessoas a quem os meus filhos mais devem, e apesar disso não têm a mais pequena ideia de quem ele seja.
Isso diz tudo sobre a sua importância histórica e sobre a forma como o seu legado se consolidou.
Nos anos '80 a minha prima Ana vivia em Itália e quando cá vinha no Natal dizia que uma das coisas de que tinha mais saudades era de ouvir o meu pai, inflamado, a dizer mal do Soares.
Era uma coisa de família.
Algumas das minhas adoradas tias mais soaristas até puxavam pelas virtudes do Bochechas (como ternamente lhe chamavam) só para verem o meu pai a eriçar-se.
Lá em casa sempre se gostou dele e sempre se disse mal dele.
Porque ele era contraditório e nós também.
No fundo sempre soubemos que ele era o maior, e sempre soubemos o muito que devíamos àquele bonacheirão que tantas vezes nos irritava.
Obrigado por tudo, Bochechas

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publicado às 16:25

Time.jpg

E chegou o momento tão aguardado de eleger a Personalidade do ano 2016.

Para mim a PERSONALIDADE DO ANO é a CATARINA ALMEIDA!

Depois de no ano passado me ter eleito a mim mesmo, achei que este ano podia parecer menos imparcial repetir a escolha.

Por essa razão resolvi eleger uma pessoa que conheci em 2016 e que me deixou (e continua a deixar) espantado com a energia, generosidade, bom-gosto, e se me ponho aqui a discorrer adjetivos não me calo.

A Catarina é mãe de 3 filhos e conheci-a por causa da sua página Happy Wife, Happy Life. Mas depois descobri que que para além dos dois full-times (no emprego e em casa) ainda criou o projeto Princess Pea, dedica-se a um outro negócio familiar (o Sr. Showriço) e ainda arranja tempo para o teatro amador.

Bom, a página Happy Wife, Happy Life está em banho maria (à espera que a dona tenha tempo) mas quem a seguia sabe que aquilo tinha potencial e os posts registavam uma adesão invulgar para o número de seguidores.

Já a Princess Pea é um projeto que têm mesmo que conhecer e que alia a produção nacional à ilustração portuguesa.

O que fazem é convidar ilustradores portugueses para desenharem objetos de uso quotidiano (das agendas aos guarda-chuvas passando pelos chinelos ou aventais) e o resultado é lindo.

São produtos 100% portugueses, giros que se fartam, e é uma pena que este projeto não seja mais conhecido.

Quanto ao Sr. Showriço serve as melhores bifanas que podem experimentar quando vão a um grande concerto, evento ou festival de música.

Em Paredes de Coura é a minha cantina (no Primavera no Porto intercalo com o pernil no Guedes por uma questão religiosa).

Mas atenção, a Catarina não é uma “gerente” distante; é uma mulher de trabalho.

Tão depressa está no atelier a congeminar a próxima peça da Princess Pea como vem à feira do livro vendê-las no seu stand, como na semana seguinte vai fazer pão com chouriço num concerto dos AC/DC.

E ainda faz teatro amador; sabem o que é que ela fez no Natal? Fez de burro no Musical do Shrek.

Esta mulher tem tanto tempo livre que ainda representa e canta um dos papéis principais de um musical (com tudo o que isso significa em termos de disponibilidade mental, tempo para ensaios, etc).

Tudo isto com um emprego, duas empresas e uma família numerosa.

Mas apesar da sobrecarga, a Catarina é a pessoa que vai abraçar qualquer projeto para o qual a convidem se o achar aliciante (sei-o por experiência própria).

E faz isto tudo com um sorriso e o ar de que tudo isto é normal.

Num País onde tantas mães-de-filho-único se julgam especiais só porque tiveram um filho e ainda se queixam de que não têm tempo para nada por causa da cria, a Catarina representa a energia, o optimismo e a humildade que falta às outras.

A Catarina é a maior!

Bom, por acaso o marido é uma joia e o filho mais velho é um amor (que é para a moça não ficar com os elogios todos para ela).

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publicado às 10:20

Jornal_i-Capa.jpg

O tema pode ser polémico mas eu estou de acordo com os miúdos do CDS – também sou pela abstinência sexual nas escolas.

Se querem sexo arranjem um quarto, caramba.

É que os tempos mudaram.

Agora o Íbis tem quartos por menos de 40€ (quem pode, pode).

Para além disso há imensos pais separados e as mães trabalham todas o que deixa muitas casas sem ninguém durante as manhãs e tardes (quem não pode, pode).

Já não faz sentido ter sexo na escola, seja atrás do ginásio ou num balneário vazio.

Deixem esses espaços para os miúdos que se estão a iniciar no bate-pé, ok?

Força Juventude Popular – gandas malucos.

Agora não sei é quem é que vai dar as aulas de abstinência.

Será que eles têm um filiado para colocar em cada escola?

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publicado às 15:31

Conhecer o Hugo (van der Ding) é um privilégio porque dele podemos dizer que é genial sem sermos acusados de porte ilegal de hipérbole.

O Hugo é o tipo que faz a Criada Malcriada, que fazia a Cavaca para Presidenta, que escreve  As Memórias de uma Porteira na Sábado, e que faz mais mil-e-uma coisas que só os amigos é que sabem porque as faz apenas pelo gozo de estar sempre a fazer coisas.

Quando saiu o livro da Criada Malcriada o Hugo era um militante anónimo. E estava tão obcecado com o seu anonimato que no lançamento do livro se escondeu na casa de banho da Ler Devagar para me dar este precioso autógrafo.

Criada malcriada.jpeg

Mas agora saltou-lhe a tampa e já dá a cara pelos seus projectos.

No lançamento do seu novo livro, O Inspector Acidental, até deu para tirar uma foto.

Se quiserem uma (excelente) sugestão para o Natal e já tiverem o meu livro, comprem o do Hugo.

Aquilo encomenda-se no site da Editora Cego Surdo e Mudo.

A sério.

O livro é completamente alucinado e se vocês não gostarem é porque não sabem ler.

E estes éramos nós na festa de lançamento que foi bestial.

Olhem, tivessem ido...

Hugo&Me.jpg

 

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publicado às 17:52

The-Good_father.jpg

Eu tenho desculpa.

Bom... na prática, todos temos desculpa.

Pelo menos, todos inventamos uma.

Ou várias, para termos uma sempre à mão.

 

É o stress (como se eles não tivessem stress), é o facto de não nos ouvirem à primeira (como se nós ouvíssemos à primeira quando tínhamos a idade deles), é a inconveniência de serem desobedientes (como se nós fossemos sempre uns carneirinhos prontos a anuir), é a maçada de nos questionarem (como se nós não fizéssemos perguntas), é a audácia de nos desafiarem (como se nós não gostássemos de fazer frente aos outros).

No fundo é tudo.

 

Eu posso sempre acrescentar que o número conta.

São 4 e isso dá muuuito mais trabalho e é muuuito mais complicado.

Quem tem um filho ou dois não consegue sequer imaginar...

Mas em bom rigor, isso também não me devia servir de desculpa porque é a mim que compete manter o controlo.

 

Fico triste quando os meus filhos resolvem as suas desavenças aos berros ou ao estalo.

Eu sei que supostamente faz parte.

Numa casa com vários irmãos há muitas discussões, muitos conflitos, e por vezes as coisas acabam com um (ou mais) a chorar.

É claro que há comportamentos que trazem da escola e um encontrão ou um pontapé entre miúdos é sempre uma “solução” rápida para impor um ponto de vista.

 

Mas a verdade é que o responsável sou eu e quem dá o exemplo sou eu.

E a verdade é que muitas vezes sou eu quem dá o mau exemplo que eles replicam uns com os outros.

Muitas vezes sou eu quem perde a paciência demasiado depressa ou demasiado cedo.

Muitas vezes sou eu quem se põe aos berros de uma ponta da casa para ser ouvido na outra extremidade.

Muitas vezes sou eu quem ameaça com um castigo ou com um estalo se a minha decisão não for obedecida.

E algumas vezes, com muita mágoa minha, sou eu quem recorre à palmada (ou ao calduço para ser mais humorístico) para impor uma ordem.

 

Sou eu quem dá o (mau) exemplo que eles reproduzem nas discussões entre eles - e tenho que mudar.

Não sei se o facto de eu mudar os vai fazer mudar a eles, pelo menos a curto prazo.

Mas compete-me a mim dar esse passo para termos todos uma vidinha a 6 mais tranquila e harmoniosa.

Somos felizes, temos saúde, não nos faltam bens de primeira necessidade, a escola vai correndo bem, não há razão para que às vezes o ambiente seja tenso.

E quando isso acontece, é quase sempre por culpa minha.

É claro que o granel e a algazarra têm a sua piada; eu gosto de dizer que com 4 filhos é como se vivesse dentro de um filme italiano (e fui eu que quis ter uma família assim.).

 

Mas a palmada, ainda que rara, tem que acabar.

E a ameaça de dar a palmada também.

E o tom de voz tem que baixar.

Que seja em 2017...

 

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publicado às 00:28


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