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Sobre a polémica do Cartão de Cidadão, vocês não perguntaram mas eu tenho a dizer o seguinte:

Acho que faz tanto sentido uma mulher ter um Cartão de Cidadão como faria sentido eu, barbudo arraçado de cro-magnon, ter um Cartão de Cidadã.

Cartão de Cidadã?

 

Bem sei que os substantivos, quando no plural, são masculinos (um pai e uma mãe são designados por "os pais").

Mas não vejo porque é que na forma singular um substantivo não há de fazer a concordância com o género.

Mais ainda num documento de identificação que é por definição pessoal e intransmissível.

E não procede o argumento de que "há coisas mais importantes para resolver".

Um País é uma realidade complexa - tem a obrigação de resolver milhões de problemas ao mesmo tempo, ainda que tenham graus prioridade diferentes.

Não é por estar em mau estado o telhado de uma escola que deixamos de aprovar legislação sobre animais; não é por faltarem médicos e enfermeiros que se deixa de mexer nos escalões do IRS.

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publicado às 20:56


10 comentários

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De FS a 02.05.2016 às 13:52

Muito sinceramente, acho que é "much ado about nothing"... Não é a forma mais correcta e feliz de denominar o raio do cartão, mas devia ser mudado sem este ruído todo...
Não são só os plurais que são referidos no masculino (e.g., "os pais"), há outros casos, mas ainda assim não me parecem ofensivos ou discriminativos... Mesmo assim, mude-se para Cartão de Identidade, que é, sem dúvida, mais simpático.
Continuo é a pensar que é muita conversa sobre pouca coisa... Discriminação é "castigar-se" uma mulher profissionalmente por ter filhos...
Claro que não é por não haver médicos e enfermeiros que não se vai legislar sober so escalões de IRS... Mas, para mim, a analogia que melhor se aplica aqui é qualquer coisa como querer tentar acabar com as listas de espera nos hospitais por se passar a escrever os nomes dos pacientes em maiúsculas e em Times New Roman...
;)
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De Fernando Caeiro a 04.05.2016 às 00:07

Estamos de acordo.
A chatice é que o Bloco não gosta de fazer as coisas pela calada, tenha ou não razão.
Tem que ser com alarido.
E ainda não perceberam que algumas vezes esse modus operandi prejudica as suas próprias iniciativas.
Quero acreditar que com o tempo irão amadurecer um pouco e ganhar algum tacto diplomático :-)
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De Anónimo a 02.05.2016 às 15:18

É "cartão de cidadão" (homem e mulher) e não "cartão do cidadão"(homem) o que muda todo a sentido dado, e sim isto nem é um assunto..... a desigualdade quando existe deve ser combatida é em coisas onde é sentida como a s«desigualdade de direitos, de salários, de trabalho, etc.
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De Fernando Caeiro a 04.05.2016 às 12:27

Confesso que tenho alguma dificuldade em perceber o comentário porque eu nunca me referi a um "Cartão do Cidadão"; escrevi sempre "Cartão de Cidadão".
E o facto de se usar "de" ou "do" não muda o sentido da frase porque em Português os substantivos fazem a concordância com os sujeitos (neste caso o titular do cartão) e não com as preposições . Pelo contrário, é a preposição que concorda em género com o substantivo - por isso é que nunca poderia ser “Cartão da Cidadão”.
Este não é um tema que esteja sujeito a debate.
O que se pode discutir, e discordar, são questões subjectivas como a importância, a oportunidade ou a razoabilidade da iniciativa.
Por mim tanto se me daria ter um Cartão da Cidadã como um Cartão de Cidadã - ambas me fariam sentir, no mínimo, esquisito...
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De Maria a 02.05.2016 às 23:06


Votei Bloco de Esquerda.
Mas tenho de concordar que esta ideia disparatada do: “Cartão de Cidadania”.
Foi um tiro no pé.

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De Fernando Caeiro a 03.05.2016 às 23:48

Estamos desencontrados; eu não votei no Bloco e não me importava de trocar o nome do Cartão de Cidadão para uma designação neutra :)
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De Maria a 04.05.2016 às 19:59



Então não entendo o propósito do seu texto.
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De Fernando Caeiro a 05.05.2016 às 00:13

O propósito do meu texto pode ser inferido no segundo parágrafo:
"Acho que faz tanto sentido uma mulher ter um Cartão de Cidadão como faria sentido eu, barbudo arraçado de cro-magnon, ter um Cartão de Cidadã."
Ou invertendo a ordem dos factores, se para mim não faz sentido um homem ter um "Cartão de Cidadã", também não faz sentido uma mulher ter um "Cartão de Cidadão".
Na minha humilde opinião o que faria sentido era existir no documento cujo nome fosse neutro, como aliás acontecia com o Bilhete de Identidade.
Só isso...
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De marrocoseodestino a 07.05.2016 às 08:26

Não me incomoda estar como está, aliás quase que só pego nele para dar o numero de contribuinte para me passarem facturas, agora o que me incomoda é fazerem a alteração e ter de sair do meu bolso.
Ainda não foi à muito tempo que gastei uma pipa de massa para renovar os documentos e quase logo de seguida alterar a morada. Isto x 3.
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De Fernando Caeiro a 09.05.2016 às 15:22

Eu não comento a forma e o timming de fazer a alteração; não me parece que seja uma urgência tamanha que fosse preciso irmos todos a correr a trocar o cartão.
Mas se de cada vez que alguém o renova se introduzisse a mudança (aliás como se fez da passagem do BI para o CC) daqui a uns tempos estavam todos "actualizados" sem que isso representasse um custo adicional para ninguém.
E olha que lá em casa seria x6; só a a cadela é que não tem CC ;-)

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