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Por causa de um artigo recente sobre uma polémica envolvendo o filme O Último Tango em Paris, dei por mim à procura de notícias sobre o saxofonista Gato Barbieri.

Fiquei a saber que foi mais um dos que morreu neste ano tramado de 2016 sem que, aparentemente, tenha sequer chegado a ser notícia.

Tive o enorme privilégio de o ver ao vivo há 15 anos num concerto inesquecível no Tivoli, e deixo-vos com uma história deliciosa dessa atuação.

Para que lhe fiquem a conhecer o nervo e o (mau) feitio...

 

Nos intervalos das músicas ele gostava de contar umas histórias e, habituado que estava aos palcos do mundo, fazia-o em inglês.

Mas estando a tocar em Lisboa, alguém bem intencionado da plateia decidiu interrompê-lo para lhe dizer que podia falar espanhol. Sendo ele argentino, podia não saber que por cá nos desenrascamos todos mais-ou-menos com o castelhano.

Ele torceu o nariz, fez uma cara séria de quem não gosta de receber conselhos, e continuou a falar inglês.

No intervalo seguinte voltou a falar em inglês e a pessoa bem intencionada da plateia, julgando que ele não tinha percebido e pensando estar a ajudá-lo, voltou a dizer-lhe que podia falar espanhol porque nós compreendíamos.

À segunda o Gato Barbieri amuou, parou de falar, deu uns passos atrás e arrancou com mais uma música.

Minutos depois, a meio de um solo tremendo parou de tocar, dirigiu-se ao microfone, apontou para o seu saxofone dourado e perguntou em espanhol:

- Quieres que toque en otro idioma?

 

A plateia irrompeu numa loucura de gritos e aplausos – era o Gato na sua melhor forma!

 

Uns dias antes, quando estava comprar o meu bilhete, a senhora da bilheteira disse-me que lamentava mas já só tinha lugares na primeira fila - as pessoas não costumam gostar de ficar tão próximo - explicou-me.

Mal sabia ela que era mesmo na primeira fila que eu queria ver o Gato Barbieri.

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publicado às 16:12


2 comentários

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De Kok a 12.12.2016 às 21:13

Nunca estamos livres de aparecer em cena um papagaio que se acha no direito de ir mais "além da chinela".
Infelizmente não tive o prazer de assisti ao concerto que referes.
Felizmente que o YouTube existe!

Akele abraço pah!
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De Fernando Caeiro a 13.12.2016 às 10:40

Este sacana era um saxofonista tremendo e foi inovador o que na sua época já era muito complicado porque estava quase tudo inventado.
Era grande e tocou com os grandes do seu tempo.
Vale a pena investigá-lo :)

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