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Não sei se vocês acompanharam a entrega dos prémios Nobel mas aconteceu uma coisa tão improvável quanto bela.

A academia Sueca tinha convidado desde o início a Patti Smith para cantar uma canção na cerimónia; ela aceitou de imediato e ficou a pensar na sua canção que melhor se adequaria.

Depois de ser anunciado que o Bob Dylan tinha ganho o Nobel da literatura, a boa da Patti decidiu que não cantaria uma canção sua mas faria antes uma versão de um tema do galardoado.

“A hard rain’s a-gonna fall” foi a canção escolhida e ensaiada para a ocasião.

Mas durante a interpretação do tema a Patti Smith teve uma branca e esqueceu-se da letra.

Foi constrangedor.

Ela parou de cantar e acabou por explicar que estava muitíssimo nervosa por estar a cantar ali naquela ocasião.

Uma artista que já atuou em todo o lado e perante milhões de pessoas consegue encarar mais uma canção como algo muito maior do que “apenas mais uma”.

Essa dedicação e essa humildade são, para mim, esmagadoras.

Eu só soube do acontecimento porque ela própria falou nisso na sua página de Facebook quando partilhou um maravilhoso artigo do The New Yorker a propósito da sua falha.

Também acho genial que ela faça a sua catarse de forma tão aberta e transparente.

Dias depois voltava a falar da sua falha ao partilhar um belo texto de uma das instrumentistas que estava na orquestra a 2 metros dela.

Estou convencido de que milhões de pessoas só souberam da sua falha porque ela própria veio dizer que falhou.

A Patti Smith conseguiu transformar um falhanço num momento de superação e de humilde grandiosidade.

É (também) por isso que ela é uma das miúdas que eu amo.

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publicado às 18:44


4 comentários

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De Kok a 22.12.2016 às 21:13

As críticas depreciativas que ouvi e li a propósito da actuação de Patti Smith (no acto representativo de Dylan) foram daquelas que me fazem lembrar um mar agitado: provocaram-me vómitos.
Porque não perceberam o quanto importante para ela foi estar ali, por ela mesma mas também pelo poeta Dylan.
Só mesmo quem nunca actuou perante multidões é que não percebe a enorme diferença entre estar num palco imenso onde "somos nós mesmos" e uma sala onde "somos (também) o outro".
Akele abraço pah!
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De Fernando Caeiro a 23.12.2016 às 10:37

Felizmente não li nenhum comentário depreciativo; só li mesmo os artigos que linkei.
Melhor assim, só senti amor
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De Rita a 05.01.2017 às 17:38

Arranjar desculpas é fácil, saber assumir de forma natural as falhas, isso sim mede uma pessoa. Só subiu na minha consideração (e eu já a respeitava bastante).
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De simplesmente avô a 05.01.2017 às 19:51



Desconcertante simplicidade

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