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Eu tento ser militantemente do contra.

E como fã irredutível Monty Python, juro que tentei ficar do lado do Terry Gilliam no meio desta confusão toda.

Primeiro resisti à tentação de me indignar logo com as primeiras notícias incendiárias que falavam de um Convento de Cristo em Tomar “parcialmente destruído” (credo).

Depois esperei que surgissem mais notícias, imagens, justificações oficiais, enfim... mais fontes para poder saber melhor o que pensar sobre a polémica das filmagens em Tomar.

Ao fim de alguns dias a poeira foi assentando e o Convento de Cristo que tinha sido “parcialmente destruído” afinal parece que teve como danos (a fazer fé nas notícias mais recentes) 6 telhas partidas e 4 fragmentos de pedra danificados o que corresponde a 2.900€ de danos que a produtora do filme irá pagar.

 

Parece que não foi grave, ou pelo menos não terá sido tão grave quanto inicialmente se supunha.

Falso.

É grave, é mesmo muito grave.

 

Pessoalmente acho óptimo que se arrende património para fins culturais (ou outros) como estratégia para o divulgar e/ou ajudar a rentabilizar.

Ainda recentemente o Museu dos Coches foi utilizado durante o 1º Salão Internacional do Veículo Elétrico, Híbrido e da Mobilidade Inteligente , juntando no mesmo espaço os coches centenários e os veículos do futuro amigos do ambiente, sem colocar em risco físico o património existente – é um exemplo de uma boa ideia que promove o nosso património e assegura receitas extra para o museu em causa.

 

Mas aquilo que aconteceu em Tomar ultrapassa tudo aquilo que seria recomendável.

Em primeiro lugar, e reconhecendo a minha ignorância na matéria, não percebo como é que em 2017 é preciso fazer de facto uma fogueira de 20 metros para filmar uma fogueira de 20 metros – estava convencido que os efeitos especiais no cinema estavam um bocadinho mais avançados do que isso e se podiam simular factos e acontecimentos sem ter que os reprodizir à escala real - à partida o recurso a maquetes e a meios digitais permite isso com economia de custos e de riscos.

Permitir que se faça uma fogueira com 20 metros de altura (a altura de um prédio de 6 andares) dentro dos claustros do convento, alimentada por 20(!) botijas de gás é uma perfeita aberração.

De pouco me interessa que digam que estavam presentes representantes dos bombeiros e a proteção civil – se as botijas explodissem o que faria essa gente para além de falecer com estrondo?

De pouco me interessa que digam de que havia um seguro de 2,5 milhões de euros – se houvesse uma explosão a seguradora construía um Convento de Cristo novo, a estrear, pelo valor de uma moradia no Restelo? Com uma Janela do Capítulo em pladour?

 

De todas as explicações que li, a mais fofa (chamemos-lhe assim) vem da representante da produtora. Diz Pandora da Cunha Telles que o facto de o monumento aparecer no filme “contribuirá, esperamos, para incrementar o interesse em Portugal, trazer mais turistas ao país”.

A ver se entendo...

O filme chama-se “O homem que matou Dom Quixote” e a fogueira da polémica evoca (nas palavras do realizador) as festas populares de Las Fallas em Valência.

Portanto a senhora Pandora acha que as pessoas vão ver um filme sobre a mais importante personagem da literatura Espanhola onde há uma cena que evoca uma festa popular de uma cidade Espanhola e vão dizer: “- Ai pá, temos que ir a Portugal, caraças”  (e dizem isto nas suas línguas maternas).

Ó Pandora, ou distribuem um flyer com uma ficha técnica onde explicam a localização de todos os pontos de filmagem (e obrigam o público a lê-la), ou então provavelmente a exibição do filme vai contribuir tanto para a promoção de Portugal como da Nova Zelândia ou do Cazaquistão.

 

Agora a sério, ainda bem que tudo acabou sem danos irreparáveis.

Mas entre outros fins relevantes, eu também pago impostos para que o património seja preservado e salvaguardado, e para que as pessoas que sofrem de distúrbios mentais mais ou menos graves tenham o devido acompanhamento médico se for caso disso.

A verdade é que todas as reações oficiais até ao momento roçam o anedótico.

Bom, pelo menos nisso são dignas de um filme dos Monty Python.

 

 

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publicado às 23:17

Esta semana fomos todos confrontados com a divulgação de um vídeo (por parte do Correio da Manhã) onde se vê uma jovem a ser agredida sexualmente num autocarro enquanto o resto dos passageiros se ri e incentiva o agressor.

Perante tamanha violência, confesso que me apeteceu comprar umas caixas de acendalhas e reservar o Terreiro do Paço para uns autos de fé onde caberiam o agressor, muitos dos passageiros bem como os responsáveis pelo pasquim.

Contive-me muito para não escrever sobre o assunto e ainda bem que o fiz – não há nada como conter o primeiro impulso incendiário e deixar assentar alguma poeira para depois conseguir refletir com um pouco mais de frieza (ou lucidez) sobre o assunto.

E como tantas vezes acontece quando me ponho a pensar nas coisas, acabo com muito mais dúvidas do que certezas.

 

As poucas certezas que tenho são as de que o agressor é uma besta e um predador, os amiguinhos não são melhores do que ele e o Correio da Manhã é um esgoto a céu aberto.

 

Ainda assim, há várias perversidades no meio disto tudo; vamos por partes...

 

Estou convencido que é o vídeo que faz a notícia. Sem vídeo não havia indignação e tudo se resumiria a um não-acontecimento ou a uma pequena nota de rodapé fazendo alusão a um alegado abuso, uma alegada vítima e um alegado agressor; seria uma pequeníssima notícia canibalizada pelo frenesim das demais notícias do dia.

Mas por causa da existência e publicação do vídeo, aquela agressão transformou-se na notícia do dia provocando ondas de choque e indignação, mas também de reflexão e de tomada de consciência do muito que temos que fazer se quisermos caminhar para uma sociedade que se pretende civilizada (o que é sempre benéfico).

Experimentem a googlar  “jovem violada” para verem quantas dezenas ou centenas de violações (bem mais graves) foram apenas notas-de-rodapé nos media sem terem gerado esta onda de reações...

Por outras palavras, o problema para mim pode nem estar tanto na divulgação do vídeo (no seu site o CM distorceu as imagens a ponto de ser impossível identificar a vítima) mas sim na forma como é feito e no órgão onde é feito.

Se um meio de comunicação social de referencia tivesse divulgado o vídeo com as imagens distorcidas e uma nota do conselho de redação a explicar que o faziam não pelo exibicionismo grotesco mas antes como forma de alerta contra todo e qualquer abuso sexual e para que se promova uma discussão sobre o nosso papel enquanto sociedade na luta contra este tipo de abusos, talvez o efeito não fosse tão perverso.

Mas ser o Correio da Manhã a fazê-lo com o teaser “VEJA O VÍDEO” muda tudo.

A perversidade é precisamente essa: a publicação por parte do CM é apenas um nojo, mas sem isso não estaríamos a falar na urgência de combater a violência sexual, o preconceito de género e a objetificação da mulher.

 

O drama da vítima é o mais importante no meio disto tudo e também não sei se esta onda de indignação (ou de solidariedade e compaixão pelo que lhe aconteceu) a ajuda muito.

O crime terá ocorrido há uns dias e, pelo que sabemos, não foi feita nenhuma queixa.

Mas a partir do momento em que outras organizações pegam neste caso concreto e procuram que as autoridades atuem, será que estão a agir de acordo com a vontade da vítima?

Até pode ser que a vítima não tenha tido inicialmente coragem para formalizar uma queixa e pode ser que esta onda de solidariedade lhe dê a força e o apoio de que precisa para o fazer.

Mas também pode acontecer que a vítima prefira tentar esquecer o que aconteceu (o que também seria legítimo) e se calhar estamos todos a meter-nos na vida dela e a tentar empurrá-la para um processo que ela pode não querer assumir.

Aparentemente a PJ está a tratar o caso como crime semi-público pelo que depende de queixa da vítima.

Mas se condicionarmos a vítima para avançar com um processo crime que a levasse a depor e a dar a cara publicamente, não estaremos a agredi-la novamente?

Não se estará a forçar a vítima a uma exposição acrescida e a uma nova humilhação que ela pode estar a tentar evitar a todo o custo?

Só a vítima o sabe e da vontade dela pouco sabemos o que torna tudo isto ainda mais perverso.

 

A última perversidade advém do abuso de linguagem a que assisti nalguns posts e comentários (legitimamente) indignados em que se falava abertamente de violação.

Não, meter a mão dentro das calças da vítima não é uma violação.

O mal têm definições e graduações para que saibamos do que se está a falar.

Acontece o mesmo com os crimes.

Aquilo que aconteceu será um acto de violência sexual, uma agressão sexual, uma humilhação sexual (não faltarão adjectivos) e o facto de ter sido filmado e divulgado só agrava a situação.

Mas chamar-lhe violação é menosprezar, ainda que involuntariamente, o drama e a violência de que foram vítimas todas as mulheres que foram de facto violadas.

E isto não tem a ver com pôr paninhos quentes ou diminuir a gravidade dos factos – é apenas trata-los com um mínimo de rigor.

Nós não damos nomes aos actos (ou aos crimes) só porque eles nos chocam.

Uma agressão física, por grotesca e violenta que fosse, não passava a ser homicídio só porque nos indigna muito.

Há uns tempos uma cineasta francesa realizou uma curta-metragem, seguramente bem intencionada e com o intuito de alertar consciências para o problema das violações dentro do casal; mas para tornar o seu grito de alerta mais dramático, acaba por colocar praticamente no mesmo plano moral e ético a cena de violação (e brutal espancamento) do filme Irreversível e uma cena de sexo entre um casal de namorados em que ela não está com muita vontade, começa por dizer que não mas acaba por aceder.

Ela querer explicar que também existe violação dentro do casamento (e é claro que existe); mas ao filmá-la daquela forma trata a violação como se fosse apenas um contratempo, uma chatice, uma queca que não estava a apetecer mas que se acaba por deixar acontecer.

E esta leviandade de desvalorizar a violação parte muitas vezes das próprias mulheres; têm tanta vontade de se revoltar (legitimamente) contra a proliferação de agressões sexuais que exageram na adjectivação para provocar o choque e acentuar a gravidade do fenómeno.

E isso é perverso.

 

Faz um bocado lembrar as pessoas que se chocam tanto com atropelos aos direitos humanos que perdem a noção da realidade e desatam a comparar tudo ao holocausto.

Não, a guerra na Síria não é o holocausto. É horrível ver crianças a morrer em directo na TV, mas aquela monstruosidade não é o holocausto.

Não, meter a mão dentro das cuecas de uma miúda e apalpá-la não é uma violação. É horrível ver uma miúda indefesa a ser humilhada e abusada com uns palhaços a filmarem e grunhirem de entusiasmo, mas aquilo não é uma violação.

 

Senão, quando acontece de facto uma violação, chamamos-lhe o quê?

Como é que exageramos? Que nome damos?

 

Para acabar recomendo este vídeo.

Só porque sim. É raro ver um violador e uma vítima a darem a cara.

É preciso ter muita coragem para assumir que se sofreu uma violência do tamanho da violação, mas também é preciso coragem (ainda mais rara) para assumir que todos temos um lado negro que pode vir à superfície.

Vale a pena...

 

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publicado às 00:24

Podia parecer mal este ser o único blog de Portugal e arredores a não fazer um post sobre o Salvador Sobral por isso, cá vai.

 

Nota prévia: eu não gosto de unanimismos e unicidades – tenho alergia, dá-me urticária.

Posto isto, e perante o enervante entusiasmo em relação ao novo formato do nosso Festival da Canção, tratei de não lhe ligar pevide.

Nem o facto de também participar a Márcia (e eu sou Marciano, acreditem) me levou a ligar a tv naquela noite.

 

Depois ganhou o Salvador Sobral e o entusiasmo em relação à canção vencedora tornou-se insuportável.

Por essa razão, e porque eu não sou de embirrar sem conhecimento de causa, fui ver que fenómeno era esse que estava a criar tão enervante unanimidade.

Como bom velho dos Marretas, lá fui saber quem era o cantor para o poder deitar abaixo com propósito e maneiras.

Então mas não é que o Salvador Sobral é aquele concorrente do Ídolos de há uns anos?

Aquele da única edição que eu segui e que até era o concorrente com quem eu mais simpatizava?

Ora bolas, não vou conseguir embirrar com ele.

Canta lindamente, tem (muito) bom gosto musical e tem “sou uma joia de moço” escrito na testa; olha-se para ele e simpatiza-se logo.

 

Bom, mas um marreta não desiste – de certeza que consigo malhar no autor da canção que toda a gente estava a adorar.

Ah! Ca porra. É a Luísa Sobral que é irmã dele e eu não sabia.

Que chatice... eu era incapaz de embirrar com ela. Adoro-a.

Por acaso só tenho um disco dela e só a vi ao vivo uma vez mas tenho um fraquinho muito sério pela Luísa Sobral.

Gosto de rigorosamente tudo nela.

Da voz, das canções, da imagem, da intervenção cívica... aquele arzinho de fada a cantar com a harpa é, para mim, absolutamente irresistível.

Não és tu Joanna Newsom, é ela...

 

Bom, mas se não consigo embirrar com o cantor nem com a compositora, ainda posso embirar com a canção.

Mesmo aquele duo pode ter um momento de desinspiração e, sendo o Festival da Canção, de certeza que a canção é manhosa.

Ehhh... Não!

Irra que a canção é belíssima e a letra é maravilhosa.

Como é que uma balada tão suave e apenas sussurrada consegue entrar no ouvido a ponto de eu a assobiar quando estou a pôr a loiça na máquina ao fim da primeira audição?!?!

Ó pá, acreditem que eu tentei manter-me à margem daquilo, fiz de conta que não sabia o que era, e quando fui ver fui munido de uma vontade inabalável de dizer mal e de deitar abaixo só para ser do contra.

A verdade é que não consegui

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Os manos Sobral não me deixaram ser marreta.

Só por causa disso fico a odiá-los um bocadinho...

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publicado às 20:00

Joana_Vasconcelos-Bullying-2.jpg

O discurso do ódio faz-me sempre muita confusão.

E faz mais ainda quando é dirigido contra pessoas que, objectivamente, não interferem ou não prejudicam diretamente as nossas vidas – é o caso dos artistas.

Eu percebo que se deteste um político e se faça gala nisso porque ele mexe com as nossas opções e o nosso modo de vida. Em todo o mundo há quem deteste o Trump ou o Putin da mesma forma que há quem tenha detestado (ou ainda deteste) o Obama ou o Gorbachev.

Mas não percebo que se odeie um artista plástico ou um actor ou um músico cuja obra seria sempre tão fácil de ignorar, e deixar os sentimentos mais intensos e a indignação para combates que valham a pena.

Ainda por cima a sociedade costuma comportar-se em matilha – quando um ataca, surge logo uma turba de gente odiar e banquetear-se no fel.

Vem isto a propósito da mais recente onda de indignação contra a Joana Vasconcelos por causa da inauguração de uma obra sua no Santuário de Fátima.

É perfeitamente legítimo que não se goste da obra “Suspensão” e também é legítimo que não goste dela enquanto artista.

Mas algo completamente diferente é atacar uma pessoa por causa de uma característica pessoal (neste caso física) que nada tem a ver com a sua obra.

Pode não se gostar da obra da Joana Vasconcelos ou das opções políticas do António Costa ou das piadas do Eddie Murphy ou dos sketches do Monchique ou das trivelas do Quaresma ou dos quadros da Frida Kahlo.

Mas eles nunca poderão ser a gorda, o monhé, o preto, o paneleiro, o cigano ou a coxa com buço.

Isso não é ser crítico, é só ser uma besta, é só ser preconceituoso.

Não dá para achar indecente que o Trump tenha gozado com um jornalista deficiente e depois vir chamar publicamente gorda à Joana Vasconcelos.

Provavelmente as pessoas que enchem as redes sociais com ataques à “gorda” julgam-se incapazes de um ataque racista contra o Obama e nem chegam a perceber que estão no mesmíssimo patamar de incivilidade.

Aliás, muitos dos que se divertem a chamar gorda à Joana Vasconcelos ficariam provavelmente indignados se vissem um bando de miúdos a gozar com uma qualquer Joaninha Vasconcelos gorda de 8 ou 10 anos.

Acredito que muitos dos que se dedicam ao cyberbullying contra a Joana Vasconcelos ficam muito impressionados quando um caso de cyberbulling acaba mal e aparece nas notícias.

Julgar negativamente uma obra é um exercício de crítica mas atacar pessoalmente o artista é um exercício de violência gratuita.

É odiar a pessoa e não acrescentar nada.

É uma merda.

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publicado às 18:09

Fomos ver a exposição “Tutankamon – Tesouros do Egito” que desde Janeiro está no Pavilhão de Portugal em Lisboa.

É certo que valeu a pena – eu gostei e os meus filhos adoraram.

Mas ainda assim não consigo deixar de pensar em algumas coisas que vi e que me incomodam.

Muito.

 

A TRETA DOS “BILHETES FAMÍLIA

Já não tenho pachorra para os supostos “bilhetes de família” que na prática não o são. A verdade é que a minha família não podia entrar na exposição com o tal “bilhete de família”.

Se eu tivesse ido à exposição com 3 filhos de amigos meus (que não são família) podia entrar com o tal “bilhete família”; mas com os meus filhos não posso – são 4, já não dá.

Mesmo assim a existência do bilhete família vale a pena? Sim, é melhor do que nada.

A soma de 6 bilhetes avulsos custaria 54€ e com um “bilhete família” mais um bilhete individual para a 4ª filha pagámos 38€ - para este escalão de preços, 16€ é um bom desconto.

Mas esmagadora maioria das famílias tem 1 ou 2 filhos; não é seguramente a minha quarta filha que vai causar prejuízo ao organizador do evento.

 

(Nota: a próxima exposição que queremos muito ver é a “Cosmos Discovery” e nessa o “bilhete família” é realmente válido para toda a família. Uma família são os pais e os seus filhos – ponto!)

 

A FALTA DE BRIO E DE CUIDADO

Já que estamos a falar de dinheiro, acho natural que quem paga exija ter acesso a uma exposição bem montada, iluminada e contextualizada.

Os objetos em si eram bons – boas réplicas com toda a imponência para deixarem miúdos e graúdos de queixo caído.

E a forma como estava organizada era interessante porque partia da reprodução das várias ante câmaras para a sua decomposição por peças; permitia partir do quadro geral para o particular e um bom relacionamento com a localização original de cada uma das peças.

 

Mas o espólio foi (muito) maltratado pelo organizador.

 

A exposição começa com a exibição de um filme velho que, pela legendagem, parece ter sido feito há mais de 50 anos. O filme em si acrescenta valor e foi bom vê-lo; mas será que nestas últimas décadas não se fez mais nada ou não se podia apresentar material mais recente e apelativo?

Qualquer documentário normalíssimo, daqueles que passam no Canal História ou no National Geographic, é incomparavelmente melhor.

Uma exposição desta dimensão merecia que aquele filme fosse misturado com conteúdos mais modernos, a cores, com gráficos, reproduções 3D, e todas as ferramentas que se usam atualmente neste tipo de eventos.

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Durante a exposição viam-se muitas peças sem nenhuma legenda ou contexto (aliás, para nos habituarmos desde o início, a exposição começa precisamente com umas fotos e uma estátua sem nenhuma placa indicativa).

Muitos dos placards eram de difícil leitura e faziam reflexo com a iluminação o que obrigava os visitantes a mudar de ângulo várias vezes para ler 4 ou 5 linhas de texto.

Chegámos a encontrar uma placa com um erro ortográfico e algumas das traduções do Inglês para Português pareciam ter sido feitas por uma criança de 10 anos (ou então pelo tradutor do Google) com erros na construção das frases.

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Mau, muito mau.

E mesmo nas peças que estavam identificadas faltava muitas vezes a explicação da sua utilidade – faltava contexto.

Até as minhas filhas de 11 anos se queixavam da falta de informação.

 

Não sei se é absoluto amadorismo, se é mesmo falta de brio e de vontade, se é só especulação com a magia do Antigo Egipto.

Se calhar pensaram que o mundo dos Faraós já é tão apelativo que bastava chegar lá, montar a exposição sem cuidados especiais, espalhar peças em vitrines, passar um vídeo qualquer, fazer uma boa promoção nos media e já está.

Eles pagam e não se queixam.

Se calhar o promotor apostou no triste provérbio “para quem é, bacalhau basta”.

E se calhar saiu-se bem – talvez a exposição tenha sido um êxito de bilheteira e ele tenha ganho bom dinheiro com o evento (espero sinceramente que sim).

Mas muitas vezes não é por se fazerem as coisas bem feitas que isso custa mais dinheiro.

A civilização egípcia, os arqueólogos que fizeram aquelas descobertas e o público de Lisboa mereciam mais.

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publicado às 19:00

Há uns anos atrás, uma miúda não terá sido vacinada contra o sarampo por causa de uma “reação alérgica grave” que teve na altura.

Já esta semana, a mesma miúda foi internada no Hospital de Cascais por causa de uma mononucleose - uma doença frequente (atinge 50% das crianças até 5 anos) e geralmente sem consequências.

Durante o internamento em Cascais terá estado próximo de um bebé de 13 meses que também não estava vacinado contra o sarampo por causa de um atraso devido a “razões clínicas”.

Aparentemente, e apesar das opiniões que os pais possam ter sobre o assunto, em nenhum destes casos a não-vacinação terá ocorrido por mero capricho dos pais.

A merda é que a desgraçada da miúda, agora com 17 anos, morreu hoje.

Apesar daquilo que li no Público (e que aqui resumi) alguns meios de comunicação social têm divulgado notícias onde os pais são acusados de negligência e de não ter vacinado a criança por mera opção familiar – um capricho, leia-se.

E depois disso, já se sabe, abriu-se a torneira do fel e escorre ódio e ácido pelas paredes da net.

 

A primeira questão que se me levanta é a da obrigatoriedade (ou não) da vacinação.

Como a vacinação não é obrigatória, não-vacinar as crianças não é crime.

E se o legislador achar que faz sentido tornar a vacinação obrigatória, pois que o faça para clarificar a situação – a mim parece-me perfeitamente aceitável obrigar as crianças a seguirem o plano nacional de vacinação.

Todas as crianças têm que frequentar a escolaridade obrigatória e na altura das inscrições é sempre pedido o boletim de vacinas – será muito fácil ao Estado impor e fiscalizar essa obrigatoriedade.

 

Mas se é necessário clarificar leis e comportamentos e sensibilizar as pessoas e as comunidades, quando se chega à morte de uma miúda de 17 anos tudo isso passa para segundo plano.

 

Aquilo que me enoja neste momento é o ódio que está a ser descarregado contra uns pais que estão a viver a maior tragédia das suas vidas.

Se a jovem falhou a vacinação por opção dos pais ou por razões médicas, de pouco me importa neste momento; haverá seguramente um momento em que se poderão discutir responsabilidades e os pais terão que viver o resto das suas vidas com o peso daquilo que lhes aconteceu.

 

Nós adoramos odiar o ódio dos outros.

Mas agora que fomos chamados a ter compaixão, preferimos jorrar ódio e descarregar culpa sobre os que estão em maior sofrimento.

Meio país diverte-se a destilar ódio contra uma mãe e um pai que acabaram de perder a sua filha.

É grotesco.

É apenas grotesco.

O ódio mata (muito mais) do que o sarampo...

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publicado às 14:35

A base do negocio da máfia assenta na cobrança de dinheiro por um serviço inexistente que é inventado apenas para extorquir: os estabelecimentos comerciais que já existiam têm que pagar uma suposta taxa de segurança para poderem continuar a existir.

Mas na prática esse pagamento não corresponde a nenhum benefício ou serviço ou aumento de segurança – é apenas uma cobrança imposta pela força porque a entidade que cobra, a máfia, tem o poder de impor represálias a quem não pagar.

 

Para mim faz todo o sentido pagar pelos serviços que utilizo.

Faz sentido que pague (e bem) pelo estacionamento num parque subterrâneo ou num silo automóvel: alguém investiu (muito) para que aquela infraestrutura fosse criada e deve ser compensado por isso – é justo.

Da mesma forma, não me custa pagar para estacionar num local onde houve trabalho ou investimento por parte da concessionária seja no arranjo de passeios, na criação de mais lugares de parqueamento, maximização do espaço público, etc.

E faz todo o sentido que numa cidade existam zonas onde a ocupação do espaço público seja paga, nomeadamente nas mais centrais e/ou sobrecarregadas de comércio e serviços que atraem mais visitantes.

O facto de a EMEL cobrar pelo estacionamento nesses locais é uma forma de regular a utilização de um espaço que é de todos, precisamente para que possa ser usado por todos.

 

O problema é que a Câmara Municipal de Lisboa percebeu que tinha ali uma mina e podia impor a cobrança coerciva de taxas a quem não tem alternativa, mesmo em locais onde a EMEL não faz falta, não faz sentido, onde não há nada para regular e onde não presta nenhum serviço: os bairros residenciais.

 

Foi por isso sem grande espanto que um dia cheguei ao meu bairro e vi que tinham andado a pintar lugares de estacionamento no chão.

E isto do pintar é importante porque não fizeram nada para além de pintar marcas no chão: não melhoraram, não arranjaram, não adaptaram, não beneficiaram, não investiram, não criaram, não acrescentaram valor, nada; apenas marcaram o espaço público como propriedade sua.

Tal como um gang mafioso chega a um bairro e pinta uns graffitis para se mostrar como quem diz “isto agora é nosso”, a EMEL também ocupa ruas onde só estacionam moradores e pinta no chão as suas marcas do “isto agora é nosso”.

Os moradores destes bairros residenciais de Lisboa vão começar a pagar mais para usufruírem de um espaço que já era seu e pelo qual já pagavam através dos impostos.

 

Mas o serviço que supostamente lhes é prestado não presta.

Nas zonas não invadidas pela EMEL cada carro tem o seu tamanho: o SMART do vizinho solteiro ocupa 2 metros e picos, e o monovolume da família numerosa ocupa 5 metros; os carros colam-se uns aos outros, traseira com dianteira, porque todos os moradores querem rentabilizar o espaço para que caibam o maior número de carros.

Quando a EMEL entra em acção, essa solidariedade cívica é abolida e todos os carros passam a ocupar o mesmo espaço estandardizado; e com isso perdem-se naturalmente lugares de estacionamento.

Para além disso, nas zonas antigas e de passeios estreitos (como a minha) a colocação de parquímetros vai necessariamente condicionar a circulação de peões.

Tem um carrinho de bebé? Paciência. Passe pelo meio dos carros e vá com a criança para o meio da estrada que o passeio agora é propriedade da EMEL.

Por estas razões, entre outras, quando a EMEL ocupa um bairro residencial degrada as condições de vida dos habitantes - reduz o nº de lugares de estacionamento em locais onde eles já são escassos, prejudica a circulação e ainda cobra por isso.

Os moradores passam a pagar uma espécie de multa anual (como se morar em Lisboa e ter carro fosse uma infracção ao código da estrada) mas continuam a estacionar onde sempre estacionaram; tudo isto sem que sejam impostas à entidade que cobra nenhumas obrigações ou deveres para além do direito de extorquir dinheiro.

Convenhamos... mais mafioso do que isto é difícil.

 

Para tornar esta extorsão ainda mais requintada, nada como impor prazos.

No meu bairro o prazo para pagar a multa de residente já acabou, o dístico já foi enviado com a respectiva data de validade mas os parquímetros ainda não foram sequer colocados.

Conclusão: o dístico que foi pago para ter a duração de um ano só vai ter validade efectiva durante alguns (não sei quantos) meses.

Mas não faz mal; como o objectivo da medida é apenas cobrar sem prestar nenhum serviço, qualquer valor ou prazo é bom para a concessionária.

Nos negócios mafiosos é assim: é tudo lucro para quem tem a razão da força e o poder de exercer represálias.

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publicado às 18:05

Quando foi cancelada a conferencia do Prof. Jaime Nogueira Pinto, na Universidade Nova, fiquei indignado.

Jaime Nogueira Pinto é um homem superiormente culto e inteligente e eu gosto sempre de o ouvir - mesmo quando discordo (o que geralmente acontece).

Pareceu-me inaceitável que um professor universitário fosse impedido de falar numa universidade, que é suposto ser um local aberto à discussão e ao debate de ideias.

O caso tinha tudo para ser emblemático quanto ao espírito intolerante de uma certa esquerda radicalizada (representada pelos estudantes reunidos em RGA) e o professor assumidamente conotado com o salazarismo.

 

Mas depois começaram a chegar-nos algumas explicações, tanto do reitor como dos estudantes, que desde logo afirmaram que não existia nenhum problema com o orador convidado mas sim com a entidade organizadora do evento – uma associação chamada “Nova Portugalidade”.

Fui tentar perceber que problema poderia haver com esses organizadores

São uns moços que aparentemente se dedicam ao estudo da História e a partilhar as suas opiniões sobre aquilo que estudam – até aqui nada de estranho, até me pareceu louvável.

A História não é uma ciência exacta e permite várias análises sobre o mesmo acontecimento. Para mim que nunca gostei da unicidade, até acho refrescante que apareçam uns tipos conservadores educados e inteligentes a mostrar visões diferentes do mundo. Nem que seja para ouvir, pensar e, no fim, discordar – ganhamos sempre quando lemos ideias diferentes da nossa...

Não são as publicações onde se enaltece Trump ou Mariane Le Pen que me perturbam.

Nem a foto do presidente da associação de joelhos na campa de Salazar – é um garoto de 22 anos e os garotos são frequentemente parvos quando se armam em pavões para dar nas vistas e impressionar os outros.

 

O problema (para mim) acontece quando dou de caras com um post onde a Nova Portugalidade defende que essa coisa da inquisição foi muito empolada, que por exemplo em Goa até foram condenadas à fogueira “apenas 57 indivíduos” em 173 anos, e que o que há é “uma campanha difamatória que se tem empreendido contra Portugal e a sua obra imperial”.

Para os moços da Nova Portugalidade, a Inquisição “foi alvo constante da imaginação - isto é, da deturpação aberta, comprometida e malsã - da propaganda protestante”; no fundo a Inquisição é uma vítima: “o Santo Ofício fez-se alvo preferencial dos filósofos das Luzes”.

Quando se tenta relativizar algo como a Inquisição, chegamos ao patamar da absoluta insanidade e acabou-se a conversa.

 

Eu percebo que aquando do cancelamento da conferencia havia pouca informação sobre os acontecimentos. Eu próprio escrevi nessa noite, na minha página no facebook, “A merda do PREC que nunca mais acaba!”.

Mas não percebo que, passada uma semana e depois de se ouvirem as explicações e se saber quem são os organizadores, ainda haja comentadores indignados com o cancelamento do evento.

 

Felizmente não faltam sítios onde o Prof. Jaime Nogueira Pinto pode palestrar (desde logo a sede da Associação 25 de Abril) em eventos promovidos por gente menos malsã – digo eu.

 

Quanto aos que querem continuar a brincar à indignação e a considerar o cancelamento da conferência um caso inaceitável de censura, proponho um jogo: fazemos um auto-de fé e queimamos vivas essas pessoas.

Se no fim do auto de fé elas disserem que não foi assim tão desconfortável e que o Voltaire é que era um exagerado, então avançamos com o evento nos moldes inicialmente previstos.

Boa?

 

P.S. Eu sei que o Prof. Jaime Nogueira Pinto é uma figura conhecida e reconhecível. Mas basta olhar para o cartaz de promoção da conferência para se constactar o destaque dado ao nome da associação que organiza o evento e o destaque dado ao nome do orador (que nem sequer lá está).
Convenhamos que soa um bocadinho mais a propaganda do que a ciência...

 

Nova_Portugalidade-JNP.jpg

 

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publicado às 19:35

Nota prévia: não conheço pessoalmente o Ricardo Costa e tenho por ele alguma simpatia. Parece-me (ou parecia-me) um tipo interessante, boa onda, já me cruzei com ele em diversas ocasiões (exposições, concertos, etc.) e temos gostos em comum.

 

Eu sigo a página Os Truques da Imprensa Portuguesa e gosto.

Tenho as minhas reservas, como tenho em relação a tudo, mas gosto.

É evidente que terão as suas preferências mas já lhes li posts em que desmontavam ou denunciavam notícias falsas (ou manipuladas) e títulos abusivos sobre economia, política nacional e politica internacional, questões de saúde, discursos do Papa, polémicas do desporto, figuras do showbiz, publicidade encapuçada, abuso do clickbait, etc.

Não há tema que considerem menor; até sobre umas não-notícias de um suposto concursos de ruas bonitas se deram ao trabalho de escrever, só para desmontar um esquema manhoso com notícias inventadas para sacar likes e partilhas.

Parece-me que o que os move é sobretudo a exigência – querem ajudar a cultivar o espírito crítico entre os consumidores de notícias e mostrar que nem tudo o que lemos é exactamente aquilo que parece.

Se eles têm uma “agenda”, há alguém que não a tenha?

 

Qualquer jornalista digno desse nome ficaria feliz com o aparecimento de um projecto como este d’Os Truques da Imprensa Portuguesa porque cultivam a exigência e desmascaram alguns sensacionalismos e manipulações bem como partilhas sem critério nem consulta de fontes que minam a credibilidade do verdadeiro jornalismo.

Qualquer responsável por um projecto editorial sério ficaria também feliz por ver alguém a ser exigente com as publicações do “seu” jornal e a desmascarar de forma crítica a sua concorrência.

 

Aparentemente (e estranhamente) não é o caso de Ricardo Costa.

Ricardo Costa tem naturalmente o direito de não gostar da página dos Truques da Imprensa Portuguesa

Mas a forma como reagiu no twitter, colando-os a Donald Trump, a Steve Bannon ou ao Ku Klux Klan, com referências à inquisição, à PIDE ou à Stasi, enfim... revelam um homem que perdeu a cabeça mas também perdeu a educação, a decência, a medida das proporções e a mais pequena noção da realidade.

 

Há poucas semanas Ricardo Costa escreveu na sua coluna no Expresso que José Eduardo dos Santos tinha conseguido a paz e a democracia para Angola.

Ricardo Costa, jornalista e director-geral de informação do grupo Impresa, acha que um país sem eleições há décadas, sem televisão e sem jornais independentes e onde se pode ir preso por ler um livro é, de alguma forma, uma democracia.

Mas também acha que uma página de facebook que pede mais rigor à comunicação social, apresentando casos concretos de notícias duvidosas e as suas fontes (ou falta delas), é uma ameaça fascizóide.

Hum... eu acho que Ricardo Costa não está bem.

Pela simpatia que tenho por ele, espero que não seja grave.

Talvez sejam só gases...

Os traques da imprensa portuguesa.jpg

P.S. Quanto ao facto de Ricardo Costa usar, em tom de ameaça, informação pessoal entregue pelos próprios gestores da página a colaboradores seus sob promessa de sigilo, o comportamento é tão indigno de um jornalista que não me vou alongar para não acidificar o meu metabolismo...

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publicado às 18:45

Este é capaz de ser o meu provérbio favorito e vem a propósito de dois acontecimentos recentes.

Sim, Donald Trump tinha razão: passou-se “algo” com a Suécia.

Foi com a Suécia mas não foi na Suécia, foi no Irão.

A Suécia orgulha-se de ter o primeiro governo feminista do mundo mas quando em meados deste mês a Ministra do Comércio visitou o Irão, foi de cabecinha baixa e convenientemente coberta com o hijab - ela e a restante delegação de senhoritas muito feministas mas cheias de respeitinho.

Swedens-walk-of-shame.jpg

Apesar de as activistas Iranianas pedirem às dignatárias estrangeiras para não se sujeitarem a esta humilhação e apoiarem os esforços das mulheres Iranianas a mudar as mentalidades do seu País, as auto proclamadas feministas suecas marimbaram-se para a sua própria dignidade e fizeram o frete às autoridades Iranianas.

Depois de Michelle Obama ter dado nas vistas por ter ido em visita oficial à Arábia Saudita (o mais conservador dos países islâmicos) e se ter portado como uma mulher, ficámos a saber que no passado até a Laura Bush (que supostamente é conservadora) foi de cabeça descoberta. E a lista inclui a Hilary Clinton, a Condoleza Rice ou a Ministra da Defesa Alemã.

Não consigo imaginar o que terá levado uma delegação Sueca de mulheres a sujeitar-se a este walk of shame, ainda por cima quando se afirmam feministas.

 

Hoje ficámos a saber que a candidata às presidenciais em França, Marine Le Pen, está de visita ao Líbano e recusou-se a usar o véu.

Encontrou-se com quem a quis receber nestas condições, incluindo vários líderes religiosos.

Entretanto o Grande Mufti de Beirute fez saber que um encontro entre os dois implicaria essa “condição" (o uso obrigatório do véu) e a candidata “pediu para transmitirem ao Grande Mufti os seus respeitos.

E o encontro foi cancelado.

 

Estranho mundo este onde uma francesa apelidada de "extrema direita" dá lições de moral e de dignidade a umas suecas apelidadas de feministas.

Nunca imaginei que um dia escreveria umas linhas elogiosas para um membro da família Le Pen. Aconteceu hoje...

Bom, e agora se não se importam vou mandar um mail à NASA a perguntar se precisam de voluntários para expedições espaciais prolongadas - este planeta está a ficar demasiado estranho...

 

P.S.

Perdon my french... mas espero que a delegação das feministas suecas tenha feito bons negócios e assinado bons contratos com esta visita de Estado - é que não há nada mais triste do que uma puta barata.

 

À parte disso, enquanto escrevia isto apaixonei-me por esta miúda...

 

 

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publicado às 18:35


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