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Desta vez não me apeteceu ficar quieto.

Há uns dias vi um vídeo que me comoveu: era a apresentação do projeto Las batas más fuertes da revista espanhola Panenka.

Resumidamente, eles pegam em camisolas de futebol e transformam-nas em batas hospitalares para crianças internadas – nada mais simples, mas ao mesmo tempo nada mais impactante para uma criança - achei genial.

Vi, cliquei no like, mas fiquei a pensar... e se em vez de me ficar pelo like ou pela partilha, tentasse reproduzir esta ideia em Portugal?

Passei estes dias com a cabeça a fervilhar...

Primeiro criei um projeto gráfico para sustentar a iniciativa, e depois contactei os promotores da ideia original em Espanha para os informar do meu interesse em replicar o conceito, e para pedir autorização para traduzir, legendar e adaptar o seu vídeo – o que foi aceite.

Com o trabalho de casa feito, pedi aos amigos para que me conseguissem encontrar os contactos das pessoas que, dentro dos clubes e da Federação, estivessem perto de lugares de decisão. Queria evitar estar a enviar e-mails para as caixas do "geral@..." sob pena de andar ali às voltas sem rumo ou de ir parar a uma qualquer caixa de spam.

Os e-mails com o pdf da apresentação do projecto e o link do vídeo já seguiram para os destinatários certos, e como a iniciativa é boa e solidária, a adesão tem sido entusiasmante.

Na próxima semana já tenho agendada uma reunião com o presidente da Fundação de um dos “Grandes” e aguardo ansiosamente por respostas ou desenvolvimentos dos outros parceiros.

Para além disso tudo, ando feliz por ter quebrado a barreira da indiferença, por ter arregaçado as mangas e ter começado a “fazer alguma coisa”.

Não sei como isto vai acabar, mas sei que posso ter ajudado a começar algo.

Ser ativamente solidário é um pouco como quando começamos a fazer algum desporto; só o facto de abandonarmos o sedentarismo já é uma vitória pessoal.

Se quiserem ajudar a divulgar esta ideia, podem sempre partilhar o link do vídeo do youtube - quanto mais viral se tornar, mais fácil será persuadir parceiros e/ou patrocinadores a abraçarem esta ideia.

E se quiserem aceder à apresentaçáo do projecto, está aqui: Esta Bata Tem Poderes.pdf

Não é para me gabar, mas acho que ficou linda...

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publicado às 09:49

Vara.jpg

A verdade é que algo no sistema falhou no caso do Armando Vara.

Não era suposto ele ser preso.

Quando o poder político cria as leis fá-lo naturalmente com o objectivo de servir certos interesses: umas vezes as leis servem os interesses da comunidade, outras vezes as leis servem os interesses de pequenos grupos que têm o (enorme) poder de influenciar a feitura das leis.

Uma coisa é certa: ninguém quer ser preso.

É por isso natural que o poder político faça leis que, na prática, quase impedem os políticos (e os seus amigos) de chegarem a ser presos – é o caso manifesto da lei que prevê as prescrições dos crimes.

A prescrição de crimes é uma ferramenta utilizada pelo poder político para assegurar que as elites (que têm poder político ou económico) dificilmente venham a cumprir penas pelos crimes que eventualmente cometam.

É claro que as leis são gerais e abstratas e a prescrição se aplica, em teoria, a todos os crimes e a todos os arguidos. A questão é que a maior parte dos criminosos não tem meios para pagar os bons advogados, os incidentes processuais e os recursos para tribunais superiores que depois, com o passar do tempo, asseguram a prescrição dos seus crimes – isto é, a maior parte dos criminosos não tem dinheiro para comprar a sua impunidade.

Sendo assim, a figura jurídica da prescrição de crimes aplica-se quase exclusivamente à elite política e financeira do País.

Quando estoirou o “caso BCP” já se sabia que Jardim Gonçalves sairia incólume porque tudo acabaria por prescrever, como veio a suceder.

Oliveira e Costa já foi condenado a 27 anos de prisão mas continua em liberdade e todos sabemos que dificilmente irá preso. Não lhe faltam recursos financeiros para interpor recursos judiciais e, com 83 anos, daqui a uns tempos pode sempre alegar que está velho e doente.

E se alguém se desse à maçada de fazer uma sondagem sobre o que os portugueses acham que vai acontecer a Ricardo Salgado, a maioria (senão a totalidade) responderia que não vai acontecer nada. Não se trata de tentar antecipar se cometeu ou não algum crime e se será ou não condenado; trata-se da certeza de saber que, mesmo que os tenha cometido e que seja condenado nas primeiras instâncias, nunca pagará de facto por eles.

É por isso natural que Armando Vara esteja indignado. Ele foi ministro e banqueiro, tem um currículo que à partida o tornaria intocável perante os tribunais portugueses.

O sistema foi criado para assegurar que pessoas como ele não iriam presas e, aparentemente, o sistema falhou.

 

Neste sentido a sua detenção chega a ser perversa porque acaba por branquear o funcionamento da justiça e a razoabilidade da lei das prescrições.

Armando Vara é uma espécie de mula para o poder político e financeiro de Portugal.

Por vezes os traficantes sacrificam um pequeno correio de droga para distraírem as autoridades e facilitarem a passagem de um carregamento maior noutro local.

Apesar de o seu caso ser uma excepção, Armando Vara será usado como um “exemplo” do suposto funcionamento de uma justiça cega que afinal até prende os poderosos, assegurando que a lei das prescrições continua a garantir a impunidade de (quase) todos os outros.

Agora o povo está entretido a falar da prisão do Vara e até dorme mais descansado e confiante.

Enquanto isso, outros crimes de gente mais poderosa e influente prescrevem discretamente nas gavetas dos tribunais.

 

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publicado às 20:00

belenenses-sporting.png

O meu tio Vinício, o meu tio favorito, era do Belenenses.

E durante anos tínhamos o ritual de ligar um ao outro quando jogávamos: se o Sporting ganhasse ligava eu e se o Belenenses ganhava ligava ele.

Como é natural nestas coisas dos miúdos a (minha) imaturidade era grande e parva. Eu ligava para gozar com o meu tio mas ele ligava para brincar comigo – sabia bem que havia coisas muito mais importantes do que a clubite...

Como ele era de Évora nunca chegámos a ir ver juntos um jogo entre o Belenenses e o Sporting - isso sim é coisa para se lamentar - e desde que ele morreu há mais de 20 anos que gosto de ganhar ao Belém mas sem alarido.

Se hoje o meu tio Vinício fosse vivo e o meu Sporting desse uma cabazada ao seu Belenenses, havia de me custar um pouco. E ligava-lhe para lamentar o mau jogo da sua equipa e lhe dizer que gosto muito dele.

Felizmente não foi o que aconteceu ontem - o Belenenses anda a espalhar charme pelas distritais, arrastando uma massa associativa exemplar e apostado em recuperar o orgulho, a mística e subindo degrau a degrau até regressar ao seu lugar junto dos grandes.

A equipa a quem o Sporting ontem ganhou 8-1 é apenas uma não-sei-quê SAD, uma empresa unipessoal, sem mística nem adeptos e que se podia chamar Rui Pedro SAD em homenagem ao umbigo do homem que criou aquilo.

Ontem eu não teria ligado ao meu tio Vinício pelo simples facto de que ontem o seu Belenenses não esteve naquele campo.

Talvez por isso, e salvaguardando o respeito pelos atletas, ontem até me soube bem ganhar 8-1 àquele híbrido do futebol português.

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publicado às 13:00

Completaram-se 25 anos sobre a morte do Senna e meio mundo recordou o campeão pelas suas vitórias, voltas mais rápidas e records.

Mas como eu sou do contra vou recordá-lo por um momento em que ele teve um acidente caricato, não venceu, e por causa dessa sua decisão fez felizes milhões de pessoas (incluindo este vosso escriba).

Corria o ano de 1988 e, para os tifosi, estava a ser (mais) uma época miserável: em 11 corridas disputadas tínhamos 11 vitórias da McLaren, e como se não bastasse em meados de Agosto morria o comendador Enzo Ferrari.

Dias depois disputava-se em Monza um dos mais emocionais GP de Itália de sempre com os tifosi ainda a chorarem a morte do fundador da “sua” equipa.

O Ayrton Senna estava a dominar o campeonato com 9 poles, 7 vitórias e 2 segundos lugares em 11 corridas, e em Monza assinou a 10ª pole position da temporada.

Senna saiu da pole, o seu colega Alain Prost tinha desistido e atrás dele rolavam os Ferraris do Gerhard Berger e do Michelle Alboreto – a corrida estava perfeitamente controlada.

Tudo isto até faltarem 2 voltas para o fim, altura em que o Senna tentou dobrar o J.L. Schlesser, os carros tocaram-se e pouco depois passaram os Ferraris que completariam as 2 voltas que faltavam perante uma das maiores manifestações de histeria colectiva da história da Fórmula 1.

A Ferrari faria uma mais do que improvável dobradinha em casa, em Monza, poucos dias depois da morte do seu fundador (foi aliás o único GP desse ano que a McLaren não venceu).

Para a história ficou o “erro” de Senna que tentou dobrar um corredor atrasado numa chicane apertada não lhe deixando espaço (o pobre do Schlesser chegou a bloquear as rodas e ir para a terra para deixar passar o Senna mas mesmo assim não conseguiu evitar o embate como se pode ver aqui).

Mas essa é a versão oficial - não é a minha.

Ao longo do tempo fui-me convencendo que o acidente foi propositado e hoje estou absolutamente convencido que Senna não errou; pelo contrário, provocou deliberadamente o acidente num local onde, pela velocidade mais reduzida, o toque não teria riscos para os pilotos.

Hoje acho genuinamente que, depois da desistência do Prost e sabendo que tinha os dois Ferraris atrás de si, o Senna quis oferecer aquela dobradinha à Ferrari em Monza dias depois da morte do Enzo Ferrari.

Tudo o que precisava era de uma forma moralmente aceitável para desistir, e aquele acidente caricato deu-lhe a oportunidade para ser magnânimo e dar essa suprema alegria a nós (os tifosi) e aos carros vermelhos que sempre disse que um dia gostaria de pilotar.

O Senna não foi o maior apenas pelas suas vitórias mas também pelos riscos e sacrifícios que fez pelos seus colegas. Este exemplo de que vos dei conta pode não constar nos livros de história da F1, se calhar sou só eu a romantizar, mas está gravado mo meu coração.

Berger-Monza-1988.jpg

 

P.S. Felizmente aqueles pontos não lhe fizeram falta e 2 meses mais tarde Senna venceu o seu primeiro Campeonato do Mundo de F1.

 

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publicado às 12:20

thumbs.web.sapo.io.jpg

No passado dia 30 de Março aconteceu algo de histórico: o primeiro Sporting-Benfica em futebol feminino.

Muita gente deu conta do acontecimento porque o jogo, sendo solidário e tendo como objectivo recolher fundos para ajudar Moçambique, teve direito a uma boa promoção e a transmissão televisiva.

O resultado desta operação de promoção resultou num record de assistência: mais de 15.000 pessoas para assistirem a um jogo de futebol feminino.

Lá de casa fomos todos os 6, o preço dos bilhetes permitia-o, e nas bancadas o ambiente foi fantástico com famílias inteiras a viverem lado a lado a sua paixão pelo seu clube, sem receios nem animosidades.

E se é evidente que no desporto a este nível todos querem ganhar, tratava-se de um jogo amigável que era também uma enorme festa para o futebol feminino: aquelas atletas nunca tinham jogado num estádio com as bancadas tão compostas, com um ambiente de derby a sério e com direito a “directo” na TVI – era uma oportunidade rara para todas elas.

Mas é preciso dizer que os Clubes não tiveram a mesma visão de generosidade e de grandeza, e é com enorme orgulho que sinto que o meu Sporting ganhou em todos os capítulos: o desportivo e o moral.

Ao intervalo o Sporting fez 3 substituições tendo trocado de guarda-redes e saído a melhor jogadora da 1ª parte (Ana Borges). A meio da 2ª parte o Sporting fez mais 4 substituições de uma assentada permitindo que todas as jogadoras do banco vivessem aquele dia tão especial para a modalidade à qual dedicam as suas vidas.

O Sporting tinha feito 7 substituições e o Benfica nenhuma (acabou depois por fazer uma substituição já depois do penalti e mais duas no minuto '90).

O Sporting quis fazer do jogo uma festa do futebol feminino e oferecer um dia especial às suas jogadoras enquanto o Benfica quis ganhar de qualquer maneira mesmo que isso significasse privar as suas atletas da experiência de pisar aquele palco.

Todos sabemos que quando se fazem muitas substituições a equipa arrisca-se a ficar menos coesa, mais desligada entre si, mas também por termos assumido correr esse risco (em benefício da festa e das nossas jogadoras) soube ainda melhor ganhar o jogo.

O Sporting foi generoso e ganhou, o Benfica foi egoista e perdeu.

Fiz questão de explicar esse “pequeno” detalhe aos meus filhos.

No fim do jogo as taças entregues a cada equipa tinham o mesmo tamanho e nem sequer foi anunciado um “vencedor”: o apresentador limitou-se a anunciar a entrega do troféu ao Benfica e depois ao Sporting sem referencias ao resultado final, e a fotografia para a posteridade tem as jogadoras misturadas num ambiente de são convívio.

Para resumir diria que foi uma tarde especialmente bonita porque os 3 grandes de Lisboa se uniram por uma causa solidária (o Belenenses ofereceu o estádio) o futebol feminino deu mais um passo rumo à sua afirmação como desporto de massas e os meus filhos puderam assistir a um Sporting-Benfica num ambiente de rivalidade saudável e amistosa.

E no fim o Sporting ganhou tanto no desporto como na ética.

Que grande lição para os meus filhos...

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publicado às 17:52

Tal como meio mundo tuga, ontem andei a validar facturas.

E é sempre uma angustia, enquanto pai e enquanto cidadão, constatar que o Estado não se dá à maçada de distinguir aquilo que é mero consumo, muitas vezes supérfluo, daquilo que é o apoio à saúde e ao bem-estar de uma família.

Compete ao Estado sinalizar, diferenciando, quais são as suas prioridades e é por isso que, por exemplo, existem taxas de IVA reduzidas para alguns produtos.

Mas na hora de contabilizar os gastos para efeitos das deduções do agregado familiar, as facturas das despesas com a prática desportiva vão para o mesmíssimo saco genérico de OUTROS, para onde vão as garrafas de gin as camisolas de marca ou um qualquer gadget da moda.

Não fazendo uma discriminação positiva das práticas que deviam ser valorizadas, o Estado diz-nos que tanto se lhe dá que o pai ponha o filho na natação ou, com esse dinheiro, beba duas garrafas de whisky por mês.

Nota: eu sou um liberalão e a vida das pessoas não me interessa – dentro dos limites da lei cada um faz o que lhe apetecer e ninguém tem nada a ver com o assunto.

Mas uma coisa são os hábitos de cada um e outra coisa é a forma como o Estado, através dos impostos e suas deduções, valoriza ou desvaloriza o consumo de certos bens.

Como é evidente, a prática desportiva das crianças corresponde a um sacrifício financeiro maior ainda nas famílias numerosas e ver o Estado a desvalorizar essa preocupação e esse esforço provoca uma enorme sensação de injustiça.

Essa indiferença do Estado é especialmente confrangedora porque o desporto torna as crianças mais saudáveis e felizes pelo que o dinheiro que o Estado investisse a mais nessas deduções era dinheiro que depois poupava na Saúde.

Não sei se fará muito sentido que para o Estado a factura da ginástica dos filhos tenha o mesmo tratamento de um almoço de junk food...

 

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publicado às 17:04

Quando o Paulo Portas ainda era “apenas” o Diretor do Independente, o meu tio Jorge que é comunista (acontece nas melhores famílias) dizia-me a brincar que o achava potencialmente perigoso. E justificava-se: para o meu tio Jorge o Paulo Portas era um homem muito inteligente, e para ele não havia nada mais “perigoso” do que um tipo que fosse simultaneamente de direita e muito inteligente.

E eu, que simpatizava com aquele Paulo Portas, retive esse misto de admiração e respeito que é saudável ter-se por aqueles que consideramos nossos adversários.

Essa recordação veio-me agora à memória a propósito do novo partido de André Ventura.

Não por causa de algum ponto em comum entre este Ventura e aquele Portas (que não existe) mas, pelo contrário, porque de André Ventura não se pode dizer que seja um homem “muito inteligente”.

 

O partido chama-se "Chega", e o nome é demasiado mau para ser verdade. "Chega" apresenta uma ideia de rutura, mas não mostra nenhum caminho alternativo; não soa bem, não tem dinâmica de vitória, não tem boa onda ou uma conotação com algo de positivo por que valha a pena lutar.

O nome "Chega" é, objetivamente, uma desgraça. “Chega” é apenas uma interjeição desesperada de quem está farto e não sabe o que há de fazer, como alguém que se esqueceu do guarda-chuva e apanhou uma molha, e ainda passou um carro a abrir e o deixou ensopado. Nesse sentido o partido também se poderia chamar "Parem Lá Com Isso", "Ai Que Chatice", ou "Poças Que Já Estou Irritado".

Também se podia chamar “Porra”, “Merda”, ou num partido mais extremista “Foda-se”.

Aliás, se eu tivesse que fazer campanha acho que preferia andar pela rua a apelar “vota Foda-se” do que a dizer “vota Chega”.

Na noite das eleições os jornalistas vão dizer que os votos do Chega não chegam para eleger um deputado? Ou pelo contrário vão dar a notícia de que o Chega chega ao parlamento?

Será que o André Ventura ainda não percebeu que em vez de um partido fundou uma anedota?

 

Adiante... deixemos o nome e vamos ver as suas propostas.

O primeiro cartaz conhecido é este:

Ventura-1.png

Temos a pergunta “andamos a sustentar quem não quer fazer nada?” dentro de um elemento gráfico em forma de seta que aponta para um tipo de braços cruzados, vestido de forma desleixada com roupa que parece da feira e com a barba mal aparada – o retrato do arquétipo do preguiçoso despesista.

Ora acontece que o retratado, apesar de parecer um cigano em dia de casamento, é o próprio André Ventura que encomendou o cartaz. O grande líder conseguiu mandar fazer um cartaz com a sua foto de braços cruzados e uma seta a apontar e a alegar que ele próprio é um parasita da sociedade.

Não sei se lhe gabe o sentido de autocrítica, se aplauda a coerência de continuar no patamar da anedota.

 

O segundo cartaz/proposta que deram à estampa é este:

Ventura-2.jpg

Aqui temos a afirmação de que “100 deputados chegam e sobram” por oposição aos 230 deputados que tem atualmente o nosso Parlamento.

Ora acontece que quanto menor for o número de deputados, mais votos vão ser necessários para eleger um deputado tornando a eleição de representantes de novos partidos quase impossível.

Não é preciso ser-se muito inteligente para compreender isto: o meu Zé que tem 9 anos percebe que se reduzirmos o número de deputados para metade vai ser preciso o dobro dos votos para eleger cada deputado – ele anda no 4º ano e já resolve problemas deste calibre, quando o André Ventura nem “chega” a perceber o enunciado.

Nem vou discutir se a medida é boa ou má; a questão é que se esta medida do Chega fosse aprovada, os principais prejudicados seriam os partidos mais pequenos e em especial os novos partidos que seriam banidos de qualquer possibilidade de eleição futura.

E o André Ventura nem percebeu que está a propor uma ideia que faria do seu partido um nado-morto.

 

Enquanto cidadão e eleitor, confesso que já me vai faltando a paciência para os partidos do sistema e os seus rebanhos de deputados mais ou menos invisíveis, ou que só são notícia quando são apanhados nalguma trafulhice a falsear moradas ou registos de presença.

Portugal precisa de ruturas, de caras novas e de ideias novas, mas convinha que fossem corporizadas por pessoas com um QI de pelo menos dois dígitos.

Bem sei que é positivo que em Portugal uma pessoa como o André Ventura possa fundar um partido - é um sinal de que somos um país que oferece algumas oportunidades às pessoas com deficiência.

Ainda assim, para mais políticos com a honestidade intelectual e a inteligência do André Ventura eu diria, numa palavra, CHEGA!

 

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publicado às 22:18

Gang-do-Surf-Pranchas.jpg

Quando soube que ia ser pai fiz imensos planos fantásticos que ficaram pelo caminho. Um deles era aprender a fazer surf - a ideia era aprender, apaixonar-me pela modalidade e depois ser eu o impulsionador da prática do surf pelos meus filhos.
Aquela junção entre prática desportiva e contacto com a natureza parecia-me uma coisa muito “boa onda”, no sentido literal do termo.
Como sou gajo tratei logo de comprar uma prancha, claro; felizmente arranjei uma em 2ª mão o que pelo menos reduziu drasticamente o custo do “passo em falso”.
Entretanto descobri que em vez de um filho eram gémeos, depois vieram mais 2 filhos e entre faltas de tempo, desculpas e dificuldades várias, a prancha ficou orgulhosamente dentro do saco e encostada à parede durante... 13 anos.

 

Até que este verão decidi tentar ter umas aulas de surf.
E como costumamos ir para a praia do Malhão, perto de Milfontes, achei que era uma excelente ideia tentar ter algumas aulas com eles.
Como imaginarão a coisa complicou-se e de que maneira...
Andei à procura nuns sites e percebi que o preço normal de uma alua de surf ronda os 25€, o que a multiplicar por 5 dava uma pequena fortuna por aula. Admito que o problema não seja o preço (que até inclui o aluguer de todo o equipamento) mas sim o meu orçamento limitado – de qualquer forma o sonho era impossível.
Encontrei escolas que faziam um desconto num pacote de 5 aulas por pessoa mas isso dava um conjunto de 25 aulas; contactei algumas a indagar sobre a possibilidade de um “desconto de grupo”, parceria com a página de FB e o blog mas não estava a ser fácil – e eu não podia pagar mais 500 ou 600€ por umas aulas de surf (para além do custo “normal” das férias).

Por fim encontrei quem precisava: a 7ª Essência – Escola de Surf e Bodybord, uma escola da zona de Lisboa (operam na Ericeira, Carcavelos e Caparica) mas que em Agosto desce até Milfontes.
Apresentaram de longe a melhor proposta  e como eu não queria fazer disto uma coisa episódica (e como a escola é da zona de Lisboa) já sei com quem é que falo quando tiver a oportunidade/disponibilidade de fazer mais umas aulas.

A experiência foi maravilhosa e os miúdos aderiram antes mesmo de começar; mal lhes disse que iriam ter aulas de surf os olhos brilharam logo.
Na praia conhecemos o João, o mentor da escola, e mais tarde o Duarte e o Diogo que foram uns instrutores insuperáveis no carinho e dedicação aos alunos (para além do Francisco que nos tirou umas fotos).
O João é um líder e o Duarte e o Diogo têm (muito) mais jeito com miúdos do que eu.

É claro que ao fim de 5 aulas ainda se está a começar mas, pelo menos, já começámos a começar.
E é também evidente que as fotos e os vídeos não fazem justiça ao entusiasmo que se sente dentro de água.
Sucede que no mar sofremos de um problema de perspetiva que distorce tudo.
Quando estamos deitados na prancha temos a altura do nosso corpo na horizontal, e como temos a cabeça quase ao nível da superfície da água qualquer elevação nos parece desafiante.
Resumindo, quando estamos deitados na prancha, quaisquer 40cm de onda (ou de espumaço) nos parece quase imponente.
Remamos, esforçamo-nos por apanhar o ritmo, vemos aquela onda maior do que nós a aproximar-se (sim, nesse momento nós estamos deitados e por isso só temos 30cm de “altura”), e quando sentimos o empurrão da onda fazemos o movimento que nos ensinaram para nos pormos de pé.
Mordemo-nos para chegar à vertical, ajustamos a posição dos pés, esbracejamos para manter o equilíbrio, e se conseguimos surfar durante uns metros a sensação de “prova superada” é maravilhosa.

1-Eu-1.jpg

O ego só volta ao normal mais tarde quando vemos a foto (tirada quando já estávamos de pé) e constatamos que afinal aquela onda que, quando deitados, parecia ser do nosso tamanho, era afinal uma espuma que nos dava abaixo do joelho. É quase caricato o esforço que se faz para dominar uma espuminha de poucos centímetros mas é mesmo assim que se começa.

Tudo isto para vos dizer que nos divertimos muito mais do que aquilo que as fotos podem deixar entender.
Um dos prazeres maiores que tive nem teve a ver com a minha evolução. Adorei fazer esta iniciação ao surf, mas melhor do que ter sido feliz foi ter visto o esforço e a alegria dos miúdos.

4-Zé-1.jpg

Os nossos filhos são sempre uma versão melhorada de nós e nestas idades absorvem tudo num instante e progridem muito mais depressa do que nós (ok, o facto de serem mais ágeis e com um centro de gravidade mais baixo também ajuda).

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Mesmo quando eu falhava uma abordagem ou quando caía cedo de mais e ficava com pena por não ter aproveitado aquela onda, bastava-me olhar à volta e vê-los a desfrutarem as suas ondas para me sentir completamente realizado.

2-Ritinha-1.jpg

Vê-los a surfar as suas ondas até ao fim, chegarem à areia e regressarem a correr lá para dentro sem pensar em mais nada foi uma parte importante do prazer do “meu” surf.

3-Rosinha-1.jpg

Resumindo, há três coisas que vos posso sugerir:
1 – Experimentem porque é maravilhoso; é um desporto que recomendo para todas as idades e lá em casa, dos 7 aos 48, toda a gente adorou.
2 – Aproveitem o inverno para terem umas lições de iniciação (com os fatos não se sente frio e está muito menos gente na água) e assim quando chegar o verão vocês e os vossos filhos já poderão ter alguma autonomia.
3 – Se forem da zona de Lisboa, da Ericeira à Caparica, a 7ª Essência é o parceiro/amigo de que precisam.

Capa-surf_Bolota.jpg

 

 

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publicado às 23:56

Captura de ecrã 2019-01-07, às 13.34.48.png

É a polemicazinha do dia: o Presidente da República ligou em direto para o programa da Cristina Ferreira para lhe desejar sucesso nesta nova etapa da sua vida e logo apareceram os críticos a malhar no Presidente por ter “descido” ao submundo cor-de-rosa e/ou superficial dos programas da manhã.

Não me parece contudo que Marcelo Rebelo de Sousa seja um tipo de pessoa que faça (muitas) coisas por acaso...

 

Na semana passada assistimos ao espetáculo grotesco de ver Manuel Luís Goucha, um homossexual assumido, convidar o líder dos skinheads para lhe dar palco e tempo de antena no seu programa.

Um convite a Mário Machado seria sempre abjecto; mas ser alguém que faz parte de uma minoria a oferece a sua “casa” para promover um convidado condenado e cadastrado por violência extrema contra minorias é o patamar zero da dignidade humana.

O programa do Goucha causou a polémica que ele pretendia, as redes sociais incendiaram-se e até já circula uma carta aberta “exigindo” uma condenação por parte das mais altas figuras do Estado.

 

É aqui que entra o tacticismo soft-power do prof. Marcelo e na primeira oportunidade que teve tomou a sua posição enquanto cidadão - ligou à antiga colega do Goucha (e sua nova concorrente) para lhe desejar publicamente sorte neste seu novo projeto.

Acredito que o prof. Marcelo goste genuinamente da Cristina Ferreira (eu cá gosto!) mas se quisesse incentivar a sua amiga, qualquer telefonema ou sms noutra altura cumpririam esse propósito.

Se o fez de forma pública foi porque quis marcar, publicamente, uma posição.

Não meus amigos, não acho que o Presidente da República tenha descido ao planeta cor-de-rosa dos programas da manhã para se misturar com cantores pimba e especialistas em tarot - acho que o Presidente da República deu publicamente uma chapada (de luva branca) na insalubre descida ao esgoto da imoralidade e da violência em busca de audiências a qualquer preço protagonizado pelo Goucha.

O Presidente mostrou que, para ele, não vale tudo para se ter sucesso.

 

Esta "leitura" pode ser excesso de optimismo da minha parte mas ainda assim, pela minha parte, obrigado pelo seu gesto Sr. Presidente.

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publicado às 14:40

Um pouco por todo o mundo, temos assistido à chegada ao poder de pessoas que ganharam fama pela sua atitude populista, agressiva, pela truculência, animosidade e pela violência da sua linguagem.

Dos Estados Unidos às Filipinas, do Brasil à Turquia, exemplos não faltam nesta “onda” que parece imparável.

E se Portugal tem passado ao lado desta vaga de crescimento da violência e da intolerância no discurso politico, no futebol tivemos no passado recente um exemplo flagrante de alguém que usava a ofensa, o confronto e a violência como forma de se expressar pessoal e institucionalmente.

Bruno de Carvalho promoveu a sua “normalização da violência” contra tudo e contra todos, e acabou o seu mandato num registo de pura ofensa pessoal.

Aos seus opositores Bruno de Carvalho chamou publicamente de ratos, tarados, carentes de sexo, vermes, porcos, ressabiados, toxicodependentes, nojentos, rastejantes, pedófilos, alcoólicos, e mais um rol de ataques pessoais e ofensas nunca vistos naquilo a que chamamos “espaço público”.

E apesar de muitos associados reconhecerem mérito à sua gestão (basta lembrar os 86% com que foi eleito, o pavilhão que construiu e os títulos que ajudou a conquistar em várias modalidades), chegou um momento em que a massa associativa do Sporting achou que o clima de agressividade e violência que se vivia se tinha tornado insuportável.

 

E aí, perdoem-me a imodéstia, o Sporting deu uma lição de civismo ao mundo: numa altura em que assistimos a uma onda de populismo e a um recrudescimento do discurso violento e intolerante, os sportinguistas promoveram o seu primeiro processo de destituição de um presidente, destituído precisamente por reunir essas características tão em voga.

Em dois momentos distintos a massa associativa do Sporting recusou de forma clara essa postura: quando mais de 70% dos votos sentenciaram a destituição do presidente Bruno de Carvalho, e meses mais tarde quando bateram o record de participação numas eleições para a nova direcção do clube quando o ex-presidente apelou ao boicote.

No plano do civismo, do culto da democracia e do respeito pelos outros, o Sporting foi absolutamente exemplar e os seus sócios portaram-se como verdadeiros campeões.

 

Só nos falta um último desafio para podermos arrumar definitivamente a figura de Bruno de Carvalho no album do passado: devemos participar na AG do próximo sábado e votar favoravelmente as medidas propostas pelo Conselho de Disciplina.

É importante que façam um desvio no vosso sábado e passem pelo Pavilhão João Rocha para votar e cumprir mais uma vez o nosso  dever cívico.

Se não participarmos, arriscamo-nos a que “outros” decidam por nós e já sabemos como isso pode acabar mal. Ainda na última AG os acólitos do antigo presidente quase conseguiam boicotar a aprovação do orçamento para este ano o que representaria um dano tremendo para a estabilidade do Sporting. São pessoas que não hesitariam em prejudicar o clube se conseguissem maximizar a sua voz minoritária numa AG pouco participada.

Não é só por causa do que aconteceu em Alcochete nem pelas suspeitas de gestão danosa que têm sido noticiadas (como aqui ou aqui).

É porque aquele discurso de confronto permanente, de animosidade, de criação de inimigos e de apelo à intolerância não é aceitável no mundo que queremos construir, seja no futebol ou na política.

Vamos virar definitivamente esta página da nossa história.

Vamos fazer desaparecer este pesadelo para que depois possamos começar a construir o nosso sonho.

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publicado às 23:32


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