Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Robles Remarx.jpg

Dois pontos prévios:

1 – Não sou eleitor do Bloco nem nutro nenhum tipo de simpatia pelo partido.

2 – A maioria das vezes em que o Bloco intervém eu discordo e até embirro.

Ultrapassados estes obstáculos iniciais, que não são pequenos e introduzem uma certa dose de preconceito da minha parte, vamos lá a ver esta história do vereador Robles e das suas mais-valias imobiliárias.

 

Nunca achei que para se defender algo ou alguém seja necessário pertencer a esse grupo.

Um rico pode (e deve) preocupar-se e defender ativamente os pobres da mesma forma que um homem pode (e deve) defender ativamente a igualdade de género e um português heterossexual e caucasiano pode (e deve) defender a igualdade de todas as minorias.

A ideia que um “tipo de esquerda” não deve ter dinheiro soa mais a inveja do que a princípio moral.

Posto isto, não me maça nada que um tipo de esquerda ganhe uns milhões num negocio legal; aliás chateia-me bastante mais que um deputado do Bloco dê uma morada falsa (a da sede do Bloco em Braga) para ganhar um subsídio de deslocação ao qual não devia ter direito (não só é desonesto como sou eu quem paga o subsídio).

 

O problema é que o Ricardo Robles não é de um partido de esquerda do género do PS, como aqueles tipos de esquerda cheios de dinheiro e bonacheirões da estirpe do Carlos Monjardino.

O Ricardo Robles é de um partido onde se defendem coisas como ”a propriedade é um roubo” e que andou os últimos anos a vociferar contra a especulação imobiliária e a saída dos Lisboetas do centro da cidade por não conseguirem acompanhar a subida de preços dos imóveis.

Isto de ser contra a propriedade privada e contra a especulação imobiliária mas depois ganhar milhões com imóveis e a sua especulação já é moralmente um bocadinho mais complicado.

Ainda assim noto-lhe uma certa transparência na ação que o torna refrescante no panorama político nacional.

Ricardo Robles quis ganhar dinheiro num negócio, juntou-se à irmã e fizeram uma sociedade às claras.

Não arranjou nenhum testa de ferro, não usou uma sobrinha como o Duarte Lima, não recorreu a um amigo banqueiro como Cavaco e as ações da SLN, não foi à procura de um sobrinho taxista na Suíça como Isaltino, não procurou favores de amigos construtores como Sócrates, não inventou off-shores como tantos outros... querem que continue a lista?

E quando o prédio for vendido acredito que vá pagar os devidos impostos sobre a mais valia.

 

Ricardo Robles é um falso moralista, um demagogo e muitos outros nomes que lhe queiram chamar.

A chatice é que no panorama político português, quando comparado com outros cromos de outros partidos, já ninguém estranha e ele quase que passa por sério.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:26

Visão-cabeçalho.jpg

Rebentou o escândalo a propósito da reconstrução de habitações destruídas nos incêndios de Pedrogão.

Mas pelo que ouvi nas notícias, estamos a falar de umas 7 casas num universo de mais de 260 habitações que estão a ser (ou já foram) reconstruídas.

Se devia ter acontecido? Claro que não!

Se deve ser investigado e os prevaricadores punidos? Claro que sim!

Mas valerá a pena empolar aqueles 2 ou 3% de eventuais irregularidades a ponto de perdermos de vista aquilo que foi a tragédia daquelas populações e o exemplo de generosidade da sociedade civil que se mobilizou para tentar minorar o seu drama?

Valerá a pena criar este sentimento de desconfiança generalizada em relação à utilização dos donativos?

Valerá a pena desvirtuar a realidade e falar em “donativos desviados” (li no Expresso) como se o dinheiro tivesse sido gasto em algo que não a reconstrução de casas?

Penso que não.

Ontem não se falava de outra coisa e acho que este clima de histeria pode ser altamente contraproducente para o espírito de generosidade de um povo e minar a confiança em iniciativas de generosidade que no futuro seja importante acarinhar.

Aliás, habituado que estou às derrapagens orçamentais em Portugal, até acho que 2 ou 3% de utilização de fundos em processos não-prioritários é um bom desempenho.

 

Até porque não há sistemas perfeitos; por muita cautela que se tenha estaremos sempre à mercê de alguns abusos e do aproveitamento da nossa boa fé por parte de pessoas com menos escrúpulos.

É verdade que estamos no patamar da náusea e do nojo quando alguém se aproveita desta situação para seu benefício.

Mas se querem que vos diga muito honestamente, aquelas pessoas que inventaram moradas para poderem beneficiar de subsídios aos quais não tinham direito para reconstruir as casas de Pedrogão podem sempre dizer que se inspiraram no exemplo moral dos deputados da nação.

Afinal de contas muitos deputados inventam moradas para ganharem subsídios e ajudas de custo às quais não têm direito, e até o Presidente da Assembleia da República (que é a 2ª figura do Estado Português) veio dizer que não faz mal e que está tudo bem assim porque basta a palavra dada pelos próprios deputados.

Queriam o quê?!?

 

Adiante...

Obrigado à comunicação social pela investigação e pela denúncia e obrigado ao Ministério Público por estar a investigar.

 

Mas agora, se não se importam, vamos passar ao assunto seguinte.

Sob pena de na próxima tragédia o povo português se mostrar desconfiado e pouco solidário pelo facto de temer que 2 ou 3% dos recursos poderem vir a ser utilizados em projetos que, sendo legítimos, não são exatamente os prioritários.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:30

CR7-Juve.jpg

Esta coisa do “amor” é de facto muito engraçada porque, muitas vezes, assenta em coincidências.

Ando muito feliz com os boatos que apontam Cristiano Ronaldo à Juventus porque eu adoro a Juve.

Quando era miúdo tinha um amigo no liceu, o Alex, com quem ia a Alvalade regularmente – à parte de ser meu amigo, era o “meu” amigo de ir à bola.

O Alex era português mas tinha uma costela italiana; a mãe era italiana e, se não me engano, ele próprio tinha nascido em Perugia.

Para além de ser do Sporting tal como eu, ele também era fanático da Juventus – era o seu clube italiano.

E eu acabei por “adoptar” um carinho especial pelo clube do meu amigo. Ainda por cima naquela altura nós íamos sempre para a bancada da Juve Leo pelo que a fonética do nome Juve já me estava no coração.

Se há clube estrangeiro de que sempre gostei (à parte do Celtic de Glasgow) é a Juventus de Turim.

É por isso que me enternece tanto a ideia de o Cristiano Ronaldo, o “meu” menino de oiro, ir jogar para a Juve.

 

Mas há outra razão, mais racional, que me leva a redobrar o entusiasmo por esta transferência: é porque acho que em termos de gestão da carreira, o melhor para o futuro do Cristiano Ronaldo pode ser ir jogar para Itália.

O Ronaldo está numa forma tremenda, fez um ano formidável no Real Madrid e apresentou-se no mundial na condição que vimos. Mas quem tem 33 anos tem que gerir a carreira de forma diferente de um “miúdo” de 25.

E há qualquer coisa que a Itália tem e que os outros países não têm: a capacidade de aproveitar e maximizar a essência e as características dos jogadores até (muito) mais tarde.

A Liga Italiana é das mais competitivas do mundo e os clubes italianos têm dos melhores desempenhos nas competições europeias, mas apresentam sempre uma média de idades mais elevada do que as restantes Ligas.

Há qualquer coisa, ao nível da metodologia do treino ou do esquema de jogo, que faz com que os jogadores consigam permanecer ao mais alto nível durante mais tempo em Itália do que nos outros países.

Dino Zoff foi campeão do mundo aos 41 anos e Buffon continua a jogar depois dos 40, o que é notável, mas são guarda-redes.

Mas mesmo sem termos que recuar muito no tempo, facilmente nos lembramos de jogadores de campo que se retiraram depois dos 37 quando ainda estavam em grande forma: Baresi, Canavarro, Roberto Baggio ou Pirlo jogaram ao mais alto nível até essa idade. E até o nosso Figo, quando abandonou precisamente o Real Madrid e o campeonato espanhol, rumou para o italiano Inter de Milão onde jogou também até aos 37 tendo-se sagrado tetra campeão italiano.

E só por aí quase nem valia a pena fazer a referencia a Maldini (vénia) que se reformou no Milan aos 41 anos.

Não estamos a falar de um país simpático para um jogador se reformar tranquilamente; estamos a falar de um dos campeonatos mais competitivos do mundo mas onde se habituaram a fazer render os jogadores até mais tarde.

Estando o Ronaldo descontente com a postura do Real Madrid, e pensando nos seus 33 anos, a Itália pode ser o sítio ideal para ir.

E se vai para Itália, que maravilha vai ser vê-lo num clube mítico como a Vecchia Signora.

 

P.S. Fala-se numa transferência de 100 milhões de euros e o acordo ainda nem sequer foi assinado, mas as acções da Juventus já valorizaram 140 milhões de euros nestes últimos dias.

Cristiano Ronaldo é de longe o jogador mais popular do mundo e só em camisolas CR7 a Juventus vai amealhar uma fortuna - é sempre um excelente negócio.

Até eu queria comprar uma t-shirt da Juve mas este ano quero comprar a nova camisola do Sporting e não tenho dinheiro para tudo...

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:19

Madonna.jpg

Três notas prévias:

1 - Eu gosto genuinamente da Madonna;

2 – Como alfacinha acho bestial que ela tenha escolhido a minha cidade para viver;

3 - Percebo perfeitamente que a Câmara Municipal a trate de forma especial (nós não somos todos iguais e ela é um verdadeiro “activo” para a cidade - um post dela nas redes sociais tem mais impacto na imagem de Lisboa no exterior do que alguns milhões gastos em “campanhas institucionais” para promover a cidade).

 

Como é evidente, quem é milionário e tem 15 carros só tem que arranjar uma casa com 15 lugares de garagem – é simples. Mas tanto quanto sei, os lugares de estacionamento foram cedidos a título provisório só enquanto duram as obras lá em casa.

Por mim está tudo bem e tanto se me dá que lhe cobrem 720€ (ela nem deve saber o que são 720€) como não lhe cobrem nada (o que para efeitos de orçamento camarário vai dar ao mesmo).

 

O que é escabroso nesta história é que estamos a falar de um bairro de Lisboa que, em matéria de estacionamento para os moradores, foi arrasado pela própria Câmara que agora “oferece” estacionamento à dona Madonna.

A CML mandou a EMEL invadir a zona da Estrela com o intuito de obter receita à custa dos moradores a quem foram objetivamente retirados os lugares de estacionamento na via pública.

A EMEL chegou disfarçada de “regulador” mas cedo se percebeu que não vinha regular nem investir nem organizar; só lá estava para pintar o chão de algumas zonas e suprimir outras sem outro motivo visível que não seja o de extorquir dinheiro com multas a curto prazo.

Há ruas onde se estacionava dos 2 lados sem problemas e que agora só têm estacionamento de um lado, há ruas onde se estacionava de um lado em toda a extensão da rua e agora só se pode fazer em meia-rua, há de tudo.

O problema é que a EMEL não se limita a multar e bloquear os carros que não pagam parquímetro ou que não têm o dístico de morador – também multam e bloqueiam os carros que estão estacionados em sítios não marcados, onde não incomodam ninguém e onde se estacionava tranquilamente antes dos raides da EMEL.

Nunca percebi o ódio da CML aos moradores da Estrela.

Será porque elegeram uma freguesia PSD e agora Fernando Medina decidiu puni-los como faz com os habitantes de Carnide por terem votado CDU?

 

Em resumo, a única coisa que me incomoda no “negócio” com a Madonna é o contexto: não me chateia que a Câmara facilite o estacionamento à frota da Madonna; o que não faz sentido é que no mesmo bairro se empenhe a perseguir as famílias que não têm dinheiro para comprar um palacete com 15 lugares de garagem.

 

Se calhar é a isto que se chama esquerda caviar...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:30

No passado evitei escrever sobre Bruno de Carvalho porque o assunto me provocava angustia e desgaste emocional, porque o tema era escalpelizado ad nauseam em todo o lado, e porque tudo o que o ex-presidente do Sporting dizia ou escrevia era desmentido pelo próprio ou pela realidade nas 24h seguintes.

Mas depois das reações do próprio à última assembleia geral que votou a sua destituição apeteceu-me fazer o exercício de, humildemente, analisar a sua mais recente argumentação.

Peguei no seu último post no facebook (este) e como não foi alterado ou editado, ao contrário dos outros, usei-o como ponto de partida para a tarefa.

Aqui ficam os meus comentários a alguns dos pontos que o agora ex-presidente do Sporting apresenta em sua defesa.

 

"Tenho de começar logo com um primeiro agradecimento especial aos quase 30% que votaram na nossa não destituição. Nem vale mais discutir se foram mais ou não."

Não foram mais, de facto foram menos; mais precisamente 28,64%.

O curioso é que quando o ex-presidente teve votações com resultados favoráveis assumiu-os sempre como exatos e fidedignos.

 

"Sempre quis ser um Líder popular, com os pés assentes na terra, com um discurso mobilizador que voltasse a devolver o orgulho."

Não se pode devolver o orgulho a quem nunca o perdeu; se há coisa que a massa associativa do Sporting sempre teve, mesmo durante as mais inclementes travessias do deserto, foi orgulho no seu Sporting – qualquer sportinguista sabe e sente isso.

 

“Um discurso ambicioso, virado para dentro e para fora, demostrando ao Mundo que estávamos aqui para vencer tudo e exigir de volta o que tínhamos perdido: Respeito.”

Se houve coisa que o Sporting e os sportinguistas não ganharam foi “respeito”.

O ex-presidente passou boa parte do seu tempo a tratar quase toda a gente como inimigos e fê-lo de forma inaceitável.

De cada vez que se dirigia a alguém (fossem adversários externos ou sportinguistas) como “ratos”, vermes” ou “nojentos”, o Sporting não ganhou respeito – pelo contrário, os sportinguistas foram ganhando vergonha pela postura do seu presidente.

 

“Isto abriu uma guerra geracional que não era de todo o pretendido.”

É falso, não existe nenhuma guerra geracional.

Numa das mais concorridas Assembleias Gerais da história do Sporting o “SIM” à destituição ganhou em TODAS as mesas.

Mesmo na mesa onde votaram os sócios mais recentes que se inscreveram já durante a presidência de Bruno de Carvalho, o “Sim” à destituição teve 54,6%.

Por outro lado, é impossível associar de forma clara a antiguidade dos sócios a um factor geracional: há pessoas com 50 anos de idade que são sócias há 5 anos e há pessoas com 30 anos de idade que são sócias há 30 anos.

A única certeza que temos é que o Sim à destituição de Bruno de Carvalho foi absolutamente unânime entre todas as gerações de sócios.

 

“Mas o discurso levou a que muitos Sportinguistas se afastassem, mesmo não percebendo o porquê...”

Penso que os Sportinguistas se afastaram precisamente porque percebem porquê.

Mesmo neste post em que se pretende apresentar como um ex-presidente fofinho, humilde e conciliador, acaba por menorizar mais uma vez de forma ostensiva os sportinguistas afirmando que eles só se afastaram do líder porque não perceberam.

Pelo menos aqui regista-se uma exceção à regra e o ex-presidente apresenta uma rara coerência neste hábito de menosprezar as capacidades dos associados do Sporting: ele tem que falar devagarinho para que o possamos entender, quem votou sim à destituição é fraco de espírito, e agora os que se afastaram é porque não percebem.

Bruno de Carvalho tem mudado de opinião todos os dias sobre quase todos os assuntos, mas quanto a ofender os sócios do Sporting tem sido coerente - reconheça-se isso.

 

“Afinal, o conteúdo era aparentemente 100% correcto”

Aparentemente é falso; aparentemente os Sportinguistas não consideram o discurso do seu ex-presidente “aparentemente 100% correcto” – se o achassem não tinham votado massivamente na sua destituição.

Basta recordar o tenebroso episódio do ataque a Alcochete em que o ex-presidente afirmou que os jogadores eram involuntariamente responsáveis pelo ataque – para muitos Sportinguistas o conteúdo estava 100% incorreto.

Este espírito de culpabilização da vítima é o mesmo que diz que uma mulher violada é culpada pela sua violação porque estava de saias ou tinha bebido umas cervejas – é o patamar da náusea e do abjecto.

 

“O Clube chegou ao sucesso e a minha imagem pessoal ficou totalmente deturpada ao olhos de muitos.”

Não vou discutir a afirmação de que o Sporting chegou ao “sucesso” porque esse é um conceito subjetivo. Mas a imagem pessoal do ex-presidente não ficou nada deturpada; pelo contrário ficou amplamente demonstrada de forma clara e transparente.

Alguém que passou os últimos anos a envolver-se publicamente em discussões com adversários internos e externos com um discurso à base do “verme”, “idiota”, “labrego”, “traidor”, “reles”, “porco”, “nojento” ou “cretino”, não tem a sua imagem pessoal deturpada – tem uma imagem pessoal que corresponde exatamente à realidade.

 

“Vamos ter a humildade de receber de braços abertos todos os que queiram apresentar o seu projecto para o Sporting CP.”

A ver se entendo... durante anos os adversários eram ratos, nojentos, porcos e traidores. E agora, só porque pende um processo disciplinar sobre o ex-presidente, vamos acolher todos de braços abertos?

Alguém mal intencionado ainda pode pensar que esta postura é algo hipócrita para quem apregoa que a frontalidade é uma das suas maiores virtudes.

 

“O meu desejo é simples, que se acabe com este processo disciplinar”

O meu desejo é precisamente o oposto. Quem ataca os atletas do Sporting publicamente como depois do jogo com o Atlético de Madrid, quem acusa os atletas do Sporting de serem co-responsáveis pelas agressões de que a nossa Academia foi vítima, quem passou os últimos anos a atacar e a ofender os sportinguistas e quem ainda há poucos dias escreveu que os 71% que votaram pela sua destituição são “tristes e fracos de espírito” (sic), deve ser expulso do clube.

Não faz sentido que uma associação, seja um partido, uma empresa ou um clube, tenha como associado alguém que se tornou tóxico e prejudicial, e que regularmente demonstra o seu desprezo pelo clube e seus associados.

Se um empregado passar a vida a falar mal da empresa e dos colegas acabará despedido; se um filiado passar a vida a falar mal do partido e dos adversários acabará expulso; se um sócio ou dirigente passar a vida a falar mal do clube e dos associados acontece-lhe o mesmo. É assim em todo o lado.

 

“Somos um país livre e democrático e por isso deixemos a liberdade de candidatura e voto aos sportinguistas.”

Reina por aqui alguma confusão. Portugal é de facto um país livre e democrático mas existem leis e regras a cumprir para assegurar essa liberdade.

Portugal é um País livre e democrático mas nem todos se podem apresentar a eleições e nem todos podem votar.

Por outro lado as instituições podem ter regras próprias desde que sejam compatíveis com as leis da República: basta lembrar que em Portugal vigora o princípio de “uma pessoa um voto” e nas associações as pessoas podem ter mais do que um voto em função da sua antiguidade.

E mesmo ao nível da República há organizações que pela sua ideologia estão proibidas de concorrerem a eleições.

Por outras palavras, existe democracia e liberdade mas também há limitações ao seu exercício – tanto na República Portuguesa como no Sporting.

 

Para terminar esta lista que já vai longa, fica uma afirmação do próprio Bruno de Carvalho depois da Assembleia Geral:

"Hoje deixei de ser para sempre sócio e adepto deste clube"

Como dizem nos filmes, I rest my case...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 21:30

Ronaldo-Sporting.jpg

O meu amigo Zé Cavaco é do Benfica e gosta de futebol espetáculo.

Gosta de jogadores que arriscam, que fintam, que tentam sempre, daqueles que têm o toque de midas ou o golpe de génio que transforma o desporto em arte.

No longínquo ano de 2002, o Zé Cavaco andava doido com o Ricardo Quaresma que na altura tinha 19 ou 20 anos; naquele ano, o Quaresma era o jogador que lhe enchia as medidas, aquele que ele gostaria de ter no seu Benfica.

Chegou a confessar-me que até tinha inveja de nós, os lagartos, por termos um miúdo assim, daqueles que na tradição do Futre eram capazes de correr de uma baliza à outra tentando fintar metade da equipa adversária.

O que lhe interessava era a garra, a ingenuidade e a ousadia dos miúdos.

Um dia disse-me que gostava que o levasse a Alvalade – queria ver esse miúdo mágico em acção, a cores e ao vivo.

Eu acedi, arranjei um cartão para ele e lá fomos juntos à bola.

Pelo caminho expliquei-lhe:

Olha Zé, em Alvalade toda a gente adora o Quaresma; mas nós não vamos lá só para o ver. Nós agora temos um miúdo ainda mais novo que é uma absoluta maravilha.

Como só tem 17 anos, nem sempre é titular. Mas vais perceber que na 2ª parte vai começar a sentir-se um burburinho no campo e é o estádio a pedir ao treinador para meter o miúdo.

O meu amigo Zé não acreditou.

Não achou possível que o Sporting, para além do Quaresma que era o seu jogador preferido, ainda tivesse um miúdo mais novo e mais promissor.

Mas lá aconteceu o que sempre acontecia: a certa altura da 2ª parte toda a gente começou a pedir o miúdo, e o Cristiano Ronaldo lá entrou.

Não me lembro de qual era o jogo (porque eu ia a todos) nem qual o resultado; não me lembro sequer se o Ronaldo chegou a fazer alguma daquelas jogadas de encher o olho e levantar o estádio.

Lembro-me da alegria do estádio a pedir para o miúdo entrar e a alegria e entusiasmo com que ele jogava à bola - era magia.

Acho que o Zé Cavaco não percebeu na altura aquilo a que tinha assistido, mas talvez agora o compreenda.

O Cristiano Ronaldo cresceu e transformou-se naquilo que hoje todos conhecemos - o maior jogador Português de todos os tempos.

Já todos vimos jogadores espetaculares, basta ir à lista dos vencedores da Bola de Ouro para recordar os nomes daqueles que foram os melhores do seu tempo.

Parece-me contudo que o Cristiano Ronaldo está num patamar acima de todos eles. Não se trata de ser “apenas” aquele jogador extraordinário que carrega a equipa às costas – é aquele nível acima em que o futebol se transforma num híbrido ali entre o desporto colectivo e o desporto individual.

No “meu tempo”, quando penso no Ronaldo não penso no Platini ou no Rummenigge, no Van Basten ou no Ronaldo (brasileiro), não penso sequer no Messi.

Ronaldo não é apenas o melhor daquele ano, é dos melhores de sempre - o único jogador do “meu tempo” que me vem à cabeça quando penso no Ronaldo é o Maradona - para mim o mais extraordinário jogador de todos os tempos.

Muitos acharão que estou a exagerar e é natural.

Eu às vezes resvalo para a hipérbole - o amor tem destas coisas.

O Ronaldo está com 33 anos e ainda tem muito futuro para escrever, mas a sua garra e a sua genuína alegria a jogar à bola são as mesmas do miúdo de 17.

Ronaldo hoje lidera uma equipa, mas abraça e vibra com os seus colegas com o mesmo entusiasmo e gratidão de adolescente.

É também por isso que para mim será sempre “o meu menino de oiro”.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:09

Velhinhos.jpg

Duas notas sobre a votação de hoje na AR, uma sobre o tema da despenalização da eutanásia e outra sobre a votação.

 

 1 - A questão dos projetos-lei sobre a despenalização da eutanásia, ao contrário do que alguns nos querem fazer querer, é bastante simples.

Não se discutia a hipótese de vir a legalizar actos médicos contrários à vontade do doente e ninguém quer matar velhinhos.

Nem colhe o argumento da caixa de pandora tão frequentemente usado. Ser contra estes projetos-lei agora, porque não sabemos o que vai acontecer daqui a uns anos, é tão pateta como ser contra a ideia de democracia hoje porque daqui a uns anos podemos estar a eleger um qualquer Adolfo (que não o Mesquita Nunes).

Hoje tratava-se mesmo, e apenas, de decidir o que fazer com aqueles que, por compaixão por alguém em situação de sofrimento insuportável e sem perspectivas médicas de melhoria, aceitam facilitar o acesso à morte medicamente assistida a pedido do seu paciente que o tenha feito de forma expressa e lúcida.

É só isso.

Perante isto, a única coisa que temos que fazer para decidir se somos a favor ou contra a despenalização da eutanásia é colocarmo-nos na pele dos envolvidos e pensar nos parece justo fazer.

 

Vamos imaginar um cenário:

O nosso pai está doente há anos, a doença agrava-se e é irreversível, e o seu sofrimento agudiza-se a ponto de se tornar intolerável.

A dor é permanente e insuportável e nem a morfina a elimina, até porque para não passar o tempo como um vegetal o pai prefere tomar doses mais reduzidas para manter a lucidez.

O pai, de forma consciente e lúcida, sabendo que clinicamente é impossível melhorar, e não tendo outra perspectiva de vida que não seja um sofrimento físico e psíquico atroz ou aceitar sucumbir ao peso da medicação excessiva para se remeter à condição de vegetal durante mais uns meses, pede à nossa mãe que o ajude a morrer com dignidade, poupando-se a um sofrimento cada vez maior e mais inútil e preservando a imagem que todos temos dele.

A mãe, companheira e cúmplice de uma vida inteira, aceita.

Ou o médico que o acompanha há anos...

 

A única coisa que cada um tem que pensar é: eu denunciava o médico que aceitou o pedido do meu pai, ou a minha mãe para que fosse julgada como uma criminosa?

É mesmo só isso.

Não se trata de citar filósofos famosos, excertos de livros de auto-ajuda, epístolas ou salmos, frases feitas ou chavões morais.

Não se trata de impressionar o facebook com um soundbite espetacular.

Trata-se apenas e só de saber se és a pessoa capaz de denunciar a própria mãe (ou o vosso tio favorito ou o médico que era amigo da família há décadas) por terem ajudado o vosso pai a partir em paz – só isso.

Ou se gostavas que um vizinho, a porteira ou uma tia desavinda denunciasse o médico ou a tua mãe para que fosse julgada como uma criminosa.

Se a resposta é sim, então és contra a despenalização da eutanásia.

Se a resposta é não, então deixa-te de merdas e não te metas na vida dos outros para que os outros também não se metam na tua.

Como se vê, é simples.

 

2 - Quanto à votação, apesar do resultado não ser o que eu gostaria, acho que foi positivo.

O assunto ficou em agenda e parece-me claro que nas próximas eleições os vários partidos acabarão por incluir a questão nos seus programas de governo e numa próxima legislatura algum projeto-lei será aprovado.

O projeto-lei do PS foi chumbado por 5 votos num parlamento onde o PCP tem 15 deputados.

Acontece que o PCP anda desconfortável com isto de fazer parte da geringonça, levou uma tareia nas autárquicas e agora tem que brincar à oposição como “prova de vida” para não desaparecer das intenções de voto; por outro lado quiseram aproveitar esta oportunidade para mostrar ao PS que precisam do PCP para algumas aprovações e que se continuarem a querer aproximar-se do PSD pagarão um preço – não fora essa circunstância e pelo menos o projeto do PS e o dos Verdes teriam sido aprovados.

Acabará por ser aprovado numa ocasião futura desde que haja mais diálogo e concertação entre os diversos proponentes.

Não me parece que seja uma questão fraturante na sociedade.

Afinal de contas, quem é que denunciava a própria mãe?

Aliás, sempre que alguém alegou que um determinado tema era “fraturante” provou-se que estavam errados; depois de aprovada a legislação a polémica desvaneceu-se e a sociedade encarregou-se de absorver a nova realidade de forma mais ou menos pacífica.

Só houve “fractura” enquanto uma facção mais ou menos histérica quis cavalgar a onda do pseudo-moralismo populista para aproveitamento político.

Hoje já ninguém defende o regresso ao aborto clandestino, nem a proibição do casamento entre pessoas que se querem casar independentemente da orientação sexual.

Da mesma forma, depois de aprovada a despenalização da eutanásia ninguém terá estômago para vir defender o regresso à criminalização dos médicos.

Acho muito honestamente que as Assunções Cristas deste País sabem que ganharam o primeiro round mas que acabarão por perder o combate.

É uma questão de tempo...

 

post scriptum: excelente o trabalho de comunicação da AR, antes e durante a votação, com a criação de uma página no site da AR com um vídeo explicativo dos projectos e toda a informação relevante, bem como a transmissão em directo da sessão plenária e votação nominal.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:59

Autismo

20.03.18

Autismo-Valério_Romão.jpg

“Autismo”, de Valério Romão, é um livro extraordinário.

Sim, o título diz tudo – é um livro sobre o autismo.

E sim, o autor sabe bem do que fala porque é pai de uma criança autista.

Ainda assim, é um romance belíssimo.

E digo “ainda assim” porque é de facto um romance; não é um livro escrito ostensivamente na 1ª pessoa nem um mero relato da experiência pessoal nem muito menos um panfleto sobre a doença.

É um romance arrebatador e durante uns dias eu dei por mim a trabalhar com vontade de voltar para casa, tratar dos miúdos, cumprir os serviços mínimos e ir para a cama ler.

Imagino que todos os pais de crianças com autismo o tenham lido.

Mas este livro devia ser de leitura obrigatória para todos os pais e mães, não tanto para darem valor à saúde dos seus filhos mas para sentirem um pouco da angustia e da dor permanente destes pais.

Acho que nos faz falta isto: sofrer pelos outros e sentir-lhes, ainda que temporariamente, o seu sofrimento.

Até porque sabemos bem que, como nos filmes pesados, quando aquilo “acaba” nós voltamos para a nossa vidinha...

Neste tempo em que despachamos a solidariedade para com os outros num post de facebook que nos leva 1 segundo a partilhar e somos todos contra a guerra e o "câncer", ler este livro é um murro no estômago à antiga.

O livro é escrito por um homem e acho que isso se nota; eu pelo menos senti-me tão identificado com as angustias da personagem masculina que não consegui deixar de pensar nisso o tempo todo. Normalmente o género do escritor é-me indiferente mas aqui senti um homem por detrás da escrita e acho que isso acrescenta valor ao livro.

Vi as relações e os sonhos, a sensibilidade e a revolta, as fragilidades e o desencanto tal como penso que eu próprio a sentiria.

E senti como, de alguma forma, todos falhamos às nossas mulheres.

Nós somos uma merda mas ainda assim esforçamo-nos e amamos.

É por isso que todos, homens e mulheres, pais e mães, deviam ler este livro - para nos amarmos mais e nos compreendermos melhor – para não desistirmos de tentar perceber o mundo do outro.

Não sei se é fácil encontrá-lo nas prateleiras das livrarias mas pode encomendar-se on-line.

Autismo é um livro cru, a preto-e-branco, sem pinceladas de cor ou de esperança, sem expectativas de redenção; é uma janela aberta para um quarto escuro.

Mas é preciso lê-lo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:52

Se eu fosse um organizador de festivais de verão, sei muito bem qual era a primeira banda que tentaria contratar: as Pussy Riot.

E não é só por causa da recente colaboração com o David Sitek (dos TV on the Radio).

Não é porque agora estão numa onda mais pop do que o seu registo habitual como neste (muito bom) "Police State"...

Um Festival é mais do que uma sucessão de concertos avulsos; é um evento cultural que, juntando artistas de diversas origens, procura criar uma identidade comum que os une.

Por isso é que os festivais são diferentes.

Por isso é que há festivais onde as marcas atropelam os visitantes e outros onde os patrocinadores respeitam os espectadores; por isso é que há festivais que apostam na produção negligente de lixo enquanto outros investem em copos recicláveis.

No fundo, e independentemente do tipo de música, ao criar a sua imagem cada festival tenta criar a sua identidade e a sua ética. E é aí que entram as Pussy Riot

Um pouco na senda da frase “Save a life, save a world!" (que a Fundação Aristides de Sousa Mendes costuma usar como "assinatura") eu acho que quem luta pela sua liberdade, no seu País, luta pela liberdade de todos nós em todo o lado. E nisso de lutar pela liberdade as Pussy Riot são um dos grandes exemplos deste mundo porque arriscam a sua integridade, a sua liberdade e a sua vida.

Já foram presas, já foram deportadas para campos de trabalho forçado, já foram impedidas de comunicar com familiares e advogados, são agredidas, e voltam sempre ao seu activismo e à sua luta. Basta um passeio pelo youtube (como aqui) para ficar nauseado pela violência com que são tratadas e espantado com a sua coragem física...

A onda delas pode não ser a minha e se elas fossem Portuguesas talvez as achasse excessivas, panfletárias e radicas – mas elas fazem-no num País que é uma ditadura há séculos e onde lutar pela liberdade se paga frequentemente com a vida.

Mereciam que da parte do mundo livre alguém lhes estendesse a mão para lhes dizer que admiramos a sua coragem, a sua determinação e o seu apego à liberdade que no fundo é de todos nós; alguém que lhes dissesse “- Miúdas, querem vir tocar à nossa terra”.

Trazê-las cá, mais do que propor um concerto, seria fazer uma afirmação moral e ética pela liberdade e contra todas as formas de violência e de opressão.

No fundo a nossa geração só é livre porque alguém lutou por nós e pela nossa liberdade ainda antes de termos nascido; nós podíamos usar a liberdade que nos deram de graça para ajudar a promover a liberdade dos outros.

Só por causa disso, eu gostava mais de ver as Pussy Riot em Portugal do que qualquer outra banda.

Alguém arrisca?

Free Pussy Riot!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:04

Permitido cães.jpg

De todas as polémicas palermas em que temos sido envolvidos, esta da lei que permite a entrada de animais em estabelecimentos comerciais é das mais parvas de todas.

Desde logo porque, enquanto lei, foi aprovada por unanimidade no Parlamento.

Sim, por unanimidade.

Eu não acho que a Assembleia da República “esgote” a sociedade civil. Mas quando uma lei é aprovada por unanimidade, talvez não estejamos propriamente perante uma “polémica”. Digo eu...

Só os estabelecimentos comerciais que quiserem é que vão permitir a entrada de animais, e só as pessoas que quiserem viver essa experiência é que lá vão entrar – mais simples e livre é impossível.

Perante isto, estar contra esta lei é tão estúpido como estar contra a existência de restaurantes japoneses com o argumento de que não se gosta de peixe cru, ou estar contra a abertura de restaurantes mexicanos e indianos porque o excesso de picante pode fazer mal.

Meus amigos: quem quer vai, quem não quer não vai.

O problema não está na lei nem nos animais nem nos donos nem no suposto politicamente correto.

O problema está numa sociedade civil sopeira que acha que deve opinar sobre a vida dos outros e o que fazem os outros; pior do que isso, uma sociedade civil que se sente no direito de interferir na vida dos outros, como se a vida dos outros interferisse na sua.

É um bocado como um heterossexual ser contra o casamento gay - como se isso mexesse na sua própria vida.

Nesta discussão, como em tantas outras, não há razão dos dois lados nem opiniões diferentes: há apenas as pessoas que percebem que têm liberdade para ir e não ir onde lhes apetece, e a malta com espírito de porteira quadrilheira que, por terem vidas mais poucochinhas e muito tempo livre, passam o tempo a ver e a opinar sobre a vida dos outros.

Deve ser chato estar a jantar e de repente ver o Bobby da mesa do lado a arrear um triplex castanho e pastoso. Mas quem não quiser correr esse risco, só tem que fazer o que sempre fez – ir aos restaurantes onde costuma ir onde não entram animais (é o que eu pessoalmente conto fazer).

Eu quero lá saber se há quem goste comida crua ou cozinhada, se há quem goste de carne ou prefira vegetariano, se gostam de ir jantar com a namorada ou com o Farrusco ou com ambos...
A vida dos outros interessa-me pouco; nisso sou muito pouco tuga, sou muito pouco sopeiro.

Ou como dizia o chavão do filme, get a life...

 

(nota do editor: este texto foi escrito por um tipo que adora animais, que tem uma cadela, e que não está a pensar de todo ir almoçar ou jantar fora com ela)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:10


O LIVRO

Capa_OK


Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D