Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

BrunoX2.png

O que mais impressiona na passagem do Bruno Fernandes pelo Sporting é a força da marca que deixou no clube, fazendo esquecer o pouco tempo que jogou de leão ao peito.

Com a sua saída para o Manchester United fizeram-se os balanços do costume e percebemos que o Bruno Fernandes apenas esteve no Sporting 2 anos e meio. E é isso impressiona.

O seu esforço, dedicação e devoção trazem-lhe a glória de ganhar um lugar no coração dos Sportinguistas como se lá tivesse jogado a vida toda.

Para os meus filhos, que têm entre 8 e 14 anos, o Bruno Fernandes é sinónimo de Sporting – será o jogador que marca as suas infâncias como a mim marcaram o Manuel Fernandes ou o Jordão.

Não é por acaso que há uns dias as minhas filhas me “explicaram” que vamos ter que comprar a camisola do Bruno Fernandes no Manchester United.

É que foram 2 anos e meio tão intensos que marcam as nossas vidas para sempre, e Bruno Fernandes passou a fazer parte da família.

É um extraordinário jogador com uma dedicação ao trabalho que farão dele um dos melhores da sua geração, mas enquanto homem demonstrou uma coragem, uma coerência e uma honestidade raríssimas.

Mais do que um talento dentro de campo, Bruno Fernandes é um homem para quem posso apontar como exemplo aos meus filhos.

Mais do que os kms percorridos, os desarmes, os passes, as assistências e os (muitos) golos marcados, é essa conjugação de talento e de integridade que fazem dele um ídolo.

E ser um ídolo só está ao alcance de alguns predestinados.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:26

IVA-electricidade (1).png

Não sei se haverá mais alguém que, como eu, se esteja nas tintas para a redução da taxa do IVA na eletricidade.

Nota prévia: nós somos uma família remediada onde qualquer poupança é sentida e significativa, e por essa razão uma descida dos custos com a eletricidade seria MUITO bem-vinda; ainda por cima somos uma família numerosa que naturalmente gasta mais energia do que uma família com 1 ou 2 filhos.

Mas a verdade é que esta discussão sobre uma eventual descida do IVA da eletricidade me era indiferente por uma razão muito simples: já cá vivo há tempo suficiente para saber como as coisas funcionam neste País.

Se o IVA tivesse descido para 6% as famílias iriam sentir uma redução na sua fatura energética mas apenas durante uns meses. Depois disso as empresas fornecedoras iriam perceber que tinham margem para acomodar uma subida de preços e encarregar-se-iam de rever em alta os seus serviços; desta forma a redução do preço a pagar pelo consumidor provocada pela baixa do IVA seria depois “compensada”  pelo aumento das tarifas base.

Resumindo, dentro de alguns meses os consumidores estariam a pagar o mesmo e as empresas do sector energético estariam a lucrar muito mais.

Pior... com uma descida do IVA iríamos provavelmente assistir a um aumento de outros impostos para compensar a redução da receita, e dentro de pouco tempo estaríamos a pagar o mesmo pela eletricidade e a pagar (ainda) mais impostos.

Como tantas vezes tem acontecido, os sacrifícios dos contribuintes são absorvidos pela ganância de algumas grandes empresas mais ou menos monopolistas.

Por viver cá há uns anos, não me incomoda nada a não-descida do IVA na eletricidade; sei bem que a eventual descida seria apenas temporária e que no fim o verdadeiro beneficiário não seria o consumidor.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:06

Gulbenkian Star Wars.jpg

Há uns dias fui à Gulbenkian assistir ao filme/concerto em que exibiram o Império Contra-Ataca com a banda sonora a ser tocada ao vivo pela Orquestra Gulbenkian.

Tinha ganho dois bilhetes num passatempo e queria levar pelo menos 2 filhas ao espetáculo, mas como o concerto estava completamente esgotado não me restava outra alternativa que não fosse tentar uma oportunidade na candonga.

E foi com surpresa que verifiquei que todas as pessoas que estavam a vender bilhetes num site de compras em 2ª mão o estavam a fazer pelo seu valor facial.

Era um espetáculo esgotadíssimo com muita gente disposta a pagar para ir ver, mas nenhuma das pessoas que tinha bilhetes a mais quis fazer qualquer especulação com a preciosidade que tinha para venda.

Parece que os Gulbenkianos têm uma ética especial, ainda bem.

Foi graças a essa ética que consegui ir e levar as minhas filhas (senão tinha-lhes oferecido os meus convites e ficava cá fora tristíssimo).

O espetáculo foi maravilhoso, as miúdas adoraram, e a Força esteve connosco.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 19:31

Dakar-triste (1).png

Há uma frase cruel mas verdadeira (atribuída ao Estaline) que nos diz que um milhão de mortes é uma estatística e uma morte singular é uma tragédia.

É por isso que uma morte como a do Paulo Gonçalves nos deixa tão consternados.

Ver desaparecer uma pessoa que nos habituámos a acompanhar com carinho há décadas (seja um desportista, um artista ou uma figura pública) deixa-nos sempre a sensação de que perdemos alguém, apesar de não a termos conhecido pessoalmente.

Mas há uma outra razão para esta tristeza.

Uma prova como o Dakar tem uma carga mística única que associamos a aventura, coragem, loucura e superação, e esse espírito explorador e aventureiro faz parte do ADN da humanidade.

De alguma forma, os aventureiros que fazem um Dakar ou outra prova com essas características, são descendentes diretos de outras gerações de aventureiros que ao longo dos séculos exploraram a terra, os mares ou o espaço, gente que foi aos polos, escalou montanhas ou atravessou regiões inóspitas.

É também por isso que quando vemos as imagens de uma mota no Dakar sentimos um apelo ao nosso lado aventureiro de que todos temos um pouco.

No fundo, com maior ou menor intensidade, todos já tivemos um momento em que nos apeteceu sermos nós a partir à aventura.

E é também por isso que aqueles pilotos não estão a correr só por si, estão também a representar-nos e a correr por nós.

Não me levem a mal a hipérbole mas, mal comparado, é um pouco como a pegada do Armstrong na lua que era apenas um pequeno passo para o homem mas um salto gigante para a humanidade; aquele homem não se representava só a si – representava toda a humanidade.

De cada vez que um piloto arranca na sua mota para mais uma etapa de um qualquer Dakar, também leva consigo um pouco dos sonhos e ambições de todos os que ficam em casa a torcer por eles.

É também por isso que a morte do Paulo Gonçalves nos toca tanto – é que na sua mochila não ia só a sua ambição, também ia um pouco dos nossos sonhos de aventura que nunca conseguimos realizar.

E com a sua morte morre também um pouco do nosso sonho...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 12:15

Vai-te Katar...

27.11.19

thumb-00002.png

Quando Joacine Katar Moreira disse que tinha ganho o lugar de deputada sozinha foi arrogante, quando alinhou numa lavagem de roupa suja do partido na praça pública foi incompetente, e quando justificou todos os problemas de comunicação apenas com as falhas dos outros foi irresponsável.

Para quem apenas agora chegou a estes palcos, não se pode dizer que a primeira impressão que deixou tenha sido boa.

Mas hoje Joacine Katar Moreira assumiu uma postura política assustadora.

Quando se pede uma escolta militar dentro do edifício do Parlamento para afastar os jornalistas de um deputado, seja ele qual for, cai a máscara e mostra-se a verdadeira face.

Se esta gente, ao fim de apenas um mês, já revela estes tiques de prepotência e de abuso de poder, imaginem o que seria esta gente a mandar.

Sendo apenas uma deputada, o caso pode parecer apenas ridículo.

Mas se esta Joacine, deputada há um mês, já se dá à arbitrariedade de mandar chamar a GNR para a “proteger” dos jornalistas, imaginem esta Joacine com poder.

Por estes dias a Joacine Katar Moreira consegue fazer com que o André Ventura pareça um menino do coro.

De uma coisa tenho a certeza: se o arrependimento matasse o Rui Tavares a estas horas estava a pedir orçamentos à Servilusa...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:45

Chernobyl.png

Chernobyl é uma série belíssima.

Porque é irrepreensível do ponto de vista artístico e porque apresenta pela primeira vez ao grande público uma sequência trágica de acontecimentos que estava envolta em mistério.

Chernobyl é aterrador não apenas pelo risco das reações dos átomos (indiferentes a regimes ou religiões), mas sobretudo pela mistura explosiva entre nuclear e totalitarismo.

Acontece que Chernobyl não é “apenas” uma série sobre um desastre nuclear; é também um extraordinário retrato sobre o que é o comunismo (ou socialismo soviético ou o que lhe quiserem chamar), e sobre o que é viver num sistema assente na arbitrariedade, na prepotência e no medo.

Acabei de ver a série a poucos dias do nosso 25 de Novembro e por essa razão apeteceu-me evocar os que, naquele dia, arriscaram as suas carreiras e as suas vidas para que Portugal não se transformasse numa república popular de inspiração soviética.

Mas se neste dia costumamos recordar o papel decisivo de militares como Ramalho Eanes ou Jaime Neves, é também importante lembrar que os militares estavam respaldados por uma sociedade civil e por partidos políticos que tinham a mesma visão plural do mundo e da democracia.

Sobretudo nesta altura em que o PS está tão enleado em geringonças para se manter no poder que esqueceu o seu papel pioneiro na história da democracia portuguesa, importa recordar o PS corajoso de ’75, o PS de Mário Soares e do povo a encher a Alameda.

Há relativamente pouco tempo o meu pai contou-me que ele próprio chegou a trazer listas de militantes do PS para casa porque o receio de que a sede no Largo do Rato fosse tomada de assalto era real - ao fim do dia repartiam as folhas com os dados dos militantes por algumas pessoas de confiança que as levavam para casa, e assim não corriam o risco de ter as listas todas concentradas no mesmo local – porque se Portugal virasse mais à esquerda, quem estivesse naquelas listas estava em perigo.

Em minha casa as listas eram colocadas a forrar o balde do lixo (algo que na altura se costumava fazer com jornais antigos) na esperança de que se a casa fosse invadida talvez não fossem procurar ali.

Nem sei porque é que o meu pai levou 40 anos para me contar este episódio que só me deixa orgulhoso porque ele também lutou, também arriscou e estava do lado certo da História.

Hoje, 25 de Novembro de 2019, obrigado a todos os que em Novembro de ’75 fizeram cumprir Abril de ’74.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:28

Bruno Fernandes (1).jpg

Ser jornalista é uma profissão de alto risco nalgumas partes do globo e são muitas as vezes em que o dever de informar é pago com a vida; noutras zonas o risco físico é menor ainda que a função de jornalista exija trabalho, pesquisa, audácia, coragem, etc.

Mas em Portugal existe uma sub-espécie de jornalista que está sempre salvaguardado e que nem precisa de sair da redação (ou de casa) para produzir centenas e centenas de “notícias” - refiro-me aos “jornalistas desportivos” nos períodos em que o mercado das contratações está aberto.

Para esses “jornalistas” o fabrico de notícias é um jogo de casino em que ganham sempre.

Tudo o que têm que fazer é noticiar que um determinado jogador está próximo de assinar (ou está a ser seguido) por um determinado clube. Depois, nos dias e semanas seguintes, só têm que fazer copy-paste dessa “notícia” alterando apenas o nome do suposto clube de destino.

De 1 de Julho a 31 de Agosto dá para assegurar que “de acordo com as nossas fontes” um determinado jogador será transferido para um máximo de 60 clubes diferentes.

A meio do processo é importante deixar um dia livre em que explicam que o jogador até pode ficar no clube de origem por várias razões.

E podem ir desmultiplicando a notícia com as variações de “Jogador mais perto do... / Jogador mais longe do...” .

É que a menos que o jogador se transfira para a NASA e vá jogar em Marte, o jornalista acabará sempre por acertar nas suas "previsões".

Depois de o dar como garantido em quase todos os clubes possíveis, e seja qual for o desfecho, o jornal poderá sempre dizer: “tal como noticiámos há uns dias, o jogador vai rumar ao clube X / vai permanecer no clube Y” (riscar o que não interessa).

Felizmente a FIFA só permite duas janelas de mercado por ano porque senão, uma novela como a que os jornais inventam para o Bruno Fernandes poderia durar vários anos.

É uma espécie de totobola com 13 triplas – acertam sempre.

Não sei se será muito sério, mas chamam-lhe jornalismo...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:21

BdC-Apoiantes (1).jpg

Bruno de Carvalho tem-se queixado de que está a ser alvo de uma perseguição inédita na história do planeta; diz ele que o que me aconteceu nunca foi visto no mundo”.
E tem razão: qualquer pessoa que tenha acabado o liceu com aproveitamento dificilmente encontra na História Universal um episódio de perseguição mais gritante do que este.
E perante este cenário de injustiça, acho que chegou o momento de mostrarmos um pouco de solidariedade – pela minha parte é o que conto fazer.

Há cerca de um ano atrás Bruno de Carvalho afirmou peremptoriamente o seu desejo: "Hoje deixei de ser para sempre sócio e adepto deste clube".
E explicou-nos que ia escrever uma carta ao Sporting: “A minha carta de suspensão vitalícia de sócio segue segunda feira e nunca mais seguirei sequer os eventos desportivos do clube”.
Mas por alguma razão a carta perdeu-se e de pouco nos serve agora tentar apurar se a responsabilidade é dos CTT ou dos serviços administrativos do clube.
O que nos interessa é que no sábado há uma Assembleia Geral e podemos finalmente ajudar Bruno de Carvalho a realizar o seu sonho de deixar de ser sócio do Sporting.

Todos juntos vamos conseguir...

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 13:30

Desta vez não me apeteceu ficar quieto.

Há uns dias vi um vídeo que me comoveu: era a apresentação do projeto Las batas más fuertes da revista espanhola Panenka.

Resumidamente, eles pegam em camisolas de futebol e transformam-nas em batas hospitalares para crianças internadas – nada mais simples, mas ao mesmo tempo nada mais impactante para uma criança - achei genial.

Vi, cliquei no like, mas fiquei a pensar... e se em vez de me ficar pelo like ou pela partilha, tentasse reproduzir esta ideia em Portugal?

Passei estes dias com a cabeça a fervilhar...

Primeiro criei um projeto gráfico para sustentar a iniciativa, e depois contactei os promotores da ideia original em Espanha para os informar do meu interesse em replicar o conceito, e para pedir autorização para traduzir, legendar e adaptar o seu vídeo – o que foi aceite.

Com o trabalho de casa feito, pedi aos amigos para que me conseguissem encontrar os contactos das pessoas que, dentro dos clubes e da Federação, estivessem perto de lugares de decisão. Queria evitar estar a enviar e-mails para as caixas do "geral@..." sob pena de andar ali às voltas sem rumo ou de ir parar a uma qualquer caixa de spam.

Os e-mails com o pdf da apresentação do projecto e o link do vídeo já seguiram para os destinatários certos, e como a iniciativa é boa e solidária, a adesão tem sido entusiasmante.

Na próxima semana já tenho agendada uma reunião com o presidente da Fundação de um dos “Grandes” e aguardo ansiosamente por respostas ou desenvolvimentos dos outros parceiros.

Para além disso tudo, ando feliz por ter quebrado a barreira da indiferença, por ter arregaçado as mangas e ter começado a “fazer alguma coisa”.

Não sei como isto vai acabar, mas sei que posso ter ajudado a começar algo.

Ser ativamente solidário é um pouco como quando começamos a fazer algum desporto; só o facto de abandonarmos o sedentarismo já é uma vitória pessoal.

Se quiserem ajudar a divulgar esta ideia, podem sempre partilhar o link do vídeo do youtube - quanto mais viral se tornar, mais fácil será persuadir parceiros e/ou patrocinadores a abraçarem esta ideia.

E se quiserem aceder à apresentaçáo do projecto, está aqui: Esta Bata Tem Poderes.pdf

Não é para me gabar, mas acho que ficou linda...

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 09:49

Vara.jpg

A verdade é que algo no sistema falhou no caso do Armando Vara.

Não era suposto ele ser preso.

Quando o poder político cria as leis fá-lo naturalmente com o objectivo de servir certos interesses: umas vezes as leis servem os interesses da comunidade, outras vezes as leis servem os interesses de pequenos grupos que têm o (enorme) poder de influenciar a feitura das leis.

Uma coisa é certa: ninguém quer ser preso.

É por isso natural que o poder político faça leis que, na prática, quase impedem os políticos (e os seus amigos) de chegarem a ser presos – é o caso manifesto da lei que prevê as prescrições dos crimes.

A prescrição de crimes é uma ferramenta utilizada pelo poder político para assegurar que as elites (que têm poder político ou económico) dificilmente venham a cumprir penas pelos crimes que eventualmente cometam.

É claro que as leis são gerais e abstratas e a prescrição se aplica, em teoria, a todos os crimes e a todos os arguidos. A questão é que a maior parte dos criminosos não tem meios para pagar os bons advogados, os incidentes processuais e os recursos para tribunais superiores que depois, com o passar do tempo, asseguram a prescrição dos seus crimes – isto é, a maior parte dos criminosos não tem dinheiro para comprar a sua impunidade.

Sendo assim, a figura jurídica da prescrição de crimes aplica-se quase exclusivamente à elite política e financeira do País.

Quando estoirou o “caso BCP” já se sabia que Jardim Gonçalves sairia incólume porque tudo acabaria por prescrever, como veio a suceder.

Oliveira e Costa já foi condenado a 27 anos de prisão mas continua em liberdade e todos sabemos que dificilmente irá preso. Não lhe faltam recursos financeiros para interpor recursos judiciais e, com 83 anos, daqui a uns tempos pode sempre alegar que está velho e doente.

E se alguém se desse à maçada de fazer uma sondagem sobre o que os portugueses acham que vai acontecer a Ricardo Salgado, a maioria (senão a totalidade) responderia que não vai acontecer nada. Não se trata de tentar antecipar se cometeu ou não algum crime e se será ou não condenado; trata-se da certeza de saber que, mesmo que os tenha cometido e que seja condenado nas primeiras instâncias, nunca pagará de facto por eles.

É por isso natural que Armando Vara esteja indignado. Ele foi ministro e banqueiro, tem um currículo que à partida o tornaria intocável perante os tribunais portugueses.

O sistema foi criado para assegurar que pessoas como ele não iriam presas e, aparentemente, o sistema falhou.

 

Neste sentido a sua detenção chega a ser perversa porque acaba por branquear o funcionamento da justiça e a razoabilidade da lei das prescrições.

Armando Vara é uma espécie de mula para o poder político e financeiro de Portugal.

Por vezes os traficantes sacrificam um pequeno correio de droga para distraírem as autoridades e facilitarem a passagem de um carregamento maior noutro local.

Apesar de o seu caso ser uma excepção, Armando Vara será usado como um “exemplo” do suposto funcionamento de uma justiça cega que afinal até prende os poderosos, assegurando que a lei das prescrições continua a garantir a impunidade de (quase) todos os outros.

Agora o povo está entretido a falar da prisão do Vara e até dorme mais descansado e confiante.

Enquanto isso, outros crimes de gente mais poderosa e influente prescrevem discretamente nas gavetas dos tribunais.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:00


O LIVRO

Capa_OK

Mais sobre mim

foto do autor



Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D