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Quando o Paulo Portas ainda era “apenas” o Diretor do Independente, o meu tio Jorge que é comunista (acontece nas melhores famílias) dizia-me a brincar que o achava potencialmente perigoso. E justificava-se: para o meu tio Jorge o Paulo Portas era um homem muito inteligente, e para ele não havia nada mais “perigoso” do que um tipo que fosse simultaneamente de direita e muito inteligente.

E eu, que simpatizava com aquele Paulo Portas, retive esse misto de admiração e respeito que é saudável ter-se por aqueles que consideramos nossos adversários.

Essa recordação veio-me agora à memória a propósito do novo partido de André Ventura.

Não por causa de algum ponto em comum entre este Ventura e aquele Portas (que não existe) mas, pelo contrário, porque de André Ventura não se pode dizer que seja um homem “muito inteligente”.

 

O partido chama-se "Chega", e o nome é demasiado mau para ser verdade. "Chega" apresenta uma ideia de rutura, mas não mostra nenhum caminho alternativo; não soa bem, não tem dinâmica de vitória, não tem boa onda ou uma conotação com algo de positivo por que valha a pena lutar.

O nome "Chega" é, objetivamente, uma desgraça. “Chega” é apenas uma interjeição desesperada de quem está farto e não sabe o que há de fazer, como alguém que se esqueceu do guarda-chuva e apanhou uma molha, e ainda passou um carro a abrir e o deixou ensopado. Nesse sentido o partido também se poderia chamar "Parem Lá Com Isso", "Ai Que Chatice", ou "Poças Que Já Estou Irritado".

Também se podia chamar “Porra”, “Merda”, ou num partido mais extremista “Foda-se”.

Aliás, se eu tivesse que fazer campanha acho que preferia andar pela rua a apelar “vota Foda-se” do que a dizer “vota Chega”.

Na noite das eleições os jornalistas vão dizer que os votos do Chega não chegam para eleger um deputado? Ou pelo contrário vão dar a notícia de que o Chega chega ao parlamento?

Será que o André Ventura ainda não percebeu que em vez de um partido fundou uma anedota?

 

Adiante... deixemos o nome e vamos ver as suas propostas.

O primeiro cartaz conhecido é este:

Ventura-1.png

Temos a pergunta “andamos a sustentar quem não quer fazer nada?” dentro de um elemento gráfico em forma de seta que aponta para um tipo de braços cruzados, vestido de forma desleixada com roupa que parece da feira e com a barba mal aparada – o retrato do arquétipo do preguiçoso despesista.

Ora acontece que o retratado, apesar de parecer um cigano em dia de casamento, é o próprio André Ventura que encomendou o cartaz. O grande líder conseguiu mandar fazer um cartaz com a sua foto de braços cruzados e uma seta a apontar e a alegar que ele próprio é um parasita da sociedade.

Não sei se lhe gabe o sentido de autocrítica, se aplauda a coerência de continuar no patamar da anedota.

 

O segundo cartaz/proposta que deram à estampa é este:

Ventura-2.jpg

Aqui temos a afirmação de que “100 deputados chegam e sobram” por oposição aos 230 deputados que tem atualmente o nosso Parlamento.

Ora acontece que quanto menor for o número de deputados, mais votos vão ser necessários para eleger um deputado tornando a eleição de representantes de novos partidos quase impossível.

Não é preciso ser-se muito inteligente para compreender isto: o meu Zé que tem 9 anos percebe que se reduzirmos o número de deputados para metade vai ser preciso o dobro dos votos para eleger cada deputado – ele anda no 4º ano e já resolve problemas deste calibre, quando o André Ventura nem “chega” a perceber o enunciado.

Nem vou discutir se a medida é boa ou má; a questão é que se esta medida do Chega fosse aprovada, os principais prejudicados seriam os partidos mais pequenos e em especial os novos partidos que seriam banidos de qualquer possibilidade de eleição futura.

E o André Ventura nem percebeu que está a propor uma ideia que faria do seu partido um nado-morto.

 

Enquanto cidadão e eleitor, confesso que já me vai faltando a paciência para os partidos do sistema e os seus rebanhos de deputados mais ou menos invisíveis, ou que só são notícia quando são apanhados nalguma trafulhice a falsear moradas ou registos de presença.

Portugal precisa de ruturas, de caras novas e de ideias novas, mas convinha que fossem corporizadas por pessoas com um QI de pelo menos dois dígitos.

Bem sei que é positivo que em Portugal uma pessoa como o André Ventura possa fundar um partido - é um sinal de que somos um país que oferece algumas oportunidades às pessoas com deficiência.

Ainda assim, para mais políticos com a honestidade intelectual e a inteligência do André Ventura eu diria, numa palavra, CHEGA!

 

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publicado às 22:18

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Quando soube que ia ser pai fiz imensos planos fantásticos que ficaram pelo caminho. Um deles era aprender a fazer surf - a ideia era aprender, apaixonar-me pela modalidade e depois ser eu o impulsionador da prática do surf pelos meus filhos.
Aquela junção entre prática desportiva e contacto com a natureza parecia-me uma coisa muito “boa onda”, no sentido literal do termo.
Como sou gajo tratei logo de comprar uma prancha, claro; felizmente arranjei uma em 2ª mão o que pelo menos reduziu drasticamente o custo do “passo em falso”.
Entretanto descobri que em vez de um filho eram gémeos, depois vieram mais 2 filhos e entre faltas de tempo, desculpas e dificuldades várias, a prancha ficou orgulhosamente dentro do saco e encostada à parede durante... 13 anos.

 

Até que este verão decidi tentar ter umas aulas de surf.
E como costumamos ir para a praia do Malhão, perto de Milfontes, achei que era uma excelente ideia tentar ter algumas aulas com eles.
Como imaginarão a coisa complicou-se e de que maneira...
Andei à procura nuns sites e percebi que o preço normal de uma alua de surf ronda os 25€, o que a multiplicar por 5 dava uma pequena fortuna por aula. Admito que o problema não seja o preço (que até inclui o aluguer de todo o equipamento) mas sim o meu orçamento limitado – de qualquer forma o sonho era impossível.
Encontrei escolas que faziam um desconto num pacote de 5 aulas por pessoa mas isso dava um conjunto de 25 aulas; contactei algumas a indagar sobre a possibilidade de um “desconto de grupo”, parceria com a página de FB e o blog mas não estava a ser fácil – e eu não podia pagar mais 500 ou 600€ por umas aulas de surf (para além do custo “normal” das férias).

Por fim encontrei quem precisava: a 7ª Essência – Escola de Surf e Bodybord, uma escola da zona de Lisboa (operam na Ericeira, Carcavelos e Caparica) mas que em Agosto desce até Milfontes.
Apresentaram de longe a melhor proposta  e como eu não queria fazer disto uma coisa episódica (e como a escola é da zona de Lisboa) já sei com quem é que falo quando tiver a oportunidade/disponibilidade de fazer mais umas aulas.

A experiência foi maravilhosa e os miúdos aderiram antes mesmo de começar; mal lhes disse que iriam ter aulas de surf os olhos brilharam logo.
Na praia conhecemos o João, o mentor da escola, e mais tarde o Duarte e o Diogo que foram uns instrutores insuperáveis no carinho e dedicação aos alunos (para além do Francisco que nos tirou umas fotos).
O João é um líder e o Duarte e o Diogo têm (muito) mais jeito com miúdos do que eu.

É claro que ao fim de 5 aulas ainda se está a começar mas, pelo menos, já começámos a começar.
E é também evidente que as fotos e os vídeos não fazem justiça ao entusiasmo que se sente dentro de água.
Sucede que no mar sofremos de um problema de perspetiva que distorce tudo.
Quando estamos deitados na prancha temos a altura do nosso corpo na horizontal, e como temos a cabeça quase ao nível da superfície da água qualquer elevação nos parece desafiante.
Resumindo, quando estamos deitados na prancha, quaisquer 40cm de onda (ou de espumaço) nos parece quase imponente.
Remamos, esforçamo-nos por apanhar o ritmo, vemos aquela onda maior do que nós a aproximar-se (sim, nesse momento nós estamos deitados e por isso só temos 30cm de “altura”), e quando sentimos o empurrão da onda fazemos o movimento que nos ensinaram para nos pormos de pé.
Mordemo-nos para chegar à vertical, ajustamos a posição dos pés, esbracejamos para manter o equilíbrio, e se conseguimos surfar durante uns metros a sensação de “prova superada” é maravilhosa.

1-Eu-1.jpg

O ego só volta ao normal mais tarde quando vemos a foto (tirada quando já estávamos de pé) e constatamos que afinal aquela onda que, quando deitados, parecia ser do nosso tamanho, era afinal uma espuma que nos dava abaixo do joelho. É quase caricato o esforço que se faz para dominar uma espuminha de poucos centímetros mas é mesmo assim que se começa.

Tudo isto para vos dizer que nos divertimos muito mais do que aquilo que as fotos podem deixar entender.
Um dos prazeres maiores que tive nem teve a ver com a minha evolução. Adorei fazer esta iniciação ao surf, mas melhor do que ter sido feliz foi ter visto o esforço e a alegria dos miúdos.

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Os nossos filhos são sempre uma versão melhorada de nós e nestas idades absorvem tudo num instante e progridem muito mais depressa do que nós (ok, o facto de serem mais ágeis e com um centro de gravidade mais baixo também ajuda).

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Mesmo quando eu falhava uma abordagem ou quando caía cedo de mais e ficava com pena por não ter aproveitado aquela onda, bastava-me olhar à volta e vê-los a desfrutarem as suas ondas para me sentir completamente realizado.

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Vê-los a surfar as suas ondas até ao fim, chegarem à areia e regressarem a correr lá para dentro sem pensar em mais nada foi uma parte importante do prazer do “meu” surf.

3-Rosinha-1.jpg

Resumindo, há três coisas que vos posso sugerir:
1 – Experimentem porque é maravilhoso; é um desporto que recomendo para todas as idades e lá em casa, dos 7 aos 48, toda a gente adorou.
2 – Aproveitem o inverno para terem umas lições de iniciação (com os fatos não se sente frio e está muito menos gente na água) e assim quando chegar o verão vocês e os vossos filhos já poderão ter alguma autonomia.
3 – Se forem da zona de Lisboa, da Ericeira à Caparica, a 7ª Essência é o parceiro/amigo de que precisam.

Capa-surf_Bolota.jpg

 

 

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publicado às 23:56

Captura de ecrã 2019-01-07, às 13.34.48.png

É a polemicazinha do dia: o Presidente da República ligou em direto para o programa da Cristina Ferreira para lhe desejar sucesso nesta nova etapa da sua vida e logo apareceram os críticos a malhar no Presidente por ter “descido” ao submundo cor-de-rosa e/ou superficial dos programas da manhã.

Não me parece contudo que Marcelo Rebelo de Sousa seja um tipo de pessoa que faça (muitas) coisas por acaso...

 

Na semana passada assistimos ao espetáculo grotesco de ver Manuel Luís Goucha, um homossexual assumido, convidar o líder dos skinheads para lhe dar palco e tempo de antena no seu programa.

Um convite a Mário Machado seria sempre abjecto; mas ser alguém que faz parte de uma minoria a oferece a sua “casa” para promover um convidado condenado e cadastrado por violência extrema contra minorias é o patamar zero da dignidade humana.

O programa do Goucha causou a polémica que ele pretendia, as redes sociais incendiaram-se e até já circula uma carta aberta “exigindo” uma condenação por parte das mais altas figuras do Estado.

 

É aqui que entra o tacticismo soft-power do prof. Marcelo e na primeira oportunidade que teve tomou a sua posição enquanto cidadão - ligou à antiga colega do Goucha (e sua nova concorrente) para lhe desejar publicamente sorte neste seu novo projeto.

Acredito que o prof. Marcelo goste genuinamente da Cristina Ferreira (eu cá gosto!) mas se quisesse incentivar a sua amiga, qualquer telefonema ou sms noutra altura cumpririam esse propósito.

Se o fez de forma pública foi porque quis marcar, publicamente, uma posição.

Não meus amigos, não acho que o Presidente da República tenha descido ao planeta cor-de-rosa dos programas da manhã para se misturar com cantores pimba e especialistas em tarot - acho que o Presidente da República deu publicamente uma chapada (de luva branca) na insalubre descida ao esgoto da imoralidade e da violência em busca de audiências a qualquer preço protagonizado pelo Goucha.

O Presidente mostrou que, para ele, não vale tudo para se ter sucesso.

 

Esta "leitura" pode ser excesso de optimismo da minha parte mas ainda assim, pela minha parte, obrigado pelo seu gesto Sr. Presidente.

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publicado às 14:40

Um pouco por todo o mundo, temos assistido à chegada ao poder de pessoas que ganharam fama pela sua atitude populista, agressiva, pela truculência, animosidade e pela violência da sua linguagem.

Dos Estados Unidos às Filipinas, do Brasil à Turquia, exemplos não faltam nesta “onda” que parece imparável.

E se Portugal tem passado ao lado desta vaga de crescimento da violência e da intolerância no discurso politico, no futebol tivemos no passado recente um exemplo flagrante de alguém que usava a ofensa, o confronto e a violência como forma de se expressar pessoal e institucionalmente.

Bruno de Carvalho promoveu a sua “normalização da violência” contra tudo e contra todos, e acabou o seu mandato num registo de pura ofensa pessoal.

Aos seus opositores Bruno de Carvalho chamou publicamente de ratos, tarados, carentes de sexo, vermes, porcos, ressabiados, toxicodependentes, nojentos, rastejantes, pedófilos, alcoólicos, e mais um rol de ataques pessoais e ofensas nunca vistos naquilo a que chamamos “espaço público”.

E apesar de muitos associados reconhecerem mérito à sua gestão (basta lembrar os 86% com que foi eleito, o pavilhão que construiu e os títulos que ajudou a conquistar em várias modalidades), chegou um momento em que a massa associativa do Sporting achou que o clima de agressividade e violência que se vivia se tinha tornado insuportável.

 

E aí, perdoem-me a imodéstia, o Sporting deu uma lição de civismo ao mundo: numa altura em que assistimos a uma onda de populismo e a um recrudescimento do discurso violento e intolerante, os sportinguistas promoveram o seu primeiro processo de destituição de um presidente, destituído precisamente por reunir essas características tão em voga.

Em dois momentos distintos a massa associativa do Sporting recusou de forma clara essa postura: quando mais de 70% dos votos sentenciaram a destituição do presidente Bruno de Carvalho, e meses mais tarde quando bateram o record de participação numas eleições para a nova direcção do clube quando o ex-presidente apelou ao boicote.

No plano do civismo, do culto da democracia e do respeito pelos outros, o Sporting foi absolutamente exemplar e os seus sócios portaram-se como verdadeiros campeões.

 

Só nos falta um último desafio para podermos arrumar definitivamente a figura de Bruno de Carvalho no album do passado: devemos participar na AG do próximo sábado e votar favoravelmente as medidas propostas pelo Conselho de Disciplina.

É importante que façam um desvio no vosso sábado e passem pelo Pavilhão João Rocha para votar e cumprir mais uma vez o nosso  dever cívico.

Se não participarmos, arriscamo-nos a que “outros” decidam por nós e já sabemos como isso pode acabar mal. Ainda na última AG os acólitos do antigo presidente quase conseguiam boicotar a aprovação do orçamento para este ano o que representaria um dano tremendo para a estabilidade do Sporting. São pessoas que não hesitariam em prejudicar o clube se conseguissem maximizar a sua voz minoritária numa AG pouco participada.

Não é só por causa do que aconteceu em Alcochete nem pelas suspeitas de gestão danosa que têm sido noticiadas (como aqui ou aqui).

É porque aquele discurso de confronto permanente, de animosidade, de criação de inimigos e de apelo à intolerância não é aceitável no mundo que queremos construir, seja no futebol ou na política.

Vamos virar definitivamente esta página da nossa história.

Vamos fazer desaparecer este pesadelo para que depois possamos começar a construir o nosso sonho.

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publicado às 23:32

 

BdC-cartoon.jpg

Não haverá por aí muita gente que goste menos do Bruno de Carvalho do que eu (como facilmente se percebe pelo texto que escrevi aqui).

Ainda assim, e independentemente do resultado das investigações e dos processos em curso, não gosto nada da imagem de uma “justiça” que se parece pôr em bicos de pés para dar nas vistas. Bruno de Carvalho já tinha afirmado a sua disponibilidade para ser interrogado onde e quando as autoridades judiciais quisessem.

Prendê-lo num domingo à tarde para ser ouvido dois dias depois é algo que para mim não faz sentido, a menos que seja explicado.

Fez-me lembrar a prisão do Paulo Pedroso há uns anos em directo em plena AR; na altura pareceu que o principal objectivo era mostrar o magistrado justiceiro quando seria perfeitamente possível levar o suspeito a depor e/ou prendê-lo sem aquele circo em direto nas televisões.

Desta vez, ou existia a suspeita fundada de que BdC poderia fugir do pais ontem à noite ou então poderia ser intimado a depor hoje (ou detido para interrogatório) - tudo o resto é excesso para consumo mediático que pouco enobrece a justiça.

E muito honestamente, a última coisa que me apetecia era que a figura mais sinistra da história do meu clube (e uma das mais sinistras da história recente do meu país) aparecesse agora no papel de “vitima”...

 

P.S. penso que o cartoon é  do Henrique Monteiro, aqui do sapo - eu só acrescentei as grades...

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publicado às 19:25

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Não meus amigos, os povos não mudam assim.

No espaço de alguns meses, dois países de grandes dimensões mudam radicalmente o estilo da liderança em quem votam.

Nos Estados Unidos Obama deu lugar a Trump, e no Brasil Bolsonaro prepara-se para suceder a Dilma.

São dois exemplos particularmente elucidativos.

 

Nos Estados Unidos os americanos tinham votado em Obama, um afro-americano que pertence a uma minoria étnica que representa menos de 15% da população; foi uma das maiores manifestações de tolerância racial da história da humanidade.

Nós que andámos 500 em África e temos a mania de que praticámos uma miscigenação fofinha e não somos racistas, nunca elegemos um preto/negro para uma junta de freguesia que fosse e enquanto isso os americanos elegeram um afro-americano para o lugar mais importante do Estado.

E contudo, 4 anos depois, o mesmo povo elegeu Trump com os seus tiques racistas e o seu discurso xenófobo e intolerante.

 

No Brasil os brasileiros tinham eleito Dilma Rousseff, uma mulher socialista, para a Presidência do País.

E agora, passados apenas 4 anos, preparam-se para eleger Bolsonaro com os seus tiques autoritários e o seu discurso misógino.

 

O que é que aconteceu para que estes povos tivessem alterado de forma tão substancial o seu sentido de voto?

Como é que se passa do afro-americano para o xenófobo e da mulher para o misógino?

Haverá muitas explicações mas o facto de o povo ter “mudado” de forma tão radical não é uma delas.

As pessoas que votaram Obama e depois Trump não se tornaram xenófobas em 4 anos, e as pessoas que elegeram Dilma e se preparam para votar Bolsonaro não se transformaram em misóginas de repente.

A culpa não é do povo que vota neles, a culpa é de nós todos e daquilo que deixámos fazer às nossas democracias a ponto de o povo já não lhe dar valor e não achar o regime insubstituível.

Permitimos que o espaço público fosse contaminado pelo discurso do ódio e da intolerância, mas também deixámos que se criassem as condições para que esse discurso vingasse.

Deixámos morrer as ideologias até chegarmos a um ponto em que a esquerda e a direita não se distinguem.

Deixámos que a classe política se corrompesse a ponto de o poder ser exercido com o objectivo de uma certa classe se manter no comando e assegurar as suas redes de interesses e os seus negócios.

Quanto ao povo, excluído desse circuito e sentindo que o exercício da política não serve os seus interesses, vira-se para qualquer candidato a messias que, correndo por fora e afirmando-se anti-político prometa pôr os “outros” na ordem.

É claro que nestas eleições há muita desinformação, é claro que há estratégias de marketing desonestas, é claro que há muita mentira à solta.

Mas também há uma classe política que parece ter-se esquecido das pessoas.

Nos EUA os democratas apostaram numa Hillary associada aos lobbys e aos interesses instalados. E gastaram tantos cartuchos a atacar (legitimamente) o seu oponente que provavelmente lhes sobrou pouco tempo e espaço para falarem dos problemas sentidos pelo cidadão comum; e os americanos preferiram arriscar num outsider que, mal ou bem, falava dos problemas que os preocupavam como o (des)emprego, amigração, etc..

No Brasil, em parte é a corrupção endémica associada ao PT que vai eleger Bolsonaro. Mas foi o próprio PT e o seu candidato que fizeram questão de se colar a Lula de forma algo suicidária, tendo ocupado boa parte do seu tempo a alertar para os perigos de Bolsonado deixando de fora da sua agenda os problemas que preocupam o brasileiro comum.

Até admito que muitos dos que votaram Trump ou se preparam para votar Bolsonaro o façam sem grande convicção mas isso é indiferente: um voto é um voto.

Não sei se votam no candidato que lhes parece bom, talvez votem apenas num que lhes pareça diferente.

Porque o que tinham já conhecem e estão cansados.

E uma pessoa cansada e quase sem esperança, deixa-se levar por qualquer promessa de grandeza ou de salvação...

 

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publicado às 22:15

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Eu nem precisei de o ouvir falar para saber ao que vinha.

Chama-se Jair Messias Bolsonaro e o nome diz tudo.

Seja nome próprio ou apelido, só alguém perigosamente narcísico e egocêntrico se lembraria de deixar o nome “Messias” num filho.

Só alguém absolutamente convencido de que ele é melhor do que os outros, que nasceu para mandar nos outros e de que tem um papel a desempenhar na história chamaria isso a uma criança – é demencial.

Melhor mas não no sentido da competição saudável entre iguais, como o Pelé ou Senna; "melhor" por se achar moralmente superior aos demais, com mais legitimidade, mais poder e mais direitos.

 

Estou por isso convencido que o pequeno Jair foi educado desde pequeno para ser arrogante, sobranceiro, violento e presunçoso.

Educado para ser um fanático e se sentir um ser especial, melhor e mais importante do que todos os outros.

Quem vê no seu filho um “Messias” não o educa para ser um humilde servidor mas para ser o líder de uma seita, um extremista.

Um talibã de uma religião qualquer.

Qualquer pessoa que já tenha manuseado um livro de História, antiga ou contemporânea, sabe que dificilmente existe alguém mais perigoso do que aquele que se julga um messias.

O pequeno Jair foi educado para ser uma merda como pessoa, e é apenas natural que o seja.

 

À parte do “Messias”, que já seria assustador o suficiente, Jair ainda carrega a cruz de se chamar “Bolsonaro”.

Parece o nome de um escândalo financeiro ou de uma investigação policial mas não é – é o apelido de um político brasileiro.

Um político brasileiro cujo nome tem a raiz “bolso” mais um sufixo.

Não é anedota, é karma.

Votar num tipo chamado Jair Messias Bolsonaro seria como votar num tipo chamado Edilson Profeta Lavajato ou num Fabinho Redentor Mensalão.

Antes sequer de ouvir o que tem a dizer, já tem tudo para correr mal.

Já ouviram falar na Lei de Murphy?

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publicado às 00:43

Temos no ar uma nova polémica: a presença de magistrados nos órgãos sociais do Sporting está a causar perplexidade a algumas pessoas.

E a mim, confesso, causa-me perplexidade a perplexidade deles, nomeadamente depois das entrevistas de Manuel Ramos Soares, presidente da Associação Sindical dos Juízes e de Ricardo Costa, Diretor do Expresso.

 

Com declarações um bocado confusas e algo manipuladoras, dão a entender que estes magistrados fazem parte da Direção do Sporting (e não fazem) ou que vão lidar com a gestão do futebol (e não vão).

Os órgãos para os quais foram eleitos são de jurisdição interna do clube: a Mesa da Assembleia Geral e o Conselho Fiscal e Disciplinar. O primeiro é o órgão que convoca e gere as Assembleias Gerais do Clube, e o segundo é o órgão que fiscaliza as contas e o Conselho Diretivo, e aplica medidas disciplinares aos sócios..

Eu até poderia perceber que existissem reservas se algum magistrado tivesse sido nomeado para cargos executivos ou de representação institucional do clube – mas não é manifestamente o caso.

Aliás, a maior parte das pessoas só sabe que estes quatro cidadãos são magistrados porque alguém decidiu fazer disso “notícia”.

Quantos de vós sabem por exemplo, sem ir ao Google, como se chama o vice-presidente da Mesa da Assembleia Geral do FC Porto e qual a sua profissão?

Pois...

 

A mim tanto se me dá que o vice-presidente do Conselho Fiscal e Disciplinar do Porto ou do Farense seja desembargador ou advogado, ou que o secretário da Mesa da Assembleia Geral do Benfica ou do Belenenses seja procurador ou notário – são órgãos jurisdicionais internos dos clubes cuja ação se limita à esfera interna de cada instituição.

Da mesma forma que não me incomoda nada que um magistrado participe nos órgãos sociais de outras associações como corpos de bombeiros, ranchos folclóricos, cooperativas de agricultores ou outros se for essa a sua vontade.

 

O presidente do sindicato dos juízes está contra esta participação por achar que ela pode beliscar a imagem que os cidadãos têm da justiça.

Mas se querem que vos diga, eu acho que a imagem da justiça fica muito mais prejudicada por exemplo quando um juiz desembargador afirma num acórdão que numa violação “a ilicitude [praticada] não é elevada”. A sério, acho muito mais grave o facto de existirem magistrados que acham que a violação não é um crime grave.

E sim, é a mesma pessoa: o presidente do sindicato dos juízes que acha preocupante um magistrado participar nos órgãos sociais de um clube é o mesmo magistrado que acha que 2 tipos violarem uma mulher na casa de banho de uma discoteca é de uma ilicitude mediana.

Ele lá terá as suas prioridades mas por mim estamos conversados...

 

Quanto a Ricardo Costa, usa como argumento a existência de investigações judiciais e o emblemático caso e-toupeira.

Isto é, para explicar que seria imprudente envolver magistrados na vida interna de um clube, Ricardo Costa usa como exemplo um caso onde não está envolvido nenhum magistrado e que demonstra precisamente que ninguém precisa de magistrados para aceder a informação judicial privilegiada e usá-la indevidamente em benefício de um clubes ou de qualquer outra organização.

Ricardo Costa quis apoiar-se na realidade para defender a sua tese, a realidade é que não estava para aí virada...

Mas Ricardo Costa afirma que estes 4 magistrados participam “ativamente na atividade do ponto de vista de uma direção” e isso é falso; são apenas membros de órgãos sociais que se relacionam exclusivamente com os restantes órgãos internos do clube e que aplicam apenas os regulamentos internos do clube.

Acho por exemplo que a credibilidade da justiça ficou mais abalada com a substituição pouco transparente da Procuradora Geral da República. E acho curioso que o Ricardo Costa que tem uma opinião tão forte e veemente e com tantas certezas absolutas quanto à participação dos magistrados nos órgãos sociais dos clubes consiga não ter opinião formada sobre a mudança da PGR, tirando umas evidências sobre o perigo de politização do cargo, daquelas que até o Donald Trump ou a Lili Caneças subscreveriam.

Para Ricardo Costa o que é mesmo preocupante é a possibilidade da acta da reunião da Assembleia Geral da Académica ser escrita por um sócio da briosa que é magistrado lá em Coimbra.

Ui, isso é que mina a confiança dos cidadãos na justiça...

Mas lá está, cada um tem as suas prioridades.

 

Resumindo, a mim não me incomoda que os magistrados participem em órgãos sociais internos de clubes ou associações, e acredito que já vários clubes os tenham tido nos seus órgãos sem que daí tenha vindo nenhuma suspeita ou descredibilização da justiça ou da função dos magistrados.

Todos os males da justiça fossem esses...

 

Podemos passar à próxima polémica?

 

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publicado às 23:25

Fim-do-verão.jpg

Tenho a sorte de não sofrer com o regresso ao trabalho.

Sim, eu adoro estar de férias com a família.

Mas como gosto do que faço e de com quem faço, regressar ao trabalho nunca foi penoso para mim.

Não sofro por antecipação nos últimos dias de férias apesar de me chatear aquela coisa de regressar, arrumar a tralha e fazer/desfazer malas.

Mas a verdade é que este ano adorei aqueles dias-depois-das-férias.

Quando eu voltei ao trabalho os miúdos continuaram de férias, e como a mãe está num período de transição também estava em casa com eles.

Assim, quando eu regressava do escritório, o ambiente em casa era leve e descontraído, sem stress de horas para jantar ou para deitar.

Eu vinha do trabalho, onde tinha estado a fazer coisas de que gosto, e eles tinham estado na praia ou a fazer um pic-nic.

Estava toda a gente satisfeita com o seu dia e no dia seguinte eu não tinha que acordar de madrugada para levar ninguém à escola.

Para mudar a rotina aproveitámos para jantar com a TV ligada, algo que nunca fazemos nos dias “normais” (adoramos ver a National Geographic ou aqueles programas sobre veterinários).

Os últimos dias de Agosto e os primeiros de Setembro foram excelentes, numa espécie de câmara de descompressão entre as férias a sério e o regresso à rotina das aulas.

No fundo as minhas férias acabaram há 3 semanas mas só agora, com o início das aulas, é que sinto o “peso” do regresso.

Ainda assim são apenas os nossos adoráveis First World Problems – são necessários e é uma sorte tremenda viver com eles...

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publicado às 20:02

Feijão-Verde-MontijoX4-blog.jpg

Por achar que merece uma partilha, vou contar-vos a nossa aventura no Feijão Verde do Montijo.

Eu já conhecia um outro Feijão Verde, por causa de uma festa de aniversário de uma amiga da minha filha Joana, mas nessa altura fiquei com a ideia de que era um fun park mais dirigido para crianças pequenas - a Joana e os seus amigos, entre os 6 e os 7 anos, adoraram; mas não estava a imaginar as irmãs mais velhas, de 12, a divertirem-se ali...

Mas à conta da recomendação de uma amiga acabámos por ir até ao Montijo e aí tudo foi diferente: para além das zonas de brincadeira para os mais pequenos havia espaços muito mais virados para a aventura que fizeram as delícias das manas mais velhas e de uns primos que foram connosco.

Até vos digo que algumas das áreas estão claramente pensadas para que os pais possam brincar em família com os filhos.

Por ali há um percurso de arborismo onde os miúdos andam em total segurança a uns 5 metros de altura, uma rampa para descer com boias, um cabo de slide e várias camas elásticas.

Mas a loucura total é a zona dos trampolins onde até os adultos se divertem à grande.

Num espaço grande e arejado temos 3 áreas distintas com vários trampolins encadeados (tipo bounce) com cestos de basket, rede de vólei e piscina de esponjas, tudo pensado para que os miúdos possam saltar (muito) e brincar em segurança.

Os monitores eram uma simpatia e estavam sempre disponíveis para ajudar os miúdos o que ajuda muito a que se aproveite bem o tempo.

Os miúdos não podiam ter saído de lá mais satisfeitos e todos eles, independentemente das idades, adoraram a experiência.

Eles dizem que é o maior fun park indoor do País e eu acredito.

Aproveitem, vale bem a pena a viagem...

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publicado às 19:19


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