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BdC-cartoon.jpg

Não haverá por aí muita gente que goste menos do Bruno de Carvalho do que eu (como facilmente se percebe pelo texto que escrevi aqui).

Ainda assim, e independentemente do resultado das investigações e dos processos em curso, não gosto nada da imagem de uma “justiça” que se parece pôr em bicos de pés para dar nas vistas. Bruno de Carvalho já tinha afirmado a sua disponibilidade para ser interrogado onde e quando as autoridades judiciais quisessem.

Prendê-lo num domingo à tarde para ser ouvido dois dias depois é algo que para mim não faz sentido, a menos que seja explicado.

Fez-me lembrar a prisão do Paulo Pedroso há uns anos em directo em plena AR; na altura pareceu que o principal objectivo era mostrar o magistrado justiceiro quando seria perfeitamente possível levar o suspeito a depor e/ou prendê-lo sem aquele circo em direto nas televisões.

Desta vez, ou existia a suspeita fundada de que BdC poderia fugir do pais ontem à noite ou então poderia ser intimado a depor hoje (ou detido para interrogatório) - tudo o resto é excesso para consumo mediático que pouco enobrece a justiça.

E muito honestamente, a última coisa que me apetecia era que a figura mais sinistra da história do meu clube (e uma das mais sinistras da história recente do meu país) aparecesse agora no papel de “vitima”...

 

P.S. penso que o cartoon é  do Henrique Monteiro, aqui do sapo - eu só acrescentei as grades...

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publicado às 19:25

USA-Brasilx4.jpg

Não meus amigos, os povos não mudam assim.

No espaço de alguns meses, dois países de grandes dimensões mudam radicalmente o estilo da liderança em quem votam.

Nos Estados Unidos Obama deu lugar a Trump, e no Brasil Bolsonaro prepara-se para suceder a Dilma.

São dois exemplos particularmente elucidativos.

 

Nos Estados Unidos os americanos tinham votado em Obama, um afro-americano que pertence a uma minoria étnica que representa menos de 15% da população; foi uma das maiores manifestações de tolerância racial da história da humanidade.

Nós que andámos 500 em África e temos a mania de que praticámos uma miscigenação fofinha e não somos racistas, nunca elegemos um preto/negro para uma junta de freguesia que fosse e enquanto isso os americanos elegeram um afro-americano para o lugar mais importante do Estado.

E contudo, 4 anos depois, o mesmo povo elegeu Trump com os seus tiques racistas e o seu discurso xenófobo e intolerante.

 

No Brasil os brasileiros tinham eleito Dilma Rousseff, uma mulher socialista, para a Presidência do País.

E agora, passados apenas 4 anos, preparam-se para eleger Bolsonaro com os seus tiques autoritários e o seu discurso misógino.

 

O que é que aconteceu para que estes povos tivessem alterado de forma tão substancial o seu sentido de voto?

Como é que se passa do afro-americano para o xenófobo e da mulher para o misógino?

Haverá muitas explicações mas o facto de o povo ter “mudado” de forma tão radical não é uma delas.

As pessoas que votaram Obama e depois Trump não se tornaram xenófobas em 4 anos, e as pessoas que elegeram Dilma e se preparam para votar Bolsonaro não se transformaram em misóginas de repente.

A culpa não é do povo que vota neles, a culpa é de nós todos e daquilo que deixámos fazer às nossas democracias a ponto de o povo já não lhe dar valor e não achar o regime insubstituível.

Permitimos que o espaço público fosse contaminado pelo discurso do ódio e da intolerância, mas também deixámos que se criassem as condições para que esse discurso vingasse.

Deixámos morrer as ideologias até chegarmos a um ponto em que a esquerda e a direita não se distinguem.

Deixámos que a classe política se corrompesse a ponto de o poder ser exercido com o objectivo de uma certa classe se manter no comando e assegurar as suas redes de interesses e os seus negócios.

Quanto ao povo, excluído desse circuito e sentindo que o exercício da política não serve os seus interesses, vira-se para qualquer candidato a messias que, correndo por fora e afirmando-se anti-político prometa pôr os “outros” na ordem.

É claro que nestas eleições há muita desinformação, é claro que há estratégias de marketing desonestas, é claro que há muita mentira à solta.

Mas também há uma classe política que parece ter-se esquecido das pessoas.

Nos EUA os democratas apostaram numa Hillary associada aos lobbys e aos interesses instalados. E gastaram tantos cartuchos a atacar (legitimamente) o seu oponente que provavelmente lhes sobrou pouco tempo e espaço para falarem dos problemas sentidos pelo cidadão comum; e os americanos preferiram arriscar num outsider que, mal ou bem, falava dos problemas que os preocupavam como o (des)emprego, amigração, etc..

No Brasil, em parte é a corrupção endémica associada ao PT que vai eleger Bolsonaro. Mas foi o próprio PT e o seu candidato que fizeram questão de se colar a Lula de forma algo suicidária, tendo ocupado boa parte do seu tempo a alertar para os perigos de Bolsonado deixando de fora da sua agenda os problemas que preocupam o brasileiro comum.

Até admito que muitos dos que votaram Trump ou se preparam para votar Bolsonaro o façam sem grande convicção mas isso é indiferente: um voto é um voto.

Não sei se votam no candidato que lhes parece bom, talvez votem apenas num que lhes pareça diferente.

Porque o que tinham já conhecem e estão cansados.

E uma pessoa cansada e quase sem esperança, deixa-se levar por qualquer promessa de grandeza ou de salvação...

 

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publicado às 22:15

Bolsonaro.jpg

Eu nem precisei de o ouvir falar para saber ao que vinha.

Chama-se Jair Messias Bolsonaro e o nome diz tudo.

Seja nome próprio ou apelido, só alguém perigosamente narcísico e egocêntrico se lembraria de deixar o nome “Messias” num filho.

Só alguém absolutamente convencido de que ele é melhor do que os outros, que nasceu para mandar nos outros e de que tem um papel a desempenhar na história chamaria isso a uma criança – é demencial.

Melhor mas não no sentido da competição saudável entre iguais, como o Pelé ou Senna; "melhor" por se achar moralmente superior aos demais, com mais legitimidade, mais poder e mais direitos.

 

Estou por isso convencido que o pequeno Jair foi educado desde pequeno para ser arrogante, sobranceiro, violento e presunçoso.

Educado para ser um fanático e se sentir um ser especial, melhor e mais importante do que todos os outros.

Quem vê no seu filho um “Messias” não o educa para ser um humilde servidor mas para ser o líder de uma seita, um extremista.

Um talibã de uma religião qualquer.

Qualquer pessoa que já tenha manuseado um livro de História, antiga ou contemporânea, sabe que dificilmente existe alguém mais perigoso do que aquele que se julga um messias.

O pequeno Jair foi educado para ser uma merda como pessoa, e é apenas natural que o seja.

 

À parte do “Messias”, que já seria assustador o suficiente, Jair ainda carrega a cruz de se chamar “Bolsonaro”.

Parece o nome de um escândalo financeiro ou de uma investigação policial mas não é – é o apelido de um político brasileiro.

Um político brasileiro cujo nome tem a raiz “bolso” mais um sufixo.

Não é anedota, é karma.

Votar num tipo chamado Jair Messias Bolsonaro seria como votar num tipo chamado Edilson Profeta Lavajato ou num Fabinho Redentor Mensalão.

Antes sequer de ouvir o que tem a dizer, já tem tudo para correr mal.

Já ouviram falar na Lei de Murphy?

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publicado às 00:43

Temos no ar uma nova polémica: a presença de magistrados nos órgãos sociais do Sporting está a causar perplexidade a algumas pessoas.

E a mim, confesso, causa-me perplexidade a perplexidade deles, nomeadamente depois das entrevistas de Manuel Ramos Soares, presidente da Associação Sindical dos Juízes e de Ricardo Costa, Diretor do Expresso.

 

Com declarações um bocado confusas e algo manipuladoras, dão a entender que estes magistrados fazem parte da Direção do Sporting (e não fazem) ou que vão lidar com a gestão do futebol (e não vão).

Os órgãos para os quais foram eleitos são de jurisdição interna do clube: a Mesa da Assembleia Geral e o Conselho Fiscal e Disciplinar. O primeiro é o órgão que convoca e gere as Assembleias Gerais do Clube, e o segundo é o órgão que fiscaliza as contas e o Conselho Diretivo, e aplica medidas disciplinares aos sócios..

Eu até poderia perceber que existissem reservas se algum magistrado tivesse sido nomeado para cargos executivos ou de representação institucional do clube – mas não é manifestamente o caso.

Aliás, a maior parte das pessoas só sabe que estes quatro cidadãos são magistrados porque alguém decidiu fazer disso “notícia”.

Quantos de vós sabem por exemplo, sem ir ao Google, como se chama o vice-presidente da Mesa da Assembleia Geral do FC Porto e qual a sua profissão?

Pois...

 

A mim tanto se me dá que o vice-presidente do Conselho Fiscal e Disciplinar do Porto ou do Farense seja desembargador ou advogado, ou que o secretário da Mesa da Assembleia Geral do Benfica ou do Belenenses seja procurador ou notário – são órgãos jurisdicionais internos dos clubes cuja ação se limita à esfera interna de cada instituição.

Da mesma forma que não me incomoda nada que um magistrado participe nos órgãos sociais de outras associações como corpos de bombeiros, ranchos folclóricos, cooperativas de agricultores ou outros se for essa a sua vontade.

 

O presidente do sindicato dos juízes está contra esta participação por achar que ela pode beliscar a imagem que os cidadãos têm da justiça.

Mas se querem que vos diga, eu acho que a imagem da justiça fica muito mais prejudicada por exemplo quando um juiz desembargador afirma num acórdão que numa violação “a ilicitude [praticada] não é elevada”. A sério, acho muito mais grave o facto de existirem magistrados que acham que a violação não é um crime grave.

E sim, é a mesma pessoa: o presidente do sindicato dos juízes que acha preocupante um magistrado participar nos órgãos sociais de um clube é o mesmo magistrado que acha que 2 tipos violarem uma mulher na casa de banho de uma discoteca é de uma ilicitude mediana.

Ele lá terá as suas prioridades mas por mim estamos conversados...

 

Quanto a Ricardo Costa, usa como argumento a existência de investigações judiciais e o emblemático caso e-toupeira.

Isto é, para explicar que seria imprudente envolver magistrados na vida interna de um clube, Ricardo Costa usa como exemplo um caso onde não está envolvido nenhum magistrado e que demonstra precisamente que ninguém precisa de magistrados para aceder a informação judicial privilegiada e usá-la indevidamente em benefício de um clubes ou de qualquer outra organização.

Ricardo Costa quis apoiar-se na realidade para defender a sua tese, a realidade é que não estava para aí virada...

Mas Ricardo Costa afirma que estes 4 magistrados participam “ativamente na atividade do ponto de vista de uma direção” e isso é falso; são apenas membros de órgãos sociais que se relacionam exclusivamente com os restantes órgãos internos do clube e que aplicam apenas os regulamentos internos do clube.

Acho por exemplo que a credibilidade da justiça ficou mais abalada com a substituição pouco transparente da Procuradora Geral da República. E acho curioso que o Ricardo Costa que tem uma opinião tão forte e veemente e com tantas certezas absolutas quanto à participação dos magistrados nos órgãos sociais dos clubes consiga não ter opinião formada sobre a mudança da PGR, tirando umas evidências sobre o perigo de politização do cargo, daquelas que até o Donald Trump ou a Lili Caneças subscreveriam.

Para Ricardo Costa o que é mesmo preocupante é a possibilidade da acta da reunião da Assembleia Geral da Académica ser escrita por um sócio da briosa que é magistrado lá em Coimbra.

Ui, isso é que mina a confiança dos cidadãos na justiça...

Mas lá está, cada um tem as suas prioridades.

 

Resumindo, a mim não me incomoda que os magistrados participem em órgãos sociais internos de clubes ou associações, e acredito que já vários clubes os tenham tido nos seus órgãos sem que daí tenha vindo nenhuma suspeita ou descredibilização da justiça ou da função dos magistrados.

Todos os males da justiça fossem esses...

 

Podemos passar à próxima polémica?

 

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publicado às 23:25

Fim-do-verão.jpg

Tenho a sorte de não sofrer com o regresso ao trabalho.

Sim, eu adoro estar de férias com a família.

Mas como gosto do que faço e de com quem faço, regressar ao trabalho nunca foi penoso para mim.

Não sofro por antecipação nos últimos dias de férias apesar de me chatear aquela coisa de regressar, arrumar a tralha e fazer/desfazer malas.

Mas a verdade é que este ano adorei aqueles dias-depois-das-férias.

Quando eu voltei ao trabalho os miúdos continuaram de férias, e como a mãe está num período de transição também estava em casa com eles.

Assim, quando eu regressava do escritório, o ambiente em casa era leve e descontraído, sem stress de horas para jantar ou para deitar.

Eu vinha do trabalho, onde tinha estado a fazer coisas de que gosto, e eles tinham estado na praia ou a fazer um pic-nic.

Estava toda a gente satisfeita com o seu dia e no dia seguinte eu não tinha que acordar de madrugada para levar ninguém à escola.

Para mudar a rotina aproveitámos para jantar com a TV ligada, algo que nunca fazemos nos dias “normais” (adoramos ver a National Geographic ou aqueles programas sobre veterinários).

Os últimos dias de Agosto e os primeiros de Setembro foram excelentes, numa espécie de câmara de descompressão entre as férias a sério e o regresso à rotina das aulas.

No fundo as minhas férias acabaram há 3 semanas mas só agora, com o início das aulas, é que sinto o “peso” do regresso.

Ainda assim são apenas os nossos adoráveis First World Problems – são necessários e é uma sorte tremenda viver com eles...

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publicado às 20:02

Feijão-Verde-MontijoX4-blog.jpg

Por achar que merece uma partilha, vou contar-vos a nossa aventura no Feijão Verde do Montijo.

Eu já conhecia um outro Feijão Verde, por causa de uma festa de aniversário de uma amiga da minha filha Joana, mas nessa altura fiquei com a ideia de que era um fun park mais dirigido para crianças pequenas - a Joana e os seus amigos, entre os 6 e os 7 anos, adoraram; mas não estava a imaginar as irmãs mais velhas, de 12, a divertirem-se ali...

Mas à conta da recomendação de uma amiga acabámos por ir até ao Montijo e aí tudo foi diferente: para além das zonas de brincadeira para os mais pequenos havia espaços muito mais virados para a aventura que fizeram as delícias das manas mais velhas e de uns primos que foram connosco.

Até vos digo que algumas das áreas estão claramente pensadas para que os pais possam brincar em família com os filhos.

Por ali há um percurso de arborismo onde os miúdos andam em total segurança a uns 5 metros de altura, uma rampa para descer com boias, um cabo de slide e várias camas elásticas.

Mas a loucura total é a zona dos trampolins onde até os adultos se divertem à grande.

Num espaço grande e arejado temos 3 áreas distintas com vários trampolins encadeados (tipo bounce) com cestos de basket, rede de vólei e piscina de esponjas, tudo pensado para que os miúdos possam saltar (muito) e brincar em segurança.

Os monitores eram uma simpatia e estavam sempre disponíveis para ajudar os miúdos o que ajuda muito a que se aproveite bem o tempo.

Os miúdos não podiam ter saído de lá mais satisfeitos e todos eles, independentemente das idades, adoraram a experiência.

Eles dizem que é o maior fun park indoor do País e eu acredito.

Aproveitem, vale bem a pena a viagem...

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publicado às 19:19

Unir o Sporting.jpg

 <<<< fast rewind <<<<

Confesso que nunca fui grande fã de Bruno de Carvalho.

Lembro-me de ter ficado muito mal impressionado quando, aqui há uns anos, despediu o treinador Marco Silva.

Não pela troca em si (Marco Silva por Jorge Jesus) mas pela forma como foi feita. Como é evidente um presidente tem toda a legitimidade para dispensar e contratar treinadores – deve é fazê-lo com elevação e respeito. Despedir alguém alegando justa causa com o argumento de que se apresentou num jogo sem o fato oficial, faltou a uma reunião ou colocou em campo um jogador indesejado pelo presidente, demonstrava uns tiques de prepotência que me deixaram de sobreaviso.

Outro detalhe que me assustou foi a frase colocada na estátua do Leão aquando da inauguração do pavilhão João Rocha. Bruno de Carvalho fez questão de mandar gravar uma frase sua para colocar na base de pedra, do lado oposto à frase de um dos fundadores do clube.

Não faria mais sentido usar uma frase do João Rocha ou de um qualquer atleta notável das modalidades (do Carlos Lopes ao Livramento), em vez de uma frase do presidente que mandou fazer a estátua?

A História faz-se com tempo e se Bruno de Carvalho fizesse um trabalho notável como presidente seria natural que daqui a 30 anos alguém usasse o seu nome ou uma frase sua para engrandecer uma estrutura ligada ao clube.

Mas ser o próprio a colocar-se em bicos de pés e a outorgar-se o direito de escrever “hoje” uma frase qualquer para deixar à eternidade gravada na pedra revela um ego exacerbado e doentio que mais tarde ou mais cedo acabaria por causar problemas.

Sei que foi um detalhe, mas foi um detalhe muito revelador.

Quando em 2017 se realizaram eleições no Sporting votei no Pedro Madeira Rodrigues. Não porque me entusiasmasse muito a sua candidatura, mas porque enquanto cidadão sempre me assustaram as unanimidades. A verdade é que temi pelo que aconteceria se Bruno de Carvalho tivesse 90% e quis com o meu voto evitar a sua vitória esmagadora, o que acabou por acontecer. E infelizmente, com os resultados que se conhecem, os meus receios eram mais do que fundados.

O poder pode corromper (mesmo que seja apenas moralmente) e quando alguém se sente legitimado pela quase totalidade dos eleitores, corre-se o risco de o poder lhe subir à cabeça e confundir a sua pessoa com o cargo que ocupa, bem como minar os equilíbrios e a colegialidade na tomada de decisões – foi o que manifestamente aconteceu, e qualquer pessoa que vença umas eleições com 90% está mais próxima de se transformar num aprendiz de ditador.

<< rewind <<

Quando Bruno de Carvalho entrou em rota de colisão com o Sporting e com o mundo, não estranhei – o que estranhei foi o silêncio de todos aqueles que tinham obrigação de o contestar e de se apresentarem como alternativa.

Vi muitos analistas, ouvi muitos comentadores de bancada, assisti a muita indignação nas redes sociais, mas ninguém afrontou o poder instituído e destrutivo de Bruno de Carvalho.

E enquanto o Sporting exasperava e definhava e os potenciais opositores se resguardavam aguardando por melhores dias e timings que lhes fossem mais favoráveis, houve uma voz que se fez ouvir: não para se queixar ou para apenas criticar mas para se constituir como alternativa – foi a do Frederico Varandas.

Costuma dizer-se que só temos uma oportunidade para criar uma boa primeira impressão, e o Frederico Varandas conquistou o meu respeito e o meu afecto nesse primeiro momento.

O resto é a história que se conhece: um Bruno Carvalho empenhado em manter-se no poder a qualquer preço e indiferente aos interesses de Sporting, a demissão de boa parte dos corpos sociais, a invenção de novos órgãos por parte da direção que foram depois declarados ilegais pelos tribunais, a criação de órgãos transitórios por parte da MAG que foram aceites pelos tribunais, e finalmente a realização de uma Assembleia Geral onde Bruno de Carvalho foi destituído com 70% dos votos, tendo perdido em rigorosamente todas as mesas de voto (dos sócios mais recentes aos mais antigos).

Com a posterior apresentação do calendário eleitoral começam finalmente a aparecer os “outros” nomes de potenciais candidatos e com um cenário de 7 candidaturas há uma pergunta que fica sem resposta: o que leva tanta gente a querer concorrer?

Toda a gente considera o número excessivo e impeditivo de um verdadeiro debate sobre as alternativas, e toda a gente teme que o futuro presidente do Sporting possa ter a legitimidade beliscada por uma vitória na casa dos 30 ou 35% numa altura em que era importante um presidente com a legitimidade reforçada; mas ainda assim, 6 pessoas acharam que a sua candidatura era absolutamente imprescindível.

Será que depois de aparecerem os primeiros 2 ou 3 ou 4 candidatos, os demais têm projetos assim tão radicalmente diferentes que precisam de se apresentar de forma isolada?

Ou será que se apresentam com outros propósitos (negócios ou notoriedade) para além do interesse em servir o clube?

> play >

Pela minha parte a decisão estava tomada desde o dia em que o Frederico Varandas se apresentou corajosamente como alternativa, quando todos os outros estavam confortavelmente a fazer contas à vida e quando nos fazia falta uma mensagem de esperança no cenário auto-destrutivo da presidência do Bruno de Carvalho.

Mas ainda faltava um detalhe para reforçar o meu entusiasmo nesta eleição.

Há uns dias recebi um telefonema de um querido amigo, quase de infância, que me perguntou se eu já tinha um candidato às eleições no Sporting. E quando soube em quem eu ia votar, disse-me que fazia parte da lista para a Mesa da Assembleia Geral da lista do Frederico Varandas e convidou-me para pertencer à sua Comissão de Honra.

E caramba, que honra!

Eu sempre fui desalinhado, sempre fui do contra. Se alguma vez fosse candidato ao que quer que fosse provavelmente recusaria o meu nome para a minha própria comissão de honra; no fundo sou um bocado como o Groucho Marx que dizia não aderir a clubes que o aceitassem como sócio.

Confesso que foi um convite inesperado que me encheu de orgulho e... honra.

Já me aconteceu, tanto no Sporting como na política, votar com pouca convicção, votar no do “contra”, votar para que o vencedor não ganhe por muitos, votar para dar voz à minoria... – acho que o fundamental é votar sempre porque a cidadania é o mais importante.

Mas desta vez vai ser diferente, desta vez vou votar porque acredito.

Depois de um período tão conturbado e com tantos desafios pela frente, precisamos de alguém que demonstrou ter a coragem no momento certo.

Neste momento, o que é mesmo importante é... UNIR O SPORTING!

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publicado às 00:42

Estava eu de férias quando no meu feed do FB me apareceu publicidade à candidatura de Dias Ferreira com esta foto e a legenda:

IMG_2154.jpg

“A equipa de recolha de assinaturas já está pronta!”

 

E eu, que nem sou um histérico contra a chamada “objectificação” da mulher, torci o nariz.

Acho que a guerra contra a utilização da imagem das mulheres está a atingir patamares de irracionalidade absurda e o caso da FIFA, que não quer que as câmaras de TV captem imagens de mulheres bonitas nos estádios, é apenas o caso mais recente e patético.

Mas a verdade é que o tempo em que na publicidade se queria vender tudo, desde o carro ao detergente, recorrendo apenas a um decote bem recheado já lá vai; numa sociedade moderna já não se comunica apenas com um bom par de pernas ou de mamas.

Reduzir a mulher à sua imagem é, em 2018, constrangedor e confrangedor.

Será que na equipa de Dias Ferreira não havia voluntários e voluntárias com vontade de recolher umas assinaturas e de explicar aos seus interlocutores o programa do candidato?

Era preciso recorrer ao expediente simplista e vulgar de... “contratamos umas miúdas giras e os gajos assinam”?

Será que têm uma visão tão limitada e redutora dos seus próprios adeptos?

Acho até que os sócios do Sporting mereciam ser tratados de outra forma.

Qualquer pessoa, independentemente do sexo e desde que devidamente formada, seria capaz de tentar convencer um associado a assinar a candidatura de Dias Ferreira (ou de qualquer outro).

É o que fazem por exemplo, com todos os seus defeitos, os partidos políticos.

Será que esta “equipa de recolha de assinaturas” é apoiante de Dias Ferreira, lhe conhece o programa e o consegue explicar resumidamente aos potenciais votantes?

Posso estar enganado mas parece-me que Dias Ferreira preferiu reduzir os sócios à condição de grunhos e a mulher a um mero objecto.

E eu não gosto viver num mundo onde as mulheres são encaradas com esta ligeireza, e não quero que as minhas filhas vivam num mundo assim.

Nem as filhas ou as netas de Dias Ferreira merecem isto.

Mais valia que tivesse escolhido a hashtag #diasferreira1988

É que esta imagem, de século XXI, parece ter pouco.

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publicado às 20:02

Robles Remarx.jpg

Dois pontos prévios:

1 – Não sou eleitor do Bloco nem nutro nenhum tipo de simpatia pelo partido.

2 – A maioria das vezes em que o Bloco intervém eu discordo e até embirro.

Ultrapassados estes obstáculos iniciais, que não são pequenos e introduzem uma certa dose de preconceito da minha parte, vamos lá a ver esta história do vereador Robles e das suas mais-valias imobiliárias.

 

Nunca achei que para se defender algo ou alguém seja necessário pertencer a esse grupo.

Um rico pode (e deve) preocupar-se e defender ativamente os pobres da mesma forma que um homem pode (e deve) defender ativamente a igualdade de género e um português heterossexual e caucasiano pode (e deve) defender a igualdade de todas as minorias.

A ideia que um “tipo de esquerda” não deve ter dinheiro soa mais a inveja do que a princípio moral.

Posto isto, não me maça nada que um tipo de esquerda ganhe uns milhões num negocio legal; aliás chateia-me bastante mais que um deputado do Bloco dê uma morada falsa (a da sede do Bloco em Braga) para ganhar um subsídio de deslocação ao qual não devia ter direito (não só é desonesto como sou eu quem paga o subsídio).

 

O problema é que o Ricardo Robles não é de um partido de esquerda do género do PS, como aqueles tipos de esquerda cheios de dinheiro e bonacheirões da estirpe do Carlos Monjardino.

O Ricardo Robles é de um partido onde se defendem coisas como ”a propriedade é um roubo” e que andou os últimos anos a vociferar contra a especulação imobiliária e a saída dos Lisboetas do centro da cidade por não conseguirem acompanhar a subida de preços dos imóveis.

Isto de ser contra a propriedade privada e contra a especulação imobiliária mas depois ganhar milhões com imóveis e a sua especulação já é moralmente um bocadinho mais complicado.

Ainda assim noto-lhe uma certa transparência na ação que o torna refrescante no panorama político nacional.

Ricardo Robles quis ganhar dinheiro num negócio, juntou-se à irmã e fizeram uma sociedade às claras.

Não arranjou nenhum testa de ferro, não usou uma sobrinha como o Duarte Lima, não recorreu a um amigo banqueiro como Cavaco e as ações da SLN, não foi à procura de um sobrinho taxista na Suíça como Isaltino, não procurou favores de amigos construtores como Sócrates, não inventou off-shores como tantos outros... querem que continue a lista?

E quando o prédio for vendido acredito que vá pagar os devidos impostos sobre a mais valia.

 

Ricardo Robles é um falso moralista, um demagogo e muitos outros nomes que lhe queiram chamar.

A chatice é que no panorama político português, quando comparado com outros cromos de outros partidos, já ninguém estranha e ele quase que passa por sério.

 

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publicado às 17:26

Visão-cabeçalho.jpg

Rebentou o escândalo a propósito da reconstrução de habitações destruídas nos incêndios de Pedrogão.

Mas pelo que ouvi nas notícias, estamos a falar de umas 7 casas num universo de mais de 260 habitações que estão a ser (ou já foram) reconstruídas.

Se devia ter acontecido? Claro que não!

Se deve ser investigado e os prevaricadores punidos? Claro que sim!

Mas valerá a pena empolar aqueles 2 ou 3% de eventuais irregularidades a ponto de perdermos de vista aquilo que foi a tragédia daquelas populações e o exemplo de generosidade da sociedade civil que se mobilizou para tentar minorar o seu drama?

Valerá a pena criar este sentimento de desconfiança generalizada em relação à utilização dos donativos?

Valerá a pena desvirtuar a realidade e falar em “donativos desviados” (li no Expresso) como se o dinheiro tivesse sido gasto em algo que não a reconstrução de casas?

Penso que não.

Ontem não se falava de outra coisa e acho que este clima de histeria pode ser altamente contraproducente para o espírito de generosidade de um povo e minar a confiança em iniciativas de generosidade que no futuro seja importante acarinhar.

Aliás, habituado que estou às derrapagens orçamentais em Portugal, até acho que 2 ou 3% de utilização de fundos em processos não-prioritários é um bom desempenho.

 

Até porque não há sistemas perfeitos; por muita cautela que se tenha estaremos sempre à mercê de alguns abusos e do aproveitamento da nossa boa fé por parte de pessoas com menos escrúpulos.

É verdade que estamos no patamar da náusea e do nojo quando alguém se aproveita desta situação para seu benefício.

Mas se querem que vos diga muito honestamente, aquelas pessoas que inventaram moradas para poderem beneficiar de subsídios aos quais não tinham direito para reconstruir as casas de Pedrogão podem sempre dizer que se inspiraram no exemplo moral dos deputados da nação.

Afinal de contas muitos deputados inventam moradas para ganharem subsídios e ajudas de custo às quais não têm direito, e até o Presidente da Assembleia da República (que é a 2ª figura do Estado Português) veio dizer que não faz mal e que está tudo bem assim porque basta a palavra dada pelos próprios deputados.

Queriam o quê?!?

 

Adiante...

Obrigado à comunicação social pela investigação e pela denúncia e obrigado ao Ministério Público por estar a investigar.

 

Mas agora, se não se importam, vamos passar ao assunto seguinte.

Sob pena de na próxima tragédia o povo português se mostrar desconfiado e pouco solidário pelo facto de temer que 2 ou 3% dos recursos poderem vir a ser utilizados em projetos que, sendo legítimos, não são exatamente os prioritários.

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publicado às 09:30


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