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Abro o jornal e leio a notícia de que as pensões acima de 5.147€ não vão ser aumentadas em 2018.

Só há uma conclusão a tirar: as pensões abaixo deste valor vão ser aumentadas.

Quem ajuda a pagar? As empresas e os trabalhadores no activo, claro – são eles quem sustenta o Orçamento Geral do Estado.

Convém recordar que em Portugal o salário médio não chega aos 1.000€, e que mais de 1/5 dos trabalhadores recebe apenas o ordenado mínimo.

Trocando isto por miúdos, vamos ter os trabalhadores que ganham o ordenado mínimo (ou que ganham 600 ou 700€) a contribuir, mesmo que indirectamente, para o aumento das pensões daqueles que, estando reformados, ganham 3.000 ou 4.000€ .

É uma espécie de Robin dos Bosque mas ao contrário: tira-se a quem tem menos para dar a quem tem mais. Em matéria de “justiça social” ficamos conversados.

Mas a propósito de “miúdos”, convém recordar também que Portugal é um País com poucos miúdos, em acelerada desconstrução demográfica, e não é preciso ser-se especialista para saber que os pensionistas (salvo raras exceções) não têm filhos a cargo, ao passo que que muita da população activa os tem (ou planeia tê-los).

Estamos assim a colocar as famílias de rendimentos baixos que têm filhos a cargo a ajudar a pagar para as reformas das pessoas que têm rendimentos altos e já não têm filhos a cargo.

Esta prioridade fará sentido num País com a pirâmide demográfica invertida?

Este modelo de “distribuição de riqueza” em que se penalizam os que têm menos para beneficiar quem tem mais pode parecer saído da cabeça de um qualquer Trump da vida, mas não; sai da cabeça do governo das esquerdas unidas de Portugal, da cabeça do António, do Jerónino e da Catarina.

Não quero com isto deixar nenhuma crítica objectiva à “esquerda”, longe disso. Já cá ando há tempo suficiente para saber que se o governo fosse de “direita” aconteceria o mesmo.

Mas não deixa de ser curioso (e revelador) que no primeiro governo de esquerda unida da nossa história, que conta com o apoio expresso do Bloco de Esquerda e do PCP, se assumam opções políticas que não envergonhariam um qualquer governo do PSD com o apoio do CDS.

Quem perde é também a diversidade democrática.

É que se até agora a alternância no poder só tinha colocado em São Bento governos com o apoio do PS, PSD e CDS, hoje sabemos que afinal, com PCP e BE, tudo é mais ou menos igual.

Na Suíça, por exemplo, estabeleceu-se um tecto que ronda os 1.700€ para as reformas mais altas. O governo Suíço entende que 1.700€ é um valor que permite a um pensionista viver com dignidade, e o dinheiro que é poupado por não se pagarem reformas milionárias é utilizado para compensar as reformas mais baixas.

Bom, mas talvez isso aconteça porque a Suíça é um País pobre.

Aparentemente Portugal é um País mais rico do que a Suíça, pode dar-se ao luxo de pagar reformas milionárias e o atual governo está cá para o assegurar.

É bonito ver um governo de esquerda tão solidário com o povo; se o caviar está caro, a nossa esquerda está cá para ajudar quem precisa...

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