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Unir o Sporting.jpg

 <<<< fast rewind <<<<

Confesso que nunca fui grande fã de Bruno de Carvalho.

Lembro-me de ter ficado muito mal impressionado quando, aqui há uns anos, despediu o treinador Marco Silva.

Não pela troca em si (Marco Silva por Jorge Jesus) mas pela forma como foi feita. Como é evidente um presidente tem toda a legitimidade para dispensar e contratar treinadores – deve é fazê-lo com elevação e respeito. Despedir alguém alegando justa causa com o argumento de que se apresentou num jogo sem o fato oficial, faltou a uma reunião ou colocou em campo um jogador indesejado pelo presidente, demonstrava uns tiques de prepotência que me deixaram de sobreaviso.

Outro detalhe que me assustou foi a frase colocada na estátua do Leão aquando da inauguração do pavilhão João Rocha. Bruno de Carvalho fez questão de mandar gravar uma frase sua para colocar na base de pedra, do lado oposto à frase de um dos fundadores do clube.

Não faria mais sentido usar uma frase do João Rocha ou de um qualquer atleta notável das modalidades (do Carlos Lopes ao Livramento), em vez de uma frase do presidente que mandou fazer a estátua?

A História faz-se com tempo e se Bruno de Carvalho fizesse um trabalho notável como presidente seria natural que daqui a 30 anos alguém usasse o seu nome ou uma frase sua para engrandecer uma estrutura ligada ao clube.

Mas ser o próprio a colocar-se em bicos de pés e a outorgar-se o direito de escrever “hoje” uma frase qualquer para deixar à eternidade gravada na pedra revela um ego exacerbado e doentio que mais tarde ou mais cedo acabaria por causar problemas.

Sei que foi um detalhe, mas foi um detalhe muito revelador.

Quando em 2017 se realizaram eleições no Sporting votei no Pedro Madeira Rodrigues. Não porque me entusiasmasse muito a sua candidatura, mas porque enquanto cidadão sempre me assustaram as unanimidades. A verdade é que temi pelo que aconteceria se Bruno de Carvalho tivesse 90% e quis com o meu voto evitar a sua vitória esmagadora, o que acabou por acontecer. E infelizmente, com os resultados que se conhecem, os meus receios eram mais do que fundados.

O poder pode corromper (mesmo que seja apenas moralmente) e quando alguém se sente legitimado pela quase totalidade dos eleitores, corre-se o risco de o poder lhe subir à cabeça e confundir a sua pessoa com o cargo que ocupa, bem como minar os equilíbrios e a colegialidade na tomada de decisões – foi o que manifestamente aconteceu, e qualquer pessoa que vença umas eleições com 90% está mais próxima de se transformar num aprendiz de ditador.

<< rewind <<

Quando Bruno de Carvalho entrou em rota de colisão com o Sporting e com o mundo, não estranhei – o que estranhei foi o silêncio de todos aqueles que tinham obrigação de o contestar e de se apresentarem como alternativa.

Vi muitos analistas, ouvi muitos comentadores de bancada, assisti a muita indignação nas redes sociais, mas ninguém afrontou o poder instituído e destrutivo de Bruno de Carvalho.

E enquanto o Sporting exasperava e definhava e os potenciais opositores se resguardavam aguardando por melhores dias e timings que lhes fossem mais favoráveis, houve uma voz que se fez ouvir: não para se queixar ou para apenas criticar mas para se constituir como alternativa – foi a do Frederico Varandas.

Costuma dizer-se que só temos uma oportunidade para criar uma boa primeira impressão, e o Frederico Varandas conquistou o meu respeito e o meu afecto nesse primeiro momento.

O resto é a história que se conhece: um Bruno Carvalho empenhado em manter-se no poder a qualquer preço e indiferente aos interesses de Sporting, a demissão de boa parte dos corpos sociais, a invenção de novos órgãos por parte da direção que foram depois declarados ilegais pelos tribunais, a criação de órgãos transitórios por parte da MAG que foram aceites pelos tribunais, e finalmente a realização de uma Assembleia Geral onde Bruno de Carvalho foi destituído com 70% dos votos, tendo perdido em rigorosamente todas as mesas de voto (dos sócios mais recentes aos mais antigos).

Com a posterior apresentação do calendário eleitoral começam finalmente a aparecer os “outros” nomes de potenciais candidatos e com um cenário de 7 candidaturas há uma pergunta que fica sem resposta: o que leva tanta gente a querer concorrer?

Toda a gente considera o número excessivo e impeditivo de um verdadeiro debate sobre as alternativas, e toda a gente teme que o futuro presidente do Sporting possa ter a legitimidade beliscada por uma vitória na casa dos 30 ou 35% numa altura em que era importante um presidente com a legitimidade reforçada; mas ainda assim, 6 pessoas acharam que a sua candidatura era absolutamente imprescindível.

Será que depois de aparecerem os primeiros 2 ou 3 ou 4 candidatos, os demais têm projetos assim tão radicalmente diferentes que precisam de se apresentar de forma isolada?

Ou será que se apresentam com outros propósitos (negócios ou notoriedade) para além do interesse em servir o clube?

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Pela minha parte a decisão estava tomada desde o dia em que o Frederico Varandas se apresentou corajosamente como alternativa, quando todos os outros estavam confortavelmente a fazer contas à vida e quando nos fazia falta uma mensagem de esperança no cenário auto-destrutivo da presidência do Bruno de Carvalho.

Mas ainda faltava um detalhe para reforçar o meu entusiasmo nesta eleição.

Há uns dias recebi um telefonema de um querido amigo, quase de infância, que me perguntou se eu já tinha um candidato às eleições no Sporting. E quando soube em quem eu ia votar, disse-me que fazia parte da lista para a Mesa da Assembleia Geral da lista do Frederico Varandas e convidou-me para pertencer à sua Comissão de Honra.

E caramba, que honra!

Eu sempre fui desalinhado, sempre fui do contra. Se alguma vez fosse candidato ao que quer que fosse provavelmente recusaria o meu nome para a minha própria comissão de honra; no fundo sou um bocado como o Groucho Marx que dizia não aderir a clubes que o aceitassem como sócio.

Confesso que foi um convite inesperado que me encheu de orgulho e... honra.

Já me aconteceu, tanto no Sporting como na política, votar com pouca convicção, votar no do “contra”, votar para que o vencedor não ganhe por muitos, votar para dar voz à minoria... – acho que o fundamental é votar sempre porque a cidadania é o mais importante.

Mas desta vez vai ser diferente, desta vez vou votar porque acredito.

Depois de um período tão conturbado e com tantos desafios pela frente, precisamos de alguém que demonstrou ter a coragem no momento certo.

Neste momento, o que é mesmo importante é... UNIR O SPORTING!

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publicado às 00:42

Estava eu de férias quando no meu feed do FB me apareceu publicidade à candidatura de Dias Ferreira com esta foto e a legenda:

IMG_2154.jpg

“A equipa de recolha de assinaturas já está pronta!”

 

E eu, que nem sou um histérico contra a chamada “objectificação” da mulher, torci o nariz.

Acho que a guerra contra a utilização da imagem das mulheres está a atingir patamares de irracionalidade absurda e o caso da FIFA, que não quer que as câmaras de TV captem imagens de mulheres bonitas nos estádios, é apenas o caso mais recente e patético.

Mas a verdade é que o tempo em que na publicidade se queria vender tudo, desde o carro ao detergente, recorrendo apenas a um decote bem recheado já lá vai; numa sociedade moderna já não se comunica apenas com um bom par de pernas ou de mamas.

Reduzir a mulher à sua imagem é, em 2018, constrangedor e confrangedor.

Será que na equipa de Dias Ferreira não havia voluntários e voluntárias com vontade de recolher umas assinaturas e de explicar aos seus interlocutores o programa do candidato?

Era preciso recorrer ao expediente simplista e vulgar de... “contratamos umas miúdas giras e os gajos assinam”?

Será que têm uma visão tão limitada e redutora dos seus próprios adeptos?

Acho até que os sócios do Sporting mereciam ser tratados de outra forma.

Qualquer pessoa, independentemente do sexo e desde que devidamente formada, seria capaz de tentar convencer um associado a assinar a candidatura de Dias Ferreira (ou de qualquer outro).

É o que fazem por exemplo, com todos os seus defeitos, os partidos políticos.

Será que esta “equipa de recolha de assinaturas” é apoiante de Dias Ferreira, lhe conhece o programa e o consegue explicar resumidamente aos potenciais votantes?

Posso estar enganado mas parece-me que Dias Ferreira preferiu reduzir os sócios à condição de grunhos e a mulher a um mero objecto.

E eu não gosto viver num mundo onde as mulheres são encaradas com esta ligeireza, e não quero que as minhas filhas vivam num mundo assim.

Nem as filhas ou as netas de Dias Ferreira merecem isto.

Mais valia que tivesse escolhido a hashtag #diasferreira1988

É que esta imagem, de século XXI, parece ter pouco.

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publicado às 20:02

Visão-cabeçalho.jpg

Rebentou o escândalo a propósito da reconstrução de habitações destruídas nos incêndios de Pedrogão.

Mas pelo que ouvi nas notícias, estamos a falar de umas 7 casas num universo de mais de 260 habitações que estão a ser (ou já foram) reconstruídas.

Se devia ter acontecido? Claro que não!

Se deve ser investigado e os prevaricadores punidos? Claro que sim!

Mas valerá a pena empolar aqueles 2 ou 3% de eventuais irregularidades a ponto de perdermos de vista aquilo que foi a tragédia daquelas populações e o exemplo de generosidade da sociedade civil que se mobilizou para tentar minorar o seu drama?

Valerá a pena criar este sentimento de desconfiança generalizada em relação à utilização dos donativos?

Valerá a pena desvirtuar a realidade e falar em “donativos desviados” (li no Expresso) como se o dinheiro tivesse sido gasto em algo que não a reconstrução de casas?

Penso que não.

Ontem não se falava de outra coisa e acho que este clima de histeria pode ser altamente contraproducente para o espírito de generosidade de um povo e minar a confiança em iniciativas de generosidade que no futuro seja importante acarinhar.

Aliás, habituado que estou às derrapagens orçamentais em Portugal, até acho que 2 ou 3% de utilização de fundos em processos não-prioritários é um bom desempenho.

 

Até porque não há sistemas perfeitos; por muita cautela que se tenha estaremos sempre à mercê de alguns abusos e do aproveitamento da nossa boa fé por parte de pessoas com menos escrúpulos.

É verdade que estamos no patamar da náusea e do nojo quando alguém se aproveita desta situação para seu benefício.

Mas se querem que vos diga muito honestamente, aquelas pessoas que inventaram moradas para poderem beneficiar de subsídios aos quais não tinham direito para reconstruir as casas de Pedrogão podem sempre dizer que se inspiraram no exemplo moral dos deputados da nação.

Afinal de contas muitos deputados inventam moradas para ganharem subsídios e ajudas de custo às quais não têm direito, e até o Presidente da Assembleia da República (que é a 2ª figura do Estado Português) veio dizer que não faz mal e que está tudo bem assim porque basta a palavra dada pelos próprios deputados.

Queriam o quê?!?

 

Adiante...

Obrigado à comunicação social pela investigação e pela denúncia e obrigado ao Ministério Público por estar a investigar.

 

Mas agora, se não se importam, vamos passar ao assunto seguinte.

Sob pena de na próxima tragédia o povo português se mostrar desconfiado e pouco solidário pelo facto de temer que 2 ou 3% dos recursos poderem vir a ser utilizados em projetos que, sendo legítimos, não são exatamente os prioritários.

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publicado às 09:30

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Esta coisa do “amor” é de facto muito engraçada porque, muitas vezes, assenta em coincidências.

Ando muito feliz com os boatos que apontam Cristiano Ronaldo à Juventus porque eu adoro a Juve.

Quando era miúdo tinha um amigo no liceu, o Alex, com quem ia a Alvalade regularmente – à parte de ser meu amigo, era o “meu” amigo de ir à bola.

O Alex era português mas tinha uma costela italiana; a mãe era italiana e, se não me engano, ele próprio tinha nascido em Perugia.

Para além de ser do Sporting tal como eu, ele também era fanático da Juventus – era o seu clube italiano.

E eu acabei por “adoptar” um carinho especial pelo clube do meu amigo. Ainda por cima naquela altura nós íamos sempre para a bancada da Juve Leo pelo que a fonética do nome Juve já me estava no coração.

Se há clube estrangeiro de que sempre gostei (à parte do Celtic de Glasgow) é a Juventus de Turim.

É por isso que me enternece tanto a ideia de o Cristiano Ronaldo, o “meu” menino de oiro, ir jogar para a Juve.

 

Mas há outra razão, mais racional, que me leva a redobrar o entusiasmo por esta transferência: é porque acho que em termos de gestão da carreira, o melhor para o futuro do Cristiano Ronaldo pode ser ir jogar para Itália.

O Ronaldo está numa forma tremenda, fez um ano formidável no Real Madrid e apresentou-se no mundial na condição que vimos. Mas quem tem 33 anos tem que gerir a carreira de forma diferente de um “miúdo” de 25.

E há qualquer coisa que a Itália tem e que os outros países não têm: a capacidade de aproveitar e maximizar a essência e as características dos jogadores até (muito) mais tarde.

A Liga Italiana é das mais competitivas do mundo e os clubes italianos têm dos melhores desempenhos nas competições europeias, mas apresentam sempre uma média de idades mais elevada do que as restantes Ligas.

Há qualquer coisa, ao nível da metodologia do treino ou do esquema de jogo, que faz com que os jogadores consigam permanecer ao mais alto nível durante mais tempo em Itália do que nos outros países.

Dino Zoff foi campeão do mundo aos 41 anos e Buffon continua a jogar depois dos 40, o que é notável, mas são guarda-redes.

Mas mesmo sem termos que recuar muito no tempo, facilmente nos lembramos de jogadores de campo que se retiraram depois dos 37 quando ainda estavam em grande forma: Baresi, Canavarro, Roberto Baggio ou Pirlo jogaram ao mais alto nível até essa idade. E até o nosso Figo, quando abandonou precisamente o Real Madrid e o campeonato espanhol, rumou para o italiano Inter de Milão onde jogou também até aos 37 tendo-se sagrado tetra campeão italiano.

E só por aí quase nem valia a pena fazer a referencia a Maldini (vénia) que se reformou no Milan aos 41 anos.

Não estamos a falar de um país simpático para um jogador se reformar tranquilamente; estamos a falar de um dos campeonatos mais competitivos do mundo mas onde se habituaram a fazer render os jogadores até mais tarde.

Estando o Ronaldo descontente com a postura do Real Madrid, e pensando nos seus 33 anos, a Itália pode ser o sítio ideal para ir.

E se vai para Itália, que maravilha vai ser vê-lo num clube mítico como a Vecchia Signora.

 

P.S. Fala-se numa transferência de 100 milhões de euros e o acordo ainda nem sequer foi assinado, mas as acções da Juventus já valorizaram 140 milhões de euros nestes últimos dias.

Cristiano Ronaldo é de longe o jogador mais popular do mundo e só em camisolas CR7 a Juventus vai amealhar uma fortuna - é sempre um excelente negócio.

Até eu queria comprar uma t-shirt da Juve mas este ano quero comprar a nova camisola do Sporting e não tenho dinheiro para tudo...

 

 

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publicado às 00:19

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Três notas prévias:

1 - Eu gosto genuinamente da Madonna;

2 – Como alfacinha acho bestial que ela tenha escolhido a minha cidade para viver;

3 - Percebo perfeitamente que a Câmara Municipal a trate de forma especial (nós não somos todos iguais e ela é um verdadeiro “activo” para a cidade - um post dela nas redes sociais tem mais impacto na imagem de Lisboa no exterior do que alguns milhões gastos em “campanhas institucionais” para promover a cidade).

 

Como é evidente, quem é milionário e tem 15 carros só tem que arranjar uma casa com 15 lugares de garagem – é simples. Mas tanto quanto sei, os lugares de estacionamento foram cedidos a título provisório só enquanto duram as obras lá em casa.

Por mim está tudo bem e tanto se me dá que lhe cobrem 720€ (ela nem deve saber o que são 720€) como não lhe cobrem nada (o que para efeitos de orçamento camarário vai dar ao mesmo).

 

O que é escabroso nesta história é que estamos a falar de um bairro de Lisboa que, em matéria de estacionamento para os moradores, foi arrasado pela própria Câmara que agora “oferece” estacionamento à dona Madonna.

A CML mandou a EMEL invadir a zona da Estrela com o intuito de obter receita à custa dos moradores a quem foram objetivamente retirados os lugares de estacionamento na via pública.

A EMEL chegou disfarçada de “regulador” mas cedo se percebeu que não vinha regular nem investir nem organizar; só lá estava para pintar o chão de algumas zonas e suprimir outras sem outro motivo visível que não seja o de extorquir dinheiro com multas a curto prazo.

Há ruas onde se estacionava dos 2 lados sem problemas e que agora só têm estacionamento de um lado, há ruas onde se estacionava de um lado em toda a extensão da rua e agora só se pode fazer em meia-rua, há de tudo.

O problema é que a EMEL não se limita a multar e bloquear os carros que não pagam parquímetro ou que não têm o dístico de morador – também multam e bloqueiam os carros que estão estacionados em sítios não marcados, onde não incomodam ninguém e onde se estacionava tranquilamente antes dos raides da EMEL.

Nunca percebi o ódio da CML aos moradores da Estrela.

Será porque elegeram uma freguesia PSD e agora Fernando Medina decidiu puni-los como faz com os habitantes de Carnide por terem votado CDU?

 

Em resumo, a única coisa que me incomoda no “negócio” com a Madonna é o contexto: não me chateia que a Câmara facilite o estacionamento à frota da Madonna; o que não faz sentido é que no mesmo bairro se empenhe a perseguir as famílias que não têm dinheiro para comprar um palacete com 15 lugares de garagem.

 

Se calhar é a isto que se chama esquerda caviar...

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publicado às 20:30

No passado evitei escrever sobre Bruno de Carvalho porque o assunto me provocava angustia e desgaste emocional, porque o tema era escalpelizado ad nauseam em todo o lado, e porque tudo o que o ex-presidente do Sporting dizia ou escrevia era desmentido pelo próprio ou pela realidade nas 24h seguintes.

Mas depois das reações do próprio à última assembleia geral que votou a sua destituição apeteceu-me fazer o exercício de, humildemente, analisar a sua mais recente argumentação.

Peguei no seu último post no facebook (este) e como não foi alterado ou editado, ao contrário dos outros, usei-o como ponto de partida para a tarefa.

Aqui ficam os meus comentários a alguns dos pontos que o agora ex-presidente do Sporting apresenta em sua defesa.

 

"Tenho de começar logo com um primeiro agradecimento especial aos quase 30% que votaram na nossa não destituição. Nem vale mais discutir se foram mais ou não."

Não foram mais, de facto foram menos; mais precisamente 28,64%.

O curioso é que quando o ex-presidente teve votações com resultados favoráveis assumiu-os sempre como exatos e fidedignos.

 

"Sempre quis ser um Líder popular, com os pés assentes na terra, com um discurso mobilizador que voltasse a devolver o orgulho."

Não se pode devolver o orgulho a quem nunca o perdeu; se há coisa que a massa associativa do Sporting sempre teve, mesmo durante as mais inclementes travessias do deserto, foi orgulho no seu Sporting – qualquer sportinguista sabe e sente isso.

 

“Um discurso ambicioso, virado para dentro e para fora, demostrando ao Mundo que estávamos aqui para vencer tudo e exigir de volta o que tínhamos perdido: Respeito.”

Se houve coisa que o Sporting e os sportinguistas não ganharam foi “respeito”.

O ex-presidente passou boa parte do seu tempo a tratar quase toda a gente como inimigos e fê-lo de forma inaceitável.

De cada vez que se dirigia a alguém (fossem adversários externos ou sportinguistas) como “ratos”, vermes” ou “nojentos”, o Sporting não ganhou respeito – pelo contrário, os sportinguistas foram ganhando vergonha pela postura do seu presidente.

 

“Isto abriu uma guerra geracional que não era de todo o pretendido.”

É falso, não existe nenhuma guerra geracional.

Numa das mais concorridas Assembleias Gerais da história do Sporting o “SIM” à destituição ganhou em TODAS as mesas.

Mesmo na mesa onde votaram os sócios mais recentes que se inscreveram já durante a presidência de Bruno de Carvalho, o “Sim” à destituição teve 54,6%.

Por outro lado, é impossível associar de forma clara a antiguidade dos sócios a um factor geracional: há pessoas com 50 anos de idade que são sócias há 5 anos e há pessoas com 30 anos de idade que são sócias há 30 anos.

A única certeza que temos é que o Sim à destituição de Bruno de Carvalho foi absolutamente unânime entre todas as gerações de sócios.

 

“Mas o discurso levou a que muitos Sportinguistas se afastassem, mesmo não percebendo o porquê...”

Penso que os Sportinguistas se afastaram precisamente porque percebem porquê.

Mesmo neste post em que se pretende apresentar como um ex-presidente fofinho, humilde e conciliador, acaba por menorizar mais uma vez de forma ostensiva os sportinguistas afirmando que eles só se afastaram do líder porque não perceberam.

Pelo menos aqui regista-se uma exceção à regra e o ex-presidente apresenta uma rara coerência neste hábito de menosprezar as capacidades dos associados do Sporting: ele tem que falar devagarinho para que o possamos entender, quem votou sim à destituição é fraco de espírito, e agora os que se afastaram é porque não percebem.

Bruno de Carvalho tem mudado de opinião todos os dias sobre quase todos os assuntos, mas quanto a ofender os sócios do Sporting tem sido coerente - reconheça-se isso.

 

“Afinal, o conteúdo era aparentemente 100% correcto”

Aparentemente é falso; aparentemente os Sportinguistas não consideram o discurso do seu ex-presidente “aparentemente 100% correcto” – se o achassem não tinham votado massivamente na sua destituição.

Basta recordar o tenebroso episódio do ataque a Alcochete em que o ex-presidente afirmou que os jogadores eram involuntariamente responsáveis pelo ataque – para muitos Sportinguistas o conteúdo estava 100% incorreto.

Este espírito de culpabilização da vítima é o mesmo que diz que uma mulher violada é culpada pela sua violação porque estava de saias ou tinha bebido umas cervejas – é o patamar da náusea e do abjecto.

 

“O Clube chegou ao sucesso e a minha imagem pessoal ficou totalmente deturpada ao olhos de muitos.”

Não vou discutir a afirmação de que o Sporting chegou ao “sucesso” porque esse é um conceito subjetivo. Mas a imagem pessoal do ex-presidente não ficou nada deturpada; pelo contrário ficou amplamente demonstrada de forma clara e transparente.

Alguém que passou os últimos anos a envolver-se publicamente em discussões com adversários internos e externos com um discurso à base do “verme”, “idiota”, “labrego”, “traidor”, “reles”, “porco”, “nojento” ou “cretino”, não tem a sua imagem pessoal deturpada – tem uma imagem pessoal que corresponde exatamente à realidade.

 

“Vamos ter a humildade de receber de braços abertos todos os que queiram apresentar o seu projecto para o Sporting CP.”

A ver se entendo... durante anos os adversários eram ratos, nojentos, porcos e traidores. E agora, só porque pende um processo disciplinar sobre o ex-presidente, vamos acolher todos de braços abertos?

Alguém mal intencionado ainda pode pensar que esta postura é algo hipócrita para quem apregoa que a frontalidade é uma das suas maiores virtudes.

 

“O meu desejo é simples, que se acabe com este processo disciplinar”

O meu desejo é precisamente o oposto. Quem ataca os atletas do Sporting publicamente como depois do jogo com o Atlético de Madrid, quem acusa os atletas do Sporting de serem co-responsáveis pelas agressões de que a nossa Academia foi vítima, quem passou os últimos anos a atacar e a ofender os sportinguistas e quem ainda há poucos dias escreveu que os 71% que votaram pela sua destituição são “tristes e fracos de espírito” (sic), deve ser expulso do clube.

Não faz sentido que uma associação, seja um partido, uma empresa ou um clube, tenha como associado alguém que se tornou tóxico e prejudicial, e que regularmente demonstra o seu desprezo pelo clube e seus associados.

Se um empregado passar a vida a falar mal da empresa e dos colegas acabará despedido; se um filiado passar a vida a falar mal do partido e dos adversários acabará expulso; se um sócio ou dirigente passar a vida a falar mal do clube e dos associados acontece-lhe o mesmo. É assim em todo o lado.

 

“Somos um país livre e democrático e por isso deixemos a liberdade de candidatura e voto aos sportinguistas.”

Reina por aqui alguma confusão. Portugal é de facto um país livre e democrático mas existem leis e regras a cumprir para assegurar essa liberdade.

Portugal é um País livre e democrático mas nem todos se podem apresentar a eleições e nem todos podem votar.

Por outro lado as instituições podem ter regras próprias desde que sejam compatíveis com as leis da República: basta lembrar que em Portugal vigora o princípio de “uma pessoa um voto” e nas associações as pessoas podem ter mais do que um voto em função da sua antiguidade.

E mesmo ao nível da República há organizações que pela sua ideologia estão proibidas de concorrerem a eleições.

Por outras palavras, existe democracia e liberdade mas também há limitações ao seu exercício – tanto na República Portuguesa como no Sporting.

 

Para terminar esta lista que já vai longa, fica uma afirmação do próprio Bruno de Carvalho depois da Assembleia Geral:

"Hoje deixei de ser para sempre sócio e adepto deste clube"

Como dizem nos filmes, I rest my case...

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publicado às 21:30

Ronaldo-Sporting.jpg

O meu amigo Zé Cavaco é do Benfica e gosta de futebol espetáculo.

Gosta de jogadores que arriscam, que fintam, que tentam sempre, daqueles que têm o toque de midas ou o golpe de génio que transforma o desporto em arte.

No longínquo ano de 2002, o Zé Cavaco andava doido com o Ricardo Quaresma que na altura tinha 19 ou 20 anos; naquele ano, o Quaresma era o jogador que lhe enchia as medidas, aquele que ele gostaria de ter no seu Benfica.

Chegou a confessar-me que até tinha inveja de nós, os lagartos, por termos um miúdo assim, daqueles que na tradição do Futre eram capazes de correr de uma baliza à outra tentando fintar metade da equipa adversária.

O que lhe interessava era a garra, a ingenuidade e a ousadia dos miúdos.

Um dia disse-me que gostava que o levasse a Alvalade – queria ver esse miúdo mágico em acção, a cores e ao vivo.

Eu acedi, arranjei um cartão para ele e lá fomos juntos à bola.

Pelo caminho expliquei-lhe:

Olha Zé, em Alvalade toda a gente adora o Quaresma; mas nós não vamos lá só para o ver. Nós agora temos um miúdo ainda mais novo que é uma absoluta maravilha.

Como só tem 17 anos, nem sempre é titular. Mas vais perceber que na 2ª parte vai começar a sentir-se um burburinho no campo e é o estádio a pedir ao treinador para meter o miúdo.

O meu amigo Zé não acreditou.

Não achou possível que o Sporting, para além do Quaresma que era o seu jogador preferido, ainda tivesse um miúdo mais novo e mais promissor.

Mas lá aconteceu o que sempre acontecia: a certa altura da 2ª parte toda a gente começou a pedir o miúdo, e o Cristiano Ronaldo lá entrou.

Não me lembro de qual era o jogo (porque eu ia a todos) nem qual o resultado; não me lembro sequer se o Ronaldo chegou a fazer alguma daquelas jogadas de encher o olho e levantar o estádio.

Lembro-me da alegria do estádio a pedir para o miúdo entrar e a alegria e entusiasmo com que ele jogava à bola - era magia.

Acho que o Zé Cavaco não percebeu na altura aquilo a que tinha assistido, mas talvez agora o compreenda.

O Cristiano Ronaldo cresceu e transformou-se naquilo que hoje todos conhecemos - o maior jogador Português de todos os tempos.

Já todos vimos jogadores espetaculares, basta ir à lista dos vencedores da Bola de Ouro para recordar os nomes daqueles que foram os melhores do seu tempo.

Parece-me contudo que o Cristiano Ronaldo está num patamar acima de todos eles. Não se trata de ser “apenas” aquele jogador extraordinário que carrega a equipa às costas – é aquele nível acima em que o futebol se transforma num híbrido ali entre o desporto colectivo e o desporto individual.

No “meu tempo”, quando penso no Ronaldo não penso no Platini ou no Rummenigge, no Van Basten ou no Ronaldo (brasileiro), não penso sequer no Messi.

Ronaldo não é apenas o melhor daquele ano, é dos melhores de sempre - o único jogador do “meu tempo” que me vem à cabeça quando penso no Ronaldo é o Maradona - para mim o mais extraordinário jogador de todos os tempos.

Muitos acharão que estou a exagerar e é natural.

Eu às vezes resvalo para a hipérbole - o amor tem destas coisas.

O Ronaldo está com 33 anos e ainda tem muito futuro para escrever, mas a sua garra e a sua genuína alegria a jogar à bola são as mesmas do miúdo de 17.

Ronaldo hoje lidera uma equipa, mas abraça e vibra com os seus colegas com o mesmo entusiasmo e gratidão de adolescente.

É também por isso que para mim será sempre “o meu menino de oiro”.

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publicado às 00:09

Autismo

20.03.18

Autismo-Valério_Romão.jpg

“Autismo”, de Valério Romão, é um livro extraordinário.

Sim, o título diz tudo – é um livro sobre o autismo.

E sim, o autor sabe bem do que fala porque é pai de uma criança autista.

Ainda assim, é um romance belíssimo.

E digo “ainda assim” porque é de facto um romance; não é um livro escrito ostensivamente na 1ª pessoa nem um mero relato da experiência pessoal nem muito menos um panfleto sobre a doença.

É um romance arrebatador e durante uns dias eu dei por mim a trabalhar com vontade de voltar para casa, tratar dos miúdos, cumprir os serviços mínimos e ir para a cama ler.

Imagino que todos os pais de crianças com autismo o tenham lido.

Mas este livro devia ser de leitura obrigatória para todos os pais e mães, não tanto para darem valor à saúde dos seus filhos mas para sentirem um pouco da angustia e da dor permanente destes pais.

Acho que nos faz falta isto: sofrer pelos outros e sentir-lhes, ainda que temporariamente, o seu sofrimento.

Até porque sabemos bem que, como nos filmes pesados, quando aquilo “acaba” nós voltamos para a nossa vidinha...

Neste tempo em que despachamos a solidariedade para com os outros num post de facebook que nos leva 1 segundo a partilhar e somos todos contra a guerra e o "câncer", ler este livro é um murro no estômago à antiga.

O livro é escrito por um homem e acho que isso se nota; eu pelo menos senti-me tão identificado com as angustias da personagem masculina que não consegui deixar de pensar nisso o tempo todo. Normalmente o género do escritor é-me indiferente mas aqui senti um homem por detrás da escrita e acho que isso acrescenta valor ao livro.

Vi as relações e os sonhos, a sensibilidade e a revolta, as fragilidades e o desencanto tal como penso que eu próprio a sentiria.

E senti como, de alguma forma, todos falhamos às nossas mulheres.

Nós somos uma merda mas ainda assim esforçamo-nos e amamos.

É por isso que todos, homens e mulheres, pais e mães, deviam ler este livro - para nos amarmos mais e nos compreendermos melhor – para não desistirmos de tentar perceber o mundo do outro.

Não sei se é fácil encontrá-lo nas prateleiras das livrarias mas pode encomendar-se on-line.

Autismo é um livro cru, a preto-e-branco, sem pinceladas de cor ou de esperança, sem expectativas de redenção; é uma janela aberta para um quarto escuro.

Mas é preciso lê-lo.

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publicado às 23:52

Se eu fosse um organizador de festivais de verão, sei muito bem qual era a primeira banda que tentaria contratar: as Pussy Riot.

E não é só por causa da recente colaboração com o David Sitek (dos TV on the Radio).

Não é porque agora estão numa onda mais pop do que o seu registo habitual como neste (muito bom) "Police State"...

Um Festival é mais do que uma sucessão de concertos avulsos; é um evento cultural que, juntando artistas de diversas origens, procura criar uma identidade comum que os une.

Por isso é que os festivais são diferentes.

Por isso é que há festivais onde as marcas atropelam os visitantes e outros onde os patrocinadores respeitam os espectadores; por isso é que há festivais que apostam na produção negligente de lixo enquanto outros investem em copos recicláveis.

No fundo, e independentemente do tipo de música, ao criar a sua imagem cada festival tenta criar a sua identidade e a sua ética. E é aí que entram as Pussy Riot

Um pouco na senda da frase “Save a life, save a world!" (que a Fundação Aristides de Sousa Mendes costuma usar como "assinatura") eu acho que quem luta pela sua liberdade, no seu País, luta pela liberdade de todos nós em todo o lado. E nisso de lutar pela liberdade as Pussy Riot são um dos grandes exemplos deste mundo porque arriscam a sua integridade, a sua liberdade e a sua vida.

Já foram presas, já foram deportadas para campos de trabalho forçado, já foram impedidas de comunicar com familiares e advogados, são agredidas, e voltam sempre ao seu activismo e à sua luta. Basta um passeio pelo youtube (como aqui) para ficar nauseado pela violência com que são tratadas e espantado com a sua coragem física...

A onda delas pode não ser a minha e se elas fossem Portuguesas talvez as achasse excessivas, panfletárias e radicas – mas elas fazem-no num País que é uma ditadura há séculos e onde lutar pela liberdade se paga frequentemente com a vida.

Mereciam que da parte do mundo livre alguém lhes estendesse a mão para lhes dizer que admiramos a sua coragem, a sua determinação e o seu apego à liberdade que no fundo é de todos nós; alguém que lhes dissesse “- Miúdas, querem vir tocar à nossa terra”.

Trazê-las cá, mais do que propor um concerto, seria fazer uma afirmação moral e ética pela liberdade e contra todas as formas de violência e de opressão.

No fundo a nossa geração só é livre porque alguém lutou por nós e pela nossa liberdade ainda antes de termos nascido; nós podíamos usar a liberdade que nos deram de graça para ajudar a promover a liberdade dos outros.

Só por causa disso, eu gostava mais de ver as Pussy Riot em Portugal do que qualquer outra banda.

Alguém arrisca?

Free Pussy Riot!

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publicado às 11:04

Permitido cães.jpg

De todas as polémicas palermas em que temos sido envolvidos, esta da lei que permite a entrada de animais em estabelecimentos comerciais é das mais parvas de todas.

Desde logo porque, enquanto lei, foi aprovada por unanimidade no Parlamento.

Sim, por unanimidade.

Eu não acho que a Assembleia da República “esgote” a sociedade civil. Mas quando uma lei é aprovada por unanimidade, talvez não estejamos propriamente perante uma “polémica”. Digo eu...

Só os estabelecimentos comerciais que quiserem é que vão permitir a entrada de animais, e só as pessoas que quiserem viver essa experiência é que lá vão entrar – mais simples e livre é impossível.

Perante isto, estar contra esta lei é tão estúpido como estar contra a existência de restaurantes japoneses com o argumento de que não se gosta de peixe cru, ou estar contra a abertura de restaurantes mexicanos e indianos porque o excesso de picante pode fazer mal.

Meus amigos: quem quer vai, quem não quer não vai.

O problema não está na lei nem nos animais nem nos donos nem no suposto politicamente correto.

O problema está numa sociedade civil sopeira que acha que deve opinar sobre a vida dos outros e o que fazem os outros; pior do que isso, uma sociedade civil que se sente no direito de interferir na vida dos outros, como se a vida dos outros interferisse na sua.

É um bocado como um heterossexual ser contra o casamento gay - como se isso mexesse na sua própria vida.

Nesta discussão, como em tantas outras, não há razão dos dois lados nem opiniões diferentes: há apenas as pessoas que percebem que têm liberdade para ir e não ir onde lhes apetece, e a malta com espírito de porteira quadrilheira que, por terem vidas mais poucochinhas e muito tempo livre, passam o tempo a ver e a opinar sobre a vida dos outros.

Deve ser chato estar a jantar e de repente ver o Bobby da mesa do lado a arrear um triplex castanho e pastoso. Mas quem não quiser correr esse risco, só tem que fazer o que sempre fez – ir aos restaurantes onde costuma ir onde não entram animais (é o que eu pessoalmente conto fazer).

Eu quero lá saber se há quem goste comida crua ou cozinhada, se há quem goste de carne ou prefira vegetariano, se gostam de ir jantar com a namorada ou com o Farrusco ou com ambos...
A vida dos outros interessa-me pouco; nisso sou muito pouco tuga, sou muito pouco sopeiro.

Ou como dizia o chavão do filme, get a life...

 

(nota do editor: este texto foi escrito por um tipo que adora animais, que tem uma cadela, e que não está a pensar de todo ir almoçar ou jantar fora com ela)

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publicado às 23:10


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