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Há uma frase cruel mas verdadeira (atribuída ao Estaline) que nos diz que um milhão de mortes é uma estatística e uma morte singular é uma tragédia.

É por isso que uma morte como a do Paulo Gonçalves nos deixa tão consternados.

Ver desaparecer uma pessoa que nos habituámos a acompanhar com carinho há décadas (seja um desportista, um artista ou uma figura pública) deixa-nos sempre a sensação de que perdemos alguém, apesar de não a termos conhecido pessoalmente.

Mas há uma outra razão para esta tristeza.

Uma prova como o Dakar tem uma carga mística única que associamos a aventura, coragem, loucura e superação, e esse espírito explorador e aventureiro faz parte do ADN da humanidade.

De alguma forma, os aventureiros que fazem um Dakar ou outra prova com essas características, são descendentes diretos de outras gerações de aventureiros que ao longo dos séculos exploraram a terra, os mares ou o espaço, gente que foi aos polos, escalou montanhas ou atravessou regiões inóspitas.

É também por isso que quando vemos as imagens de uma mota no Dakar sentimos um apelo ao nosso lado aventureiro de que todos temos um pouco.

No fundo, com maior ou menor intensidade, todos já tivemos um momento em que nos apeteceu sermos nós a partir à aventura.

E é também por isso que aqueles pilotos não estão a correr só por si, estão também a representar-nos e a correr por nós.

Não me levem a mal a hipérbole mas, mal comparado, é um pouco como a pegada do Armstrong na lua que era apenas um pequeno passo para o homem mas um salto gigante para a humanidade; aquele homem não se representava só a si – representava toda a humanidade.

De cada vez que um piloto arranca na sua mota para mais uma etapa de um qualquer Dakar, também leva consigo um pouco dos sonhos e ambições de todos os que ficam em casa a torcer por eles.

É também por isso que a morte do Paulo Gonçalves nos toca tanto – é que na sua mochila não ia só a sua ambição, também ia um pouco dos nossos sonhos de aventura que nunca conseguimos realizar.

E com a sua morte morre também um pouco do nosso sonho...

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publicado às 12:15


4 comentários

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Vagueando a 13.01.2020

Carregamos todos os dias os nossos sonhos que mais não são os sonhos de toda a humanidade. No Desporto, na Vida, na Profissão, na Aventura, enfim no dia a dia. Como diria António Gedeão

Eles não sabem, nem sonham,

que o sonho comanda a vida,

que sempre que um homem sonha

o mundo pula e avança

como bola colorida

entre as mãos de uma criança.

O risco faz mais parte da nossa vida, do que no desporto motorizado, que é perigoso. Quem diria em pleno Século XXI, que morre mais gente vítimas de crimes fúteis, como recentemente aconteceu com dois jovens, um em Bragança de nome Giovanni e outro em Lisboa, de nome Pedro Fonseca.

Venha lá a aventura, o sonho de cada um, no desporto, motorizado ou não, com todos os riscos que isso acarreta, mas acabem lá por favor com as mortes que não são sonho, são pesadelos.
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Fernando Caeiro a 13.01.2020

Os "crimes fúteis" são o nosso lado negro mas, infelizmente, também fazem parte do ADN da humanidade.
Daí que subsistam no séc. XXI, sem que se conheça receita para acabar com eles - a humanidade será sempre capaz do melhor e do pior, e basta folhear um livro de História para perceber que o número do século é relativamente indiferente ao sofrimento humano.
É muito triste...
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Kok a 26.01.2020

A morte é sempre uma dor que se sente e é também uma revolta dos que choram quem morreu.
É certo que Paulo Gonçalves continuará vivo nas memórias de familiares e amigos mas também é verdade que a ausência da sua presença física deixa um vazio em todos os que o conheceram.
Consegui cumprir muitos dos seus sonhos o que decerto o fez feliz. Foi 1 campeão!!
É 1 campeão!

1 abraço!
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Fernando Caeiro a 29.01.2020

E nós podemos sempre voltar às nossas vidas; vamos recordá-lo nas efemérides, quando começar um novo Dakar ou quando for um aniversário do nascimento ou da morte.
Já a família vai carregar a dor e o "vazio" durante anos, 24h por dia...

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